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São Paulo vai se recensear. O governo quer saber

quantas pessoas governa. A indagação atingirá a fauna e a

flora domesticadas. Bois, mulheres e algodoeiros serão

reduzidos a números e invertidos em estatísticas. O homem

do censo entrará pelos bangalôs, pelas pensões, pelas

casas de barro e de cimento armado, pelo sobradinho e pelo

apartamento, pelo cortiço e pelo hotel, perguntando:

— Quantos são aqui?

Pergunta triste, de resto. Um homem dirá:

— Aqui havia mulheres e criancinhas. Agora,

felizmente, só há pulgas e ratos.

E outro:

— Amigo, tenho aqui esta mulher, este papagaio,

esta sogra e algumas baratas. Tome nota dos seus nomes,

se quiser. Querendo levar todos, é favor... (...)

E outro:

— Dois, cidadão, somos dois. Naturalmente o sr.

não a vê. Mas ela está aqui, está, está! A sua saudade

jamais sairá de meu quarto e de meu peito!

Rubem Braga. Para gostar de ler. v. 3

São Paulo: Ática, 1998, p. 32-3 (fragmento).

O fragmento acima, em que há referência a um fato

sócio-histórico — o recenseamento —, apresenta

característica marcante do gênero crônica ao

Na América inglesa, não houve nenhum processo

sistemático de catequese e de conversão dos índios ao

cristianismo, apesar de algumas iniciativas nesse sentido.

Brancos e índios confrontaram-se muitas vezes e mantiveramse

separados. Na América portuguesa, a catequese dos índios

começou com o próprio processo de colonização, e a

mestiçagem teve dimensões significativas. Tanto na América

inglesa quanto na portuguesa, as populações indígenas foram

muito sacrificadas. Os índios não tinham defesas contra as

doenças trazidas pelos brancos, foram derrotados pelas armas

de fogo destes últimos e, muitas vezes, escravizados.

No processo de colonização das Américas, as populações

indígenas da América portuguesa

A identidade negra não surge da tomada de

consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma

diferença biológica entre populações negras e brancas

e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo

histórico que começa com o descobrimento, no século XV,

do continente africano e de seus habitantes pelos

navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o

caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico

negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do

continente africano e de seus povos.

K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade

negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões e

experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37

Com relação ao assunto tratado no texto acima, é correto

afirmar que


Considerando a linha do tempo acima e o processo de abolição

da escravatura no Brasil, assinale a opção correta.


Acerca da crise política ocorrida em fins da

Primeira República, a carta do paulista Mário de

Andrade ao mineiro Carlos Drummond de

Andrade revela

Após a Independência, integramo-nos como

exportadores de produtos primários à divisão internacional do

trabalho, estruturada ao redor da Grã-Bretanha. O Brasil

especializou-se na produção, com braço escravo importado da

África, de plantas tropicais para a Europa e a América do Norte.

Isso atrasou o desenvolvimento de nossa economia por pelo

menos uns oitenta anos. Éramos um país essencialmente

agrícola e tecnicamente atrasado por depender de produtores

cativos. Não se poderia confiar a trabalhadores forçados outros

instrumentos de produção que os mais toscos e baratos.

O atraso econômico forçou o Brasil a se voltar para

fora. Era do exterior que vinham os bens de consumo que

fundamentavam um padrão de vida “civilizado", marca que

distinguia as classes cultas e “naturalmente" dominantes do

povaréu primitivo e miserável. (...) E de fora vinham também os

capitais que permitiam iniciar a construção de uma infraestrutura

de serviços urbanos, de energia, transportes e

comunicações.

Paul Singer. Evolução da economia e vinculação internacional.

In: I. Sachs; J. Willheim; P. S. Pinheiro (Orgs.). Brasil: um século

de transformações. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 80

Levando-se em consideração as afirmações acima, relativas à

estrutura econômica do Brasil por ocasião da independência

política (1822), é correto afirmar que o país

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU)

aprovou um plano de partilha da Palestina que previa a criação de

dois Estados: um judeu e outro palestino. A recusa árabe em aceitar

a decisão conduziu ao primeiro conflito entre Israel e países árabes.

A segunda guerra (Suez, 1956) decorreu da decisão

egípcia de nacionalizar o canal, ato que atingia interesses anglofranceses

e israelenses. Vitorioso, Israel passou a controlar a

Península do Sinai. O terceiro conflito árabe-israelense (1967) ficou

conhecido como Guerra dos Seis Dias, tal a rapidez da vitória de

Israel.

Em 6 de outubro de 1973, quando os judeus comemoravam

o Yom Kippur (Dia do Perdão), forças egípcias e sírias atacaram de

surpresa Israel, que revidou de forma arrasadora. A intervenção

americano-soviética impôs o cessar-fogo, concluído em 22 de

outubro.

A partir do texto acima, assinale a opção correta.



Um dia, os imigrantes aglomerados na

amurada da proa chegavam à fedentina quente de um

porto, num silêncio de mato e de febre amarela.

Santos. — É aqui! Buenos Aires é aqui! — Tinham

trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila.

Faziam suas necessidades nos trens dos animais

onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São

Paulo. — Buenos Aires é aqui! — Amontoados com

trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que

pretos guiavam através do mato por estradas

esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas

donde acabava de sair o braço escravo. Formavam

militarmente nas madrugadas do terreiro homens e

mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro.

Oswald de Andrade. Marco Zero II –

Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991

Levando-se em consideração o texto de Oswald de

Andrade e a pintura de Antonio Rocco reproduzida

acima, relativos à imigração européia para o Brasil,

é correto afirmar que

Em 4 de julho de 1776, as treze colônias que vieram

inicialmente a constituir os Estados Unidos da América (EUA)

declaravam sua independência e justificavam a ruptura do Pacto

Colonial. Em palavras profundamente subversivas para a época,

afirmavam a igualdade dos homens e apregoavam como seus

direitos inalienáveis: o direito à vida, à liberdade e à busca da

felicidade. Afirmavam que o poder dos governantes, aos quais cabia

a defesa daqueles direitos, derivava dos governados.

Esses conceitos revolucionários que ecoavam o Iluminismo

foram retomados com maior vigor e amplitude treze anos mais

tarde, em 1789, na França.

Emília Viotti da Costa. Apresentação da coleção. In: Wladimir Pomar.

Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003 (com adaptações).

Considerando o texto acima, acerca da independência dos EUA e

da Revolução Francesa, assinale a opção correta.

O que chamamos de corte principesca era, essencialmente, o palácio do príncipe. Os músicos eram tão indispensáveis nesses grandes palácios quanto os pasteleiros, os cozinheiros e os criados. Eles eram o que se chamava, um tanto pejorativamente, de criados de libré.
A maior parte dos músicos ficava satisfeita quando tinha garantida a subsistência, como acontecia com as outras pessoas de classe média na corte; entre os que não se satisfaziam, estava o pai de Mozart. Mas ele também se curvou às circunstâncias a que não podia escapar.
Norbert Elias. Mozart: sociologia de um gênio. Ed. Jorge Zahar, 1995, p. 18 (com adaptações).
Considerando-se que a sociedade do Antigo Regime dividia-se tradicionalmente em estamentos: nobreza, clero e 3.° Estado, é correto afirmar que o autor do texto, ao fazer referência a “classe média”, descreve a sociedade utilizando a noção posterior de classe social a fim de

Os cruzados avançavam em silêncio, encontrando por todas as partes ossadas humanas, trapos e bandeiras. No meio desse quadro sinistro, não puderam ver, sem estremecer de dor, o acampamento onde Gauthier havia deixado as mulheres e crianças. Lá, os cristãos tinham sido surpreendidos pelos muçulmanos, mesmo no momento em que os sacerdotes celebravam o sacrifício da Missa. As mulheres, as crianças, os velhos, todos os que a fraqueza ou a doença conservava sob as tendas, perseguidos até os altares, tinham sido levados para a escravidão ou imolados por um inimigo cruel. A multidão dos cristãos, massacrada naquele lugar, tinha ficado sem sepultura.
J. F. Michaud. História das cruzadas. São Paulo: Editora das Américas, 1956 (com adaptações).
Foi, de fato, na sexta-feira 22 do tempo de Chaaban, do ano de 492 da Hégira, que os franj* se apossaram da Cidade Santa, após um sítio de 40 dias. Os exilados ainda tremem cada vez que falam nisso, seu olhar se esfria como se eles ainda tivessem diante dos olhos aqueles guerreiros louros, protegidos de armaduras, que espelham pelas ruas o sabre cortante, desembainhado, degolando homens, mulheres e crianças, pilhando as casas, saqueando as mesquitas.
*franj = cruzados.
Amin Maalouf. As Cruzadas vistas pelos árabes. 2- ed. São Paulo: Brasiliense, 1989 (com adaptações).
Avalie as seguintes afirmações a respeito dos textos acima, que tratam das Cruzadas.
I Os textos referem-se ao mesmo assunto — as Cruzadas, ocorridas no período medieval —, mas apresentam visões distintas sobre a realidade dos conflitos religiosos desse período histórico.
II Ambos os textos narram partes de conflitos ocorridos entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média e revelam como a violência contra mulheres e crianças era prática comum entre adversários.
III Ambos narram conflitos ocorridos durante as Cruzadas medievais e revelam como as disputas dessa época, apesar de ter havido alguns confrontos militares, foram resolvidas com base na idéia do respeito e da tolerância cultural e religiosa.
É correto apenas o que se afirma em

Os textos a seguir foram extraídos de duas crônicas publicadas no

ano em que a seleção brasileira conquistou o tricampeonato

mundial de futebol.

