Zuenir Ventura, em seu livro “Minhas memórias dos outros” (São Paulo: Planeta do Brasil, 2005), referindo-se ao fim da “Era Vargas” e ao suicídio do presidente em 1954, comenta: Quase como castigo do destino, dois anos depois eu iria trabalhar no jornal de Carlos Lacerda, o inimigo mortal de Vargas (e nunca esse adjetivo foi tão próprio). Diante daquele contexto histórico, muitos estudiosos acreditam que, com o suicídio, Getúlio Vargas atingiu não apenas a si mesmo, mas o coração de seus aliados e a mente de seus inimigos. A afirmação que aparece “entre parênteses” no comentário e uma conseqüência política que atingiu os inimigos de Vargas aparecem, respectivamente, em:
Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da
palavra “restaurante". Desde o final da Idade Média, a palavra restaurant designava caldos ricos, com carne de aves e de boi,
legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças
dos trabalhadores. Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos restaurateurs, que serviam
pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais
e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou
guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a
utilização da palavra restaurante com o sentido atual.
A mudança do significado da palavra restaurante ilustra
Constituição de 1824:
“Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao Imperador
(…) para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais
poderes políticos (...) dissolvendo a Câmara dos Deputados nos casos em que o exigir a salvação do Estado."
Frei Caneca:
“O Poder Moderador da nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote
mais forte da liberdade dos povos. Por ele, o imperador pode dissolver a Câmara dos Deputados, que é a
representante do povo, ficando sempre no gozo de seus direitos o Senado, que é o representante dos
apaniguados do imperador."
(Voto sobre o juramento do projeto de Constituição)
Para Frei Caneca, o Poder Moderador definido pela Constituição outorgada pelo Imperador em 1824 era
Os Jogos Olímpicos tiveram início na Grécia, em 776 a.C., para celebrar uma declaração de paz. Na sociedade contemporânea,
embora mantenham como ideal o congraçamento entre os povos, os Jogos Olímpicos têm sido palco de manifestações de
conflitos políticos. Dentre os acontecimentos apresentados abaixo, o único que evoca um conflito armado e sugere sua
superação, reafirmando o ideal olímpico, ocorreu
A seguir são apresentadas declarações de duas personalidades da História do Brasil a respeito da localização da
capital do país, respectivamente um século e uma década antes da proposta de construção de Brasília como novo
Distrito Federal.
Declaração I: José Bonifácio
Com a mudança da capital para o interior, fica a Corte livre de qualquer assalto de surpresa externa, e se
chama para as províncias centrais o excesso de população vadia das cidades marítimas. Desta Corte
central dever-se-ão logo abrir estradas para as diversas províncias e portos de mar.
(Carlos de Meira Matos. Geopolítica e modernidade: geopolítica brasileira.)
Declaração II: Eurico Gaspar Dutra
Na América do Sul, o Brasil possui uma grande área que se pode chamar também de Terra Central. Do
ponto de vista da geopolítica sul-americana, sob a qual devemos encarar a segurança do Estado brasileiro,
o que precisamos fazer quanto antes é realizar a ocupação da nossa Terra Central, mediante a
interiorização da Capital.
(Adaptado de José W. Vesentini. A Capital da geopolítica.)
Considerando o contexto histórico que envolve as duas declarações e comparando as idéias nelas contidas,
podemos dizer que
O texto abaixo é um trecho do discurso do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pronunciado quando da declaração
de guerra ao regime Talibã:
Essa atrocidade [o atentado de 11 de setembro, em Nova York] foi um ataque contra todos nós, contra pessoas
de todas e nenhuma religião. Sabemos que a Al-Qaeda ameaça a Europa, incluindo a Grã-Bretanha, e
qualquer nação que não compartilhe de seu fanatismo. Foi um ataque à vida e aos meios de vida. As empresas
aéreas, o turismo e outras indústrias foram afetadas e a confiança econômica sofreu, afetando empregos e
negócios britânicos. Nossa prosperidade e padrão de vida requerem uma resposta aos ataques terroristas.
