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Tirinhas são construídas a partir de contextos sociais e podem promover reflexões diversas. Essa tirinha provoca no

leitor uma reflexão acerca da

Usei uma conexão via computador, pela primeira

vez, em 1988. Morava na França, trabalhando como

correspondente da Folha de S. Paulo e concordei em

utilizar um laptop Toshiba T1000, equipado com um modem

de 1 200 bauds, para transmitir minhas reportagens. O

texto entrava direto nos terminais da redação, digitalizado,

segundos depois de composto na tela de cristal líquido

do pequeno Toshiba. O laptop sequer tinha disco rígido,

era tudo comandado por disquete e gravado em disquete.

Permitiu–me aposentar não só a Olivetti como o vetusto

telex de casa. Em seguida, eu pegava o telefone e

chamava a redação para saber se o texto “entrara" bem.

Até que, um dia, o engenheiro de informática do jornal me

disse que, dali em diante, não precisaríamos usar mais

a ligação telefônica internacional tradicional, muito cara,

para saber se o texto havia chegado corretamente ou tirar

dúvidas sobre o manuseio do computador. Poderíamos

fazer aquilo via chat, uma conversa textual na tela do

próprio laptop. Essa maravilha seria possível por meio de

um programinha de conversação.

SPYE, J. Conectado. São Paulo: Martins Fontes, 2006 (adaptado).

O texto apresenta uma situação de uso das tecnologias

de comunicação e informação por um jornalista. A

mudança do uso do telefone para o uso do chat evidencia

a transformação na dinâmica

Logo todos na cidade souberam: Halim se embeiçara

por Zana. As cristãs maronitas de Manaus, velhas e

moças, não aceitavam a ideia de ver Zana casar–se com

um muçulmano. Ficavam de vigília na calçada do Biblos,

encomendavam novenas para que ela não se casasse

com Halim. Diziam a Deus e ao mundo fuxicos assim: que

ele era um mascate, um teque–teque qualquer, um rude,

um maometano das montanhas do sul do Líbano que se

vestia como um pé rapado e matraqueava nas ruas e

praças de Manaus. Galib reagiu, enxotou as beatas: que

deixassem sua filha em paz, aquela ladainha prejudicava

o movimento do Biblos. Zana se recolheu ao quarto. Os

clientes queriam vê–la, e o assunto do almoço era só este:

a reclusão da moça, o amor louco do “maometano".

HATOUM, M. Dois irmãos. São Paulo: Cia. das Letras, 2006 (fragmento).

Dois irmãos narra a história da família que Halim e

Zana formaram na segunda metade do século XX.

Considerando o perfil sociocultural das personagens e os

valores sociais da época, a oposição ao casamento dos

dois evidencia

TEXTO I

Dois quadros

Na seca inclemente do nosso Nordeste,

O sol é mais quente e o céu mais azul

E o povo se achando sem pão e sem veste,

Viaja à procura das terras do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,

Se acaba a esperança da gente roceira,

Na mesma lagoa da festa do sapo,

Agita–se o vento levando a poeira.



TEXTO II

ABC do Nordeste flagelado

O – Outro tem opinião

de deixar mãe, deixar pai,

porém para o Sul não vai,

procura outra direção.

Vai bater no Maranhão

onde nunca falta inverno;

outro com grande consterno

deixa o casebre e a mobília

e leva a sua família

pra construção do governo.

Disponível em: www.revista.agulha.com.br. Acesso em: 23 abr. 2010 (fragmento).

Os Textos I e II são de autoria do escritor nordestino

Patativa do Assaré, que, em sua obra, retrata de forma

bastante peculiar os problemas de sua região. Esses

textos têm em comum o fato de abordarem

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem

de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz

por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia

uma volta atrás da casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.

BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Manoel de Barros desenvolve uma poética singular,

marcada por “narrativas alegóricas", que transparecem

nas imagens construídas ao longo do texto. No poema,

essa característica aparece representada pelo uso do

recurso de

Informações ao paciente — Nimesulida

Ação esperada do medicamento: Nimesulida

possui propriedades anti–inflamatórias, analgésicas e

antipiréticas.

Cuidados de armazenamento: Nimesulida gotas deve

ser conservado em temperatura ambiente (entre 15 e 30 ºC),

protegido da luz.

Gravidez e lactação: Informe a seu médico a

ocorrência de gravidez durante o tratamento ou após o

seu término. Informe ao médico se está amamentando.

O uso de Nimesulida não é recomendado para gestantes

e mulheres em fase de amamentação.

Cuidados de administração: Siga a orientação do

seu médico, respeitando sempre os horários, as doses

e a duração do tratamento. Caso os sintomas não

melhorem em 5 dias, entre em contato com o seu médico.

Recomenda–se utilizar Nimesulida depois das refeições.

Agite antes de usar.

TODO MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO FORA

DO ALCANCE DAS CRIANÇAS.

Disponível em: www.bulas.med.br. Acesso em: 3 ago. 2012 (fragmento).

O fragmento de bula apresenta informações ao paciente

sobre as propriedades do medicamento e sobre o modo

adequado de administrá–lo. Pela leitura desse texto,

o paciente obtém a informação de que o medicamento

deve ser

Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às tecnologias, eles permitem que surjam novidades

nesse campo, mas são novidades com algum gosto do conhecido. Observem–se as respectivas tecnologias e alguns de seus

gêneros: telegrama; telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; roteiro cinematográfico e muitos outros

que foram surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido, é claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma

nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico muito maleável, traz mais possibilidades de inovação.

