Quaresma despiu–se, lavou–se, enfiou a roupa de
casa, veio para a biblioteca, sentou–se a uma cadeira de
balanço, descansando. Estava num aposento vasto, e todo
ele era forrado de estantes de ferro. Havia perto de dez,
com quatro prateleiras, fora as pequenas com os livros de
maior tomo. Quem examinasse vagarosamente aquela
grande coleção de livros havia de espantar–se ao perceber
o espírito que presidia a sua reunião. Na ficção, havia
unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento
Teixeira, da Prosopopéia; o Gregório de Matos, o Basílio
da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o
Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros.
BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma.
Rio de Janeiro: Mediafashion, 2008, p. 12 (com adaptações).
No texto, o uso do artigo definido anteposto aos nomes
próprios dos escritores brasileiros
A tentação é comer direto da fonte. A tentação é comer
direto na lei. E o castigo é não querer mais parar de comer,
e comer–se a si próprio que sou matéria igualmente
comível.
LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.
O romance A Paixão Segundo G. H. é a tentativa
de dar forma ao inenarrável, esbarrando a todo momento
no limite intransponível das palavras. Tal paradoxo, vale
dizer, é o que funda toda literatura clariciana.
ROSENBAUM, Y. No território das pulsões. In: Clarice Lispector.
Cadernos de Literatura Brasileira. Instituto Moreira Salles.
Edição Especial, cadernos 17 e 18, dez. 2004, p. 266.
A repetição de palavras é um dos traços constantes na
obra de Clarice Lispector e remete à impossibilidade de
descrever a experiência vivida. A repetição de “comer", no
trecho citado, sugere
As mãos de Ediene
Ediene tem 16 anos, rosto redondo, trigueiro, índio
e bonito das meninas do sertão nordestino. Vaidosa, põe
anéis nos dedos e pinta os lábios com batom. Mas Ediene
é diferente. Jamais abraçará, não namorará de mãos
dadas e, se tiver filhos, não os aconchegará em seus
braços para dar–lhes o calor e o alimento dos seios da
mãe. A razão é simples: Ediene não tem braços. Ela os
perdeu numa maromba, máquina do século passado, com
dois cilindros de metal que amassam barro para fazer
telhas e tijolos numa olaria. Os dedos que enche de anéis
são os dos pés, com os quais escreve, desenha e passa
batom nos lábios. Ela é uma das centenas de crianças
mutiladas todos os anos, trabalhando como gente grande
em troca de minguados cobres.
UTZERI, F. As mãos de Ediene. Jornal do Brasil, Caderno B, 2 dez. 1999 (adaptado).
Os recursos estilísticos de um texto servem para torná–lo
esteticamente mais eficaz. Em As mãos de Ediene, o
autor alcança esse objetivo ao coordenar adjetivos no 1.°
período. Tal procedimento busca
Cândido Portinari, nascido em 1903, em uma fazenda de café em Brodósqui, no interior do estado de São Paulo, é
um dos ícones das artes plásticas no Brasil e no mundo. Sua vasta e variada obra é um dos valiosos patrimônios da cultura
brasileira. A seguir, são apresentadas pinturas desse grande artista.

Na série de pinturas apresentada, Portinari
Tragédias, causadas pelas forças da natureza ou pelo
homem, acontecem em todo lugar. Na maioria das vezes,
nem há como prevê–las, mas muitas vezes elas acontecem
pela falta de recursos para evitá–las, pela falta de infraestrutura
para minorar suas consequências ou
simplesmente por ignorância da população e falta de uma
política de segurança mais rígida.
A seguir, tem–se um gráfico que mostra a estatística de
naufrágios de navios nas costas brasileiras.

Observando o gráfico, é correto afirmar que os tipos de
acidentes que estão acima da média de acidentes são