A poesia que floresceu nos anos 70 do século XX é inquieta, anárquica, contestadora. A “poesia marginal", como
ficou conhecida, não se filia a nenhuma estética literária em particular, embora seja possível ver nela traços de algumas
vanguardas que a precederam, como no poema a seguir.
S.O.S
Chacal
(...) nós que não somos médicos psiquiatras
nem ao menos bons cristãos
nos dedicamos a salvar pessoas
que como nós
sofrem de um mal misterioso: o sufoco
CAMPEDELLI, Samira Y. Poesia Marginal dos Anos 70. São Paulo: Scipione, 1995 (adaptado).
Da leitura do poema e do texto crítico acima, infere–se que a poesia dos anos 70
A velha Totonha de quando em vez batia no engenho.
E era um acontecimento para a meninada... Que talento ela
possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável
de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente
na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras!
Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e
adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas
grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles
intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis!
O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela
punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino
era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e
florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam
muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era
um senhor de engenho de Pernambuco.
José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações).
Na construção da personagem “velha Totonha", é possível
identificar traços que revelam marcas do processo de
colonização e de civilização do país. Considerando o texto
acima, infere-se que a velha Totonha
Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de
Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu
interlocutor.
A partir do trecho de Vidas Secas (texto I) e das
informações do texto II, relativas às concepções artísticas
do romance social de 1930, avalie as seguintes
afirmativas.
I O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo
regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista
privilegiado do romance social de 30
II A incorporação do pobre e de outros marginalizados
indica a tendência da ficção brasileira da década de 30
de tentar superar a grande distância entre o intelectual e
as camadas populares.
III Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30
conseguiram, com suas obras, modificar a posição
social do sertanejo na realidade nacional.
É correto apenas o que se afirma em

A antítese que configura uma imagem da divisão social do
trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente
na oposição entre a doçura do branco açúcar e
No poema Procura da poesia, Carlos Drummond de
Andrade expressa a concepção estética de se fazer com
palavras o que o escultor Michelângelo fazia com
mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação.
(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo.
Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14
Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema
constante entre autores modernistas:

No poema de Bandeira, importante representante da
poesia modernista, destaca-se como característica da
escola literária dessa época
Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em
Depois de um bom jantar: feijão com carne-seca,
orelha de porco e couve com angu, arroz-mole
engordurado, carne de vento assada no espeto, torresmo
enxuto de toicinho da barriga, viradinho de milho verde e
um prato de caldo de couve, jantar encerrado por um prato
fundo de canjica com torrões de açúcar, Nhô Tomé
saboreou o café forte e se estendeu na rede. A mão direita
sob a cabeça, à guisa de travesseiro, o indefectível cigarro
de palha entre as pontas do indicador e do polegar,
envernizados pela fumaça, de unhas encanoadas e
longas, ficou-se de pança para o ar, modorrento, a olhar
para as ripas do telhado.
Quem come e não deita, a comida não aproveita,
pensava Nhô Tomé... E pôs-se a cochilar. A sua modorra
durou pouco; Tia Policena, ao passar pela sala, bradou
assombrada:
— Êêh! Sinhô! Vai drumi agora? Não! Num
presta... Dá pisadêra e póde morrê de ataque de cabeça!
Despois do armoço num far-má... mais despois da janta?!”
Cornélio Pires. Conversas ao pé do fogo. São Paulo:
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1987
Nesse trecho, extraído de texto publicado originalmente em
1921, o narrador

O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de
Andrade, caracteriza de forma marcante
Leia estes textos.

A tirinha e a canção apresentam uma reflexão sobre o futuro da humanidade. É correto concluir que os dois textos
Leia o texto e examine a ilustração:
Óbito do autor
(....) expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de
1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos,
rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui
acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não
houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia − peneirava − uma chuvinha
miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis
da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira
de minha cova: −"Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer
comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos
mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas
gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe
funéreo, tudo isto é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas
entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado." (....)

Compare o texto de Machado de Assis com a ilustração de Portinari. É correto afirmar que a ilustração do pintor
As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece
no seguinte poema:
“(....)
Que importa que uns falem mole descansado
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais?
Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Junto formamos este assombro de misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal! (....)"
(Mário de Andrade. Poesias completas. 6. ed. São Paulo: Martins Editora, 1980.)
O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito