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Texto II
Redes sociais, perigos e 
distorção da realidade


   Os jovens de hoje são filhos de uma sociedade do consumo – não só de bens materiais, mas também 
de informação. Este mundo tecnológico em que vivemos promove constantemente mudanças no jeito 
humano de se relacionar, e as redes sociais são fruto desse movimento. As pessoas nascidas neste milênio, 
em especial, são muito íntimas dos espaços virtuais de interação, os quais, para a maioria das pessoas, 
representam uma ponte com o “mundo real”.
   As redes sociais, no entanto, potencializam os equívocos na compreensão do que é a vida. “Por terem 
facilidade em manusear os dispositivos e lidar com suas funcionalidades, os adolescentes, e até mesmo as 
crianças, passam a acreditar que o mundo das telas é o mundo legal e seguro, enquanto que o que está fora 
das telas é chato”, diz a especialista em Psicologia do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e 
Desenvolvimento (CIPP) do Grupo Positivo, Maísa Pannuti.
   Nesse sentido, para esses jovens, as redes sociais tornaram-se de fato uma nova realidade, caracterizada 
por uma sociedade de perfis. Conforme explica a psicóloga escolar, a hiperexposição é um dos retratos 
dessa distorção de percepções à qual os jovens estão submetidos: tudo o que é valorizado socialmente é 
exposto e aquilo que não é valorizado socialmente é escondido. Há, inclusive, uma falta de diferenciação 
entre o que é público e o que é privado.
   “Desse modo, surgem perfis que não correspondem à realidade. Afinal, a natureza das relações sociais é 
bastante diversa da natureza das relações que se estabelecem no mundo digital”. Nesse processo, todas 
as respostas virtuais – os likes, os compartilhamentos, os seguidores, etc. – acabam se tornando não apenas 
reais, mas cruciais. “Surge a ilusão de que o olhar do outro é o que garante a minha sobrevivência”, 
complementa.
   

   (Disponível em: https://g1.globo.com/pr/parana/especialpublicitario/colegio-positivo/para-um-futuropositivo/noticia/2021/11/18/redes-sociais-perigos-e-distorcao-darealidade.ghtml. Acesso em 11/10/2023

Na primeira frase do texto, o conectivo “mas também” relaciona ideias introduzindo um 
valor semântico de: 

O incendiador de caminhos


 Uma das intervenções a que sou chamado a participar em Moçambique destina-se a combater as chamadas “queimadas descontroladas”. Este combate parece ter todo o fundamento: trata-se de proteger ecossistemas e de conservar espaços úteis e produtivos.
 Contudo, eu receio que seja mais uma das ingratas batalhas sem hipótese de sucesso imediato. Na realidade, nós não entendemos a complexa ecologia do fogo na savana africana. Não entendemos as razões que são anteriores ao fogo. De qualquer modo, não param de me pedir para que fale com os camponeses sobre os malefícios dos incêndios rurais. Devo confessar que nunca fui capaz de cumprir essa incumbência.
 Na realidade, o que tenho feito é tentar descortinar algumas das razões que levam os camponeses a converter os capinzais em chamas. Sabe-se que a agricultura de corte e queimada é uma das principais razões para estas práticas incendiárias. Mas fala-se pouco de um outro culpado que é uma personagem a que chamarei de “homem visitador”. É sobre este “homem visitador” que irei falar neste breve depoimento.
 Na família rural de Moçambique, a divisão de tarefas sugere uma sociedade que faz pesar sobre a mulher a maior parte do trabalho. Os que adoram quantificar as relações sociais publicaram já gráficos e tabelas que demonstram profusamente que, enquanto o homem repousa, a mulher se ocupa o dia inteiro. Mas esse mesmo camponês faz outras coisas que escapam aos contabilistas sociais. Entre as ocupações invisíveis do homem rural sobressai a visitação. Essa atividade é central nas sociedades rurais de Moçambique.
 O homem passa meses do ano prestando visitas aos vizinhos e familiares distantes. As visitas parecem não ter um propósito prático e definido. Quando se pergunta a um desses visitantes qual a finalidade da sua viagem ele responde: “Só venho visitar”. Na realidade, prestar visitas é uma forma de prevenir conflitos e construir bons laços de harmonia que são vitais numa sociedade dispersa e sem mecanismos estatais que garantam estabilidade.
 Os visitadores gastam a maior parte do tempo em rituais de boas-vindas e de despedida. Abrir as portas de um sítio requer entendimentos com os antepassados que são os únicos verdadeiros “donos” de cada um dos lugares. Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis. À medida que progridem, vão ateando fogo ao capim. A não ser que seja em pleno Inverno, esse capim arde pouco. O fogo espalha-se e desfalece pelas imediações do atalho que os viajantes vão percorrendo. Esse incêndio tem serviços e vantagens diversas que se manifestam claramente no regresso: define um mapa de referências, afasta as cobras e os perigos de emboscadas, facilita o piso e torna o retorno mais fácil e seguro. [...]


(COUTO, Mia. E se Obama fosse africano?. São Paulo: Companhia das Letras. 2011)

O vocábulo “boas-vindas” (6º§) é um substantivo composto. Dentre os vocábulos compostos abaixo, indique o que apresenta a flexão de número correta:

Considere as classificações com foco na acentuação e assinale a alternativa correta.

(I) A primeira palavra é oxítona.

(II) A segunda palavra é paroxítona. (III) A terceira palavra é proparoxítona.

(IV) A quarta palavra é um monossílabo tônico.

No último quadrinho, o personagem diz “...mas antes, vamos acertar o pronome” porque o certo é:

Com relação a regência verbal, analise as afirmativas abaixo.

I. Somos todos muito devotos por Deus.
II. Chegamos para o local indicado no mapa.
III. O novo orçamento implicará um outro recibo.

Estão corretas as afirmativas:

Em relação ao uso da vírgula, assinale a alternativa correta.

O incendiador de caminhos


 Uma das intervenções a que sou chamado a participar em Moçambique destina-se a combater as chamadas “queimadas descontroladas”. Este combate parece ter todo o fundamento: trata-se de proteger ecossistemas e de conservar espaços úteis e produtivos.
 Contudo, eu receio que seja mais uma das ingratas batalhas sem hipótese de sucesso imediato. Na realidade, nós não entendemos a complexa ecologia do fogo na savana africana. Não entendemos as razões que são anteriores ao fogo. De qualquer modo, não param de me pedir para que fale com os camponeses sobre os malefícios dos incêndios rurais. Devo confessar que nunca fui capaz de cumprir essa incumbência.
 Na realidade, o que tenho feito é tentar descortinar algumas das razões que levam os camponeses a converter os capinzais em chamas. Sabe-se que a agricultura de corte e queimada é uma das principais razões para estas práticas incendiárias. Mas fala-se pouco de um outro culpado que é uma personagem a que chamarei de “homem visitador”. É sobre este “homem visitador” que irei falar neste breve depoimento.
 Na família rural de Moçambique, a divisão de tarefas sugere uma sociedade que faz pesar sobre a mulher a maior parte do trabalho. Os que adoram quantificar as relações sociais publicaram já gráficos e tabelas que demonstram profusamente que, enquanto o homem repousa, a mulher se ocupa o dia inteiro. Mas esse mesmo camponês faz outras coisas que escapam aos contabilistas sociais. Entre as ocupações invisíveis do homem rural sobressai a visitação. Essa atividade é central nas sociedades rurais de Moçambique.
 O homem passa meses do ano prestando visitas aos vizinhos e familiares distantes. As visitas parecem não ter um propósito prático e definido. Quando se pergunta a um desses visitantes qual a finalidade da sua viagem ele responde: “Só venho visitar”. Na realidade, prestar visitas é uma forma de prevenir conflitos e construir bons laços de harmonia que são vitais numa sociedade dispersa e sem mecanismos estatais que garantam estabilidade.
 Os visitadores gastam a maior parte do tempo em rituais de boas-vindas e de despedida. Abrir as portas de um sítio requer entendimentos com os antepassados que são os únicos verdadeiros “donos” de cada um dos lugares. Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis. À medida que progridem, vão ateando fogo ao capim. A não ser que seja em pleno Inverno, esse capim arde pouco. O fogo espalha-se e desfalece pelas imediações do atalho que os viajantes vão percorrendo. Esse incêndio tem serviços e vantagens diversas que se manifestam claramente no regresso: define um mapa de referências, afasta as cobras e os perigos de emboscadas, facilita o piso e torna o retorno mais fácil e seguro. [...]


