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A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça

física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem,

conduziu

ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui,

para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado).

As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste

em garantir o(a)

Em 1935, o governo brasileiro começou a negar vistos a judeus. Posteriormente, durante o Estado Novo, uma circular secreta proibiu a concessão de vistos

a "pessoas de origem semita", inclusive turistas e negociantes, o que causou uma queda de 75% da imigração judaica ao longo daquele ano. Entretanto, mesmo

com as imposições da lei, muitos judeus continuaram entrando ilegalmente no país durante a guerra e as ameaças de deportação em massa nunca foram

concretizadas, apesar da extradição de alguns indivíduos por sua militância política.

GRIMBERG, K. Nova língua interior: 500 anos de história dos judeus no Brasil. In: IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000

(adaptado).

Uma razão para a adoção da política de imigração mencionada no texto foi o(a)

A sociologia ainda não ultrapassou a era das

construções e das síteses filósoficas. Em vez de

assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere buscar as brilhantes generalidades em que todas as questões são

levantadas sem que nenhuma seja expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de

uma realidade tão complexa. Sobretudo, generalizações às vezes tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de prova.

DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir uma sociologia com base na

Pesca industrial provoca destruição na África

O súbito desaparecimento do bacalhau dos grandes cardumes da Terra Nova, no final do século XX - o que ninguém havia previsto -, teve o efeito de um

eletrochoque planetário. Lançada pelos bascos no século XV, a pesca e depois a sobrepesca desse grande peixe de água fria levaram ao impensável. Ao Canadá o

bacalhau nunca mais voltou. E o que ocorreu no Atlântico Norte está acontecendo em outros mares. Os maiores navios do mundo seguem agora em direção ao sul,

até os limites da Antártida, para competir pelos estoques remanescentes.

MORA, J. S. Disponível em: www.diplomatique.com.br. Acesso em: 14 jan. 2014.

O problema exposto no texto jornalístico relaciona-se à

Participei de uma entrevista com o músico Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual.

A resposta dele surpreendeu a todos: "Não há diferença alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a

música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo". Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento

do país "moderno". Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o

mal, a música reflete seu próprio tempo.

BARCINSKI, A. Mudou a música ou mudaram os caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun. 2012 (adaptado).

A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro:


Nessa notícia, publicada no jornal argentino Página 12,

citam-se comentários de Estela Carlotto, presidente da

associação Abuelas de Plaza de Mayo, com relação a

uma decisão do tribunal argentino. No contexto da fala,

a expressão "una de cal y otra de arena" é utilizada para

Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações,

o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de

atribuir-lhe o significado, conseguir relacioná-lo a todos os

outros textos significativos para cada um, reconhecer

nele o tipo de leitura que o seu autor pretendia e, dono da

própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se

contra ela, propondo uma outra não prevista.

LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993

Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo

de produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem.

Essa função da linguagem torna-se evidente pelo fato de

o texto

Até que ponto replicar conteúdo é crime? “A internet

e a pirataria são inseparáveis", diz o diretor do instituto

de pesquisas americano Social Science Research

Council. “Há uma infraestrutura pequena para controlar

quem é o dono dos arquivos que circulam na rede. Isso

acabou com o controle sobre a propriedade e tem sido

descrito como pirataria, más é inerente à tecnologia",

afirma o diretor. O ato de distribuir cópias de um

trabalho sem a autorização dos seus produtores pode,

sim, ser considerado crime, mas nem sempre essa

distribuição gratuita lesa os donos dos direitos autorais.

Pelo contrário. Veja o caso do livro O alquimista, do

escritor Paulo Coelho. Após publicar, para download

gratuito, uma versão traduzida da obra em seu blog,

Coelho viu as vendas do livro em papel explodirem.

BARRETO, J.; MORAES, M. A internet existe sem pirataria?

Veja, n. 2 308, 13 fev. 2013 (adaptado).

De acordo com o texto, o impacto causado pela internet

propicia a

Soneto VII

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era;

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!

COSTA, C. M. Poemas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 jul. 2012

No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação

da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma

transparece uma

O senso comum é que só os seres humanos são

capazes de rir. Isso não é verdade?

Não. O riso básico — o da brincadeira, da diversão,

da expressão física do riso, do movimento da face e da

vocalização — nós compartilhamos com diversos animais.

Em ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas

— que nós não somos capazes de perceber — e que

eles emitem quando estão brincando de "rolar no chão".

Acontecendo de o cientista provocar um dano em um

local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa

vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o

outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia

dos animais é que não temos apenas esse mecanismo

básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o

senso de brincadeira, como nós, mas não têm senso de

humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não

é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos corticais

que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.

Disponível em: http://globonews.globo.com. Acesso em: 31 maio 2012 (adaptado).

A coesão textual é responsável por estabelecer relações

entre as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo

de o cientista provocar um dano em um local específico do cérebro",

verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte uma relação de

A partida de trem

Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou

o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de

Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da

filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-

vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía

a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma

boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas

que importa? Chega-se a um certo ponto — e o que foi

não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não

pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha

que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a

subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela

se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em

movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava

que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de

costas para o caminho.

Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:

— A senhora deseja trocar de lugar comigo?

Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza,

disse que não, obrigada, para ela dava no mesmo.

Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o

camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou

a mão pelo broche, Seca. Ofendida? Perguntou afinal a

Angela Pralini:

— É por causa de mim que a senhorita deseja trocar

de lugar?

LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 1980 (fragmento).

A descoberta de experiências emocionais com base

no cotidiano é recorrente na obra de Clarice Lispector.

No fragmento, o narrador enfatiza o(a)


Nesse texto, a combinação de elementos verbais e não

verbais configura-se como estratégia argumentativa para


A principal razão pela qual se infere que o espetáculo

retratado na fotografia é uma manifestação do teatro de

rua é o fato de


Nesse trecho, o que caracteriza Lições de motim como

texto teatral?

Você pode não acreditar

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em

que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado

de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.

A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo,

de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que

alguém pudesse roubar aquilo.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em

que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na

janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo

como uma coisa normal.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em

que você saía à noite para namorar e voltava andando

pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente,

sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para

trás, sem temer as sombras.

Você pode não acreditar: houve um tempo em que as

pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da

tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam

da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de

bonde às suas casas.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo

em que o namorado primeiro ficava andando com a

moça numa rua perto da casa dela, depois passava a

namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da

família. Era sinal de que já estava praticamente noivo

e seguro.

Houve um tempo em que havia tempo.

Houve um tempo.

SANT'ANNA, A. R. Estado de Minas, 5 maio 2013 (fragmento).

Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não

acreditar: mas houve um tempo em que..." configura-se

como uma estratégia argumentativa que visa

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