(O Estado de S. Paulo, 8/10/2001)
Nesta declaração, destacaram-se principalmente os interesses de ordem
O mapa abaixo apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a bacia amazônica. Os pontos
assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado
de Tordesilhas revogado pelo Tratado de Madri, apenas em 1750

Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar
No dia 7 de outubro de 2001, Estados Unidos e Grã-Bretanha declararam guerra ao regime Talibã, no Afeganistão.
Leia trechos das declarações do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e de Osama Bin Laden, líder
muçulmano, nessa ocasião:
George Bush:
Um comandante-chefe envia os filhos e filhas dos Estados Unidos à batalha em território estrangeiro somente depois de tomar
o maior cuidado e depois de rezar muito. Pedimos-lhes que estejam preparados para o sacrifício das próprias vidas. A partir de
11 de setembro, uma geração inteira de jovens americanos teve uma nova percepção do valor da liberdade, do seu preço, do
seu dever e do seu sacrifício. Que Deus continue a abençoar os Estados Unidos.
Osama Bin Laden:
Deus abençoou um grupo de vanguarda de muçulmanos, a linha de frente do Islã, para destruir os Estados Unidos. Um
milhão de crianças foram mortas no Iraque, e para eles isso não é uma questão clara. Mas quando pouco mais de dez
foram mortos em Nairóbi e Dar-es-Salaam, o Afeganistão e o Iraque foram bombardeados e a hipocrisia ficou atrás da
cabeça dos infiéis internacionais. Digo a eles que esses acontecimentos dividiram o mundo em dois campos, o campo
dos fiéis e o campo dos infiéis. Que Deus nos proteja deles.
(Adaptados de O Estado de S. Paulo, 8/10/2001)
Pode-se afirmar que
Segundo Samuel Huntington (autor do livro, O choque das civilizações e a recomposição da ordem mundial), o
mundo está dividido em nove “civilizações" conforme o mapa abaixo.
Na opinião do autor, o ideal seria que cada civilização principal tivesse pelo menos um assento no Conselho de
Segurança das Nações Unidas.

Sabendo-se que apenas EUA, China, Rússia, França e Inglaterra são membros permanentes do Conselho de
Segurança, e analisando o mapa acima pode-se concluir que
Jean de Léry viveu na França na segunda metade do século XVI, época em que as chamadas guerras de religião
opuseram católicos e protestantes. No texto abaixo, ele relata o cerco da cidade de Sancerre por tropas católicas.
(…) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com maior freqüência, tornou-se necessário que
todos dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito de um lençol atado pelas suas
duas pontas e assim fiquei suspenso no ar, à maneira dos selvagens americanos (entre os quais eu estive
durante dez meses) o que foi imediatamente imitado por todos os nossos soldados, de tal maneira que a
caserna logo ficou cheia deles. Aqueles que dormiram assim puderam confirmar o quanto esta maneira é
apropriada tanto para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas (...).
Neste texto, Jean de Léry
A primeira imagem abaixo (publicada no século XVI) mostra um ritual antropofágico dos índios do Brasil. A segunda
mostra Tiradentes esquartejado por ordem dos representantes da Coroa portuguesa.

A comparação entre as reproduções possibilita as seguintes afirmações:
I. Os artistas registraram a antropofagia e o esquartejamento praticados no Brasil.
II. A antropofagia era parte do universo cultural indígena e o esquartejamento era uma forma de se fazer
justiça entre luso-brasileiros.
III. A comparação das imagens faz ver como é relativa a diferença entre “bárbaros" e “civilizados", indígenas e
europeus.
Está correto o que se afirma em:
1 - "(...) O recurso ao terror por parte de quem já detém o poder dentro do Estado não pode ser arrolado entre as formas
de terrorismo político, porque este se qualifica, ao contrário, como o instrumento ao qual recorrem determinados grupos para
derrubar um governo acusado de manter-se por meio do terror".
2 - Em outros casos " os terroristas combatem contra um Estado de que não fazem parte e não contra um governo (o
que faz com que sua ação seja conotada como uma forma de guerra), mesmo quando por sua vez não representam um outro
Estado. Sua ação aparece então como irregular, no sentido de que não podem organizar um exército e não conhecem limites
territoriais, já que não provêm de um Estado "
Dicionário de Política (org.) BOBBIO, N., MATTEUCCI, N. e PASQUINO, G., Brasília: Edunb,1986
De acordo com as duas afirmações, é possível comparar e distinguir os seguintes eventos históricos:
I. Os movimentos guerrilheiros e de libertação nacional realizados em alguns países da África e do sudeste asiático entre as
décadas de 1950 e 70 são exemplos do primeiro caso.
II. Os ataques ocorridos na década de 1990, como às embaixadas de Israel, em Buenos Aires, dos EUA, no Quênia e
Tanzânia, e ao World Trade Center em 2001, são exemplos do segundo caso.
III. Os movimentos de libertação nacional dos anos 50 a 70 na África e sudeste asiático, e o terrorismo dos anos 90 e 2001
foram ações contra um inimigo invasor e opressor, e são exemplos do primeiro caso.
É correto o que se afirma apenas em
Comer com as mãos era um hábito comum na Europa, no século XVI. A técnica empregada pelo índio no Brasil e por um português
de Portugal era, aliás, a mesma: apanhavam o alimento com três dedos da mão direita (polegar, indicador e médio) e
atiravam-no para dentro da boca.
Um viajante europeu de nome Freireyss, de passagem pelo Rio de Janeiro, já no século XIX, conta como "nas casas das roças
despejam-se simplesmente alguns pratos de farinha sobre a mesa ou num balainho, donde cada um se serve com os dedos,
arremessando, com um movimento rápido, a farinha na boca, sem que a mínima parcela caia para fora". Outros viajantes
oitocentistas, como John Luccock, Carl Seidler, Tollenare e Maria Graham descrevem esse hábito em todo o Brasil e entre todas as
classes sociais. Mas para Saint-Hilaire, os brasileiros"lançam a [farinha de mandioca] à boca com uma destreza adquirida, na origem,
dos indígenas, e que ao europeu muito custa imitar".
Aluísio de Azevedo, em seu romance Girândola de amores (1882), descreve com realismo os hábitos de uma senhora abastada que
só saboreava a moqueca de peixe "sem talher, à mão".
Dentre as palavras listadas abaixo, assinale a que traduz o elemento comum às descrições das práticas alimentares dos brasileiros
feitas pelos diferentes autores do século XIX citados no texto.
O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos
teólogos, por uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e
também por introduzir, no ensino, as idéias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu:
“Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um
único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se
construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se
fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas como um pássaro.
(...) Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios”
(apud. BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII, São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3).
Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-se afirmar que as idéias de Roger
Bacon
O texto abaixo reproduz parte de um diálogo entre dois personagens de um romance.
- Quer dizer que a Idade Média durou dez horas? – Perguntou Sofia.
- Se cada hora valer cem anos, então sua conta está certa. Podemos imaginar que Jesus
nasceu à meia-noite, que Paulo saiu em peregrinação missionária pouco antes da meianoite
e meia e morreu quinze minutos depois, em Roma. Até as três da manhã a fé cristã
foi mais ou menos proibida. (...) Até as dez horas as escolas dos mosteiros detiveram o
monopólio da educação. Entre dez e onze horas são fundadas as primeiras
universidades.
Adaptado de GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia, Romance da História da Filosofia. São Paulo: Cia das Letras, 1997
O ano de 476 d.C., época da queda do Império Romano do Ocidente, tem sido usado como
marco para o início da Idade Média. De acordo com a escala de tempo apresentada no
texto, que considera como ponto de partida o início da Era Cristã, pode-se afirmar que