(COUTO, Mia. E se Obama fosse africano?. São Paulo: Companhia das Letras. 2011)

A estrutura verbal destacada em “Sabe-se que a agricultura de corte e queimada” (3º§), manteria equivalência, em relação à voz passiva, com o uso de:

Leia o fragmento apresentado e o analise tendo como base as noções de sintaxe de colocação pronominal em sua classificação pela posição do pronome. Apenas relembrando: (1) Próclise ocorre quando o pronome antecede o verbo. (2) Mesóclise é quando o pronome se coloca no meio do verbo. (3) Ênclise se refere ao pronome colocado no final do verbo.

Fragmento: “(...) eu me incluo como leitor (...)”, assinale a alternativa correta quanto ao correto uso do pronome e de sua classificação.

A partir da área de Morfologia, analise a palavra em destaque no fragmento apresentado: “Senti-me bem de não a ter humilhado ou descontado a minha frustração nela.”, assinale a alternativa correta.

Administração é o processo ou atividade de tomar decisões sobre recursos e objetivos. O processo administrativo abrange cinco tipos
principais de decisões.

Assinale a alternativa correta quanto aos cinco tipos de decisões, também chamadas processos ou funções.

A negociação é um processo de planejamento, revisão e análise, usado por dois grupos opostos, procurando, mutuamente, um acordo
e compromissos aceitáveis. Os acordos são atingidos por meio de conferências, discussão e barganha; incluem todos os aspectos da
transação dos negócios e não apenas o preço. Quatro grandes objetivos são comuns a todas as negociações: obter um preço satisfatório e razoável; obter do fornecedor o cumprimento dos prazos e condições contratuais; convencer o fornecedor a dar a máxima cooperação e
desenvolver uma saudável e continuada relação amistosa com os fornecedores competentes. Analise as afirmativas a seguir.

I. Atécnica da negociação pode ser usada sozinha ou em conjunto. A primeira, para determinar os termos de um contrato, objetiva conseguir um preço satisfatório e razoável. A segunda é empregada com a proposta competitiva.

II. A inabilidade de estabelecer um cronograma de entrega é provavelmente uma falha experimentada mais frequentemente pelos compradores.

III. O melhor meio de obter a cooperação do fornecedor é acenar com a recompensa esperada: o contrato de fornecimento de mercadoria, caso sua contribuição seja efetivamente aproveitada.

IV. O comprador, quando negocia com os fornecedores, deve reconhecer claramente que as ações de hoje são apenas parte de um relacionamento momentâneo.

Assinale a alternativa correta.

Hora de investir


Ultimamente, a maioria dos bancos e corretoras têm disponibilizado uma gama de investimentos aos seus clientes. As letras de crédito imobiliário e do agronegócio conquistaram uma fatia considerável do mercado de investidores. Talvez, você não reconheça os nomes, mas com toda a certeza, já ouviu as siglas: LCI e LCA.


Além da possibilidade de diversificar as suas carteiras de investimentos, as letras de crédito oferecem um grande diferencial dentre as outras aplicações, um benefício fiscal importante, a isenção de Imposto de Renda.


Tanto a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) quanto a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são investimentos em renda fixa, elas costumam assegurar retornos superiores aos da poupança. Ambas são muito semelhantes aos CDBs emitidos pelos bancos, importa lembrar que quem compra esses papéis “empresta” dinheiro para uma instituição financeira.


Ao contratar letras de crédito imobiliário, você empresta recursos ao setor imobiliário, já ao aplicar em letras de crédito do agronegócio, você disponibiliza recursos para produtores rurais e/ou cooperativas.


Importa ressaltar que, embora as letras de crédito rendam mais que a poupança, existe um prazo de carência, ou seja, você não poderá movimentar nem quantia aplicada e nem o rendimento. Portanto, antes de investir verifique o prazo de contratação e rendimentos, caso seja necessário, contrate uma consultoria especializada.


(Texto baseado de: https://www.infomoney.com.br/guias/lci-lca/ acesso em 08/dez/2022. Texto desenvolvido especificamente para este concurso).

No que se refere à compreensão e à interpretação do texto, identifique, dentre as alternativas a seguir, a afirmativa que não está em concordância com as informações apresentadas.

Atente aos vocábulos retirados do texto, tendo como foco a ACENTUAÇÃO, leia as quatro afirmativas a seguir e assinale a ÚNICA alternativa em que que TODAS as quatro palavras seguem SEQUENCIALMENTE as classificações fornecidas.

(I) A primeira palavra é oxítona.

(II) A segunda palavra é paroxítona.

(III) A terceira palavra é proparoxítona.

(IV) A quarta palavra é um monossílabo tônico.

Texto
Automóvel: Sociedade Anônima
(Paulo Mendes Campos)

   Se você quiser, compre um carro; é um conforto admirável. Mas não o faça sem conhecimento de causa, a fim de evitar desilusões futuras. Saiba que está praticando um gesto essencialmente econômico; não para a sua economia, mas para a economia coletiva. Isso quer dizer que, do ponto de vista comunitário, o automóvel que você adquire não é um ponto de chegada, uma conquista final em sua vida, mas, pelo contrário, um ponto de partida para os outros. Desde que o compre, o carro passa a interessar aos outros, muito mais que a você mesmo. 
   Com o carro, você está ampliando seriamente a economia de milhares de pessoas. É uma espécie de indústria às avessas, na qual você monta um engenho não para obter lucros, mas para distribuir seu dinheiro para toda classe de pessoas: industriais europeus, biliardários do Texas, empresários brasileiros, comerciantes, operários especializados, proletários, vagabundos, etc. 
   Já na compra do carro, você contribui para uma infinidade de setores produtivos, que podemos encolher ao máximo nos seguintes itens: a indústria automobilística propriamente dita, localizada no Brasil, mas sem qualquer inibição no que toca à remessa de lucros para o exterior; os vendedores de automóveis; a siderurgia; a petroquímica; as fábricas de pneus e as de artefatos de borracha; as fábricas de plásticos, couros, tintas, etc.; as fábricas de rolamentos e outras autopeças; as fábricas de relógios, rádios, etc.; as indústrias de petróleo [...]
   Você já pode ir vendo a gravidade do seu gesto: ao comprar um carro, você entrou na órbita de toda essa gente, até ontem, você estava fora do alcance deles; hoje, seu transporte passou a ser, do ponto de vista econômico, simplesmente transcendental. Você é um homem economicamente importante – para os outros. Seu automóvel é de fato uma sociedade anônima, da qual todos lucram, menos você. 
   Mas não fica só nisso; você estará ainda girando numa constelação menor, miúda mas nada desprezível: a dos recauchutadores, eletricistas, garagistas, lavadores, olheiros, guardas de trânsito, mecânicos de esquina. Você pode ainda querer um motorista ou participar de alguma das várias modalidades de seguros para automóveis. Em outros termos, você continua entrando pelo cano. No fim deste, há ainda uma outra classe: a dos ladrões, seja organizada em sindicatos, seja a espécie de francopuxadores. [...]

Em “É uma espécie de indústria às avessas” (2º§), a expressão destacada é marcada pelo acento indicativo de crase. Assinale a opção em que se ERRA no emprego do acento grave. 

Segundo o Código de Processo Penal Militar, assinale a alternativa correta. 

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