MARCUSCHI, L. A. Disponível em: www.progesp.ufba.br. Acesso em: 23 jul. 2012 (fragmento).

O avanço das tecnologias de comunicação e informação fez, nas últimas décadas, com que surgissem novos gêneros

textuais. Esses novos gêneros, contudo, não são totalmente originais, pois eles inovam em alguns pontos, mas

remetem a outros gêneros textuais preexistentes, como ocorre no seguinte caso:

O cordelista por ele mesmo

Aos doze anos eu era

forte, esperto e nutrido.

Vinha do Sítio de Piroca

muito alegre e divertido

vender cestos e balaios

que eu mesmo havia tecido.

Passava o dia na feira

e à tarde regressava

levando umas panelas

que minha mãe comprava

e bebendo água salgada

nas cacimbas onde passava.

BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel.

Porto Alegre: LP&M, 2003 (fragmento).

Literatura de cordel é uma criação popular em verso,

cuja linguagem privilegia, tematicamente, histórias de

cunho regional, lendas, fatos ocorridos para firmar certas

crenças e ações destacadas nas sociedades locais.

A respeito do uso das formas variantes da linguagem no

Brasil, o verso do fragmento que permite reconhecer uma

região brasileira é

Um gramático contra a gramática

O gramático Celso Pedro Luft era formado em

Letras Clássicas e Vernácula pela PUCRS e fez curso

de especialização em Portugal. Foi professor na UFRGS

e na Faculdade Porto–Alegrense de Ciências e Letras.

Suas obras mais relevantes são: Gramática resumida,

Moderna gramática brasileira, Dicionário gramatical

da língua portuguesa, Novo manual de português,

Minidicionário Luft, Língua e liberdade e O romance

das palavras. Na obra Língua e liberdade, Luft traz um

conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida

no ensino da língua materna, por combater, de forma

veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

Nos seis pequenos capítulos que integram a obra, o

gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma

tecla — uma variação sobre o mesmo tema: a maneira

tradicional e errada de ensinar a língua materna.

SCARTON, G. Disponível em: www.portugues.com.br. Acesso em: 26 out. 2011 (fragmento).

Reconhecer os diversos gêneros textuais que circulam na

sociedade constitui–se uma característica fundamental do

leitor competente. A análise das características presentes

no fragmento de Um gramático contra a gramática, de

Gilberto Scarton, revela que o texto em questão pertence

ao seguinte gênero textual:

Meu povo, meu poema

Meu povo e meu poema crescem juntos

Como cresce no fruto

A árvore nova

No povo meu poema vai nascendo

Como no canavial

Nasce verde o açúcar

No povo meu poema está maduro

Como o sol

Na garganta do futuro

Meu povo em meu poema

Se reflete

Como espiga se funde em terra fértil

Ao povo seu poema aqui devolvo

Menos como quem canta

Do que planta

FERREIRA GULLAR. Toda poesia. José Olympio: Rio de Janeiro, 2000.

O texto Meu povo, meu poema, de Ferreira Gullar, foi

escrito na década de 1970. Nele, o diálogo com o contexto

sociopolítico em que se insere expressa uma voz poética que



A imagem foi publicada no jornal Correio da Manhã, no dia de Finados de 1965. Sua relação com os direitos políticos existentes no período revela a

Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder. Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse esse três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos. Assim, criam-se os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, atuando de forma independente para a efetivação da liberdade, sendo que esta não existe se uma mesma pessoa ou sendo que esta não existe se uma mesma pessoa ou grupo exercer os referidos poderes concomitantemente.
MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (adaptado).



A divisão e a Independência entre os poderes são condições necessárias para que possa haver liberdade em um Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um modelo político em que haja

Quando ninguém duvida da existência de um outro mundo, e morte é uma passagem que deve ser celebrada entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não desaparecer completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na eternidade. A perda contemporânea do sentimento religioso fez da morte uma provação aterrorizante, um trampolim para as trevas e o desconhecido.
DUBY, G. Ano 1000 ano 2000 na pista dos nossos medos.
São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado)



Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve um processo de

Texto I



A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas.
Disponível em: www.mst.org.br. Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado).



Texto II



O pequeno proprietário rural é igual a um pequeno proprietário de loja; quanto menor o negócio mais difícil de manter, pois tem de ser produtivo e os encargos são difíceis de arcar. Sou a favor de propriedades produtivas e sustentáveis e que gerem empregos. Apoiar uma empresa produtiva que gere emprego é muito mais barato e gera muito mais do que apoiar a reforma agrária.
LESSA. C. Disponível em: www.observadorpolitico.org.br Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado).



Nos fragmentos dos textos, os posicionamentos em relação à reforma agrária se opõem. Isso acontece porque os autores associam a reforma agrária, respectivamente, à

Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora à página – não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo aprisionar-nos para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade sul-africana, em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito criadas à imagem de Deus.
Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade na África do Sul. Disponível em: http://td.camara.leg.br Acesso em: 17 de dez. 2012 (adaptado)



No texto, relaciona-se a consolidação da democracia na África do Sul á superação de um legado

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