O General Médici falou em consistência moral. Sem isso,

talvez a vitória nos escapasse, pois a disciplina consciente,

livremente aceita, é vital na preparação espartana para o rude

teste do campeonato. Os brasileiros portaram-se não apenas

como técnicos ou profissionais, mas como brasileiros, como

cidadãos deste grande país, cônscios de seu papel de

representantes de seu povo. Foi a própria afirmação do valor do

homem brasileiro, como salientou bem o presidente da República.

Que o chefe do governo aproveite essa pausa, esse minuto de

euforia e de efusão patriótica, para meditar sobre a situação do

país. (...) A realidade do Brasil é a explosão patriótica do povo ante

a vitória na Copa.

Danton Jobim. Última Hora, 23/6/1970 (com adaptações).

O que explodiu mesmo foi a alma, foi a paixão do povo:

uma explosão incomparável de alegria, de entusiasmo, de orgulho.

(...) Debruçado em minha varanda de Ipanema, [um velho amigo]

perguntava: — Será que algum terrorista se aproveitou do delírio

coletivo para adiantar um plano seu qualquer, agindo com frieza e

precisão? Será que, de outro lado, algum carrasco policial teve

ânimo para voltar a torturar sua vítima logo que o alemão apitou o

fim do jogo?

Rubem Braga. Última Hora, 25/6/1970 (com adaptações).

Avalie as seguintes afirmações a respeito dos dois textos e do

período histórico em que foram escritos.

I Para os dois autores, a conquista do tricampeonato mundial de

futebol provocou uma explosão de alegria popular.

II Os dois textos salientam o momento político que o país

atravessava ao mesmo tempo em que conquistava o

tricampeonato.

III À época da conquista do tricampeonato mundial de futebol, o

Brasil vivia sob regime militar, que, embora politicamente

autoritário, não chegou a fazer uso de métodos violentos contra

seus opositores.

É correto apenas o que se afirma em

A moderna democracia brasileira foi construída entre saltos e sobressaltos. Em 1954, a crise culminou no suicídio do presidente Vargas. No ano seguinte, outra crise quase impediu a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Em 1961, o Brasil quase chegou à guerra civil depois da inesperada renúncia do presidente Jânio Quadros. Três anos mais tarde, um golpe militar depôs o presidente João Goulart, e o país viveu durante vinte anos em regime autoritário.
A partir dessas informações, relativas à história republicana brasileira, assinale a opção correta.

No início do século XIX, o naturalista alemão Carl Von Martius esteve no Brasil em missão científica para fazer observações sobre a flora e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena. Referindo-se ao indígena, ele afirmou:
“Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente, ainda na infância, a civilização não o altera, nenhum exemplo o excita e nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento progressivo (...). Esse estranho e inexplicável estado do indígena americano, até o presente, tem feito fracassarem todas as tentativas para conciliá-lo inteiramente com a Europa vencedora e torná-lo um cidadão satisfeito e feliz.”
Carl Von Martius. O estado do direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982
Com base nessa descrição, conclui-se que o naturalista Von Martius

No princípio do século XVII, era bem insignificante e quase miserável a Vila de São Paulo. João de Laet davalhe 200 habitantes, entre portugueses e mestiços, em 100 casas; a Câmara, em 1606, informava que eram 190 os moradores, dos quais 65 andavam homiziados*.
*homiziados: escondidos da justiça Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1964
Na época da invasão holandesa, Olinda era a capital e a cidade mais rica de Pernambuco. Cerca de 10% da população, calculada em aproximadamente 2.000 pessoas, dedicavam-se ao comércio, com o qual muita gente fazia fortuna. Cronistas da época afirmavam que os habitantes ricos de Olinda viviam no maior luxo.
Hildegard Féist. Pequena história do Brasil holandês. São Paulo: Moderna, 1998 (com adaptações).
Os textos acima retratam, respectivamente, São Paulo e Olinda no início do século XVII, quando Olinda era maior e mais rica. São Paulo é, atualmente, a maior metrópole brasileira e uma das maiores do planeta. Essa mudança deveu-se, essencialmente, ao seguinte fator econômico:

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