Ora, uma história não é narrada sob a pressão esquizofrênica de ser ou a pura facticidade das informações das fontes, de um lado, ou a imaginação ficcional de seu caráter histórico. Sua facticidade própria, muito mais real do que a facticidade dos dados das fontes, encontra-se na forma em que o passado se torna um elemento influente na vida humana prática no presente.
Jörn Rüsen. História viva. Teoria da História III: formas e funções
do conhecimento histórico. Brasília: EdUnB, 2007, p. 33 (com adaptações).
Considerando esse fragmento de texto, julgue o item subsequente, com referência a aspectos teórico-metodológicos dos estudos em história.
A ênfase analítica no caráter construtivo e nos aspectos ficcionais do conhecimento histórico raramente tem sido combinada com apologias à tolerância de mentiras e falsificações documentais.
Como o objeto da história (entendida como um constructo teórico) é o que aconteceu, abstraído tanto do presente quanto do futuro, então o tempo torna-se um dos elementos determinantes do conceito de história. Parece-me, no entanto, que nem a relação que o tempo mantém com outros elementos nem o sentido específico do seu efeito na história foram identificados até hoje com a clareza desejável, tampouco com a clareza possível.
Georg Simmel.
O problema do tempo histórico [1916]. In: Simmel. Ensaios
sobre teoria da história
. Rio de Janeiro: Contraponto, 2011, p. 9 (com adaptações).
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue o item seguinte, relativo à relação entre tempo e história.
O conceito de regimes de historicidade foi cunhado e mobilizado pelo filósofo e historiador francês Michel Foucault, para o estudo de formas modernas de interação entre sociedade e tempo.
Acerca de diferentes abordagens historiográficas contemporâneas, julgue o item que se segue.
Os primeiros praticantes da micro-história tinham o propósito metodológico de operacionalizar uma abordagem qualitativa de culturas e experiências ligadas a classes sociais subalternas.
Não se pode coligir provas antes de se começar a pensar [...]. Isto porque pensar significa fazer perguntas, e nada constitui prova a não ser em relação a uma pergunta definida.
Robin Collingwood. A ideia de história. Lisboa: Presença, 1994, p. 346 (com adaptações).
Tendo o fragmento de texto precedente como referência inicial, julgue o próximo item, a respeito da problemática das fontes no ofício do historiador.
A despeito de terem promovido significativas inovações metodológicas e fomentado a interdisciplinaridade na pesquisa histórica, historiadores ligados à primeira fase da tradição dos Analles, como Marc Bloch e Lucien Febvre, evitaram romper com a compreensão tradicional de que a história deve ser escrita apenas com base em documentos autênticos.
A respeito de história e memória social, julgue o item a seguir.
Diferentemente da memória individual, o patrimônio histórico, material ou imaterial, não incorpora sentimentos ou visões socialmente construídos.
Julgue o item seguinte, referente a narrativas patrimoniais e representações.
O conceito de patrimônio, inicialmente restrito, ampliou-se ao longo do tempo e passou a contemplar uma variedade de expressões culturais, como patrimônio histórico, material, imaterial e artístico.
Quanto à preservação do patrimônio cultural no Brasil, julgue o próximo item.
A preocupação com a preservação do patrimônio histórico e cultural no Brasil teve o seu impulso oficial na década de 1930, durante o governo do presidente Getúlio Vargas.
Com relação a patrimônio cultural e cidadania, julgue o item seguinte.
No campo do patrimônio material, há uma relação mais próxima entre o patrimônio cultural e o exercício da cidadania que no campo do patrimônio imaterial.
Considerando as figuras apresentadas, julgue o item seguinte, acerca da diversidade de atores sociais que formaram a sociedade brasileira.
Nas figuras apresentadas, os personagens do capoeira e do índio estão representados de forma fidedigna, sem recurso a marcas ou estereótipos raciais.
Considerando as figuras apresentadas, julgue o item seguinte, acerca da diversidade de atores sociais que formaram a sociedade brasileira.
A representação do índio na segunda figura demonstra a incapacidade de agência e de ação política dos indígenas em meio ao processo de extermínio e espoliação que sofreram no decorrer do século XIX, o que é confirmado pela historiografia recente.
"O império do Brasil é associação política de todos os cidadãos brasileiros. Eles formam uma nação livre, e independente, que não admite com qualquer outra laço algum de união ou federação que se oponha à sua independência."
Constituição de 1824, título I, art. 1.º.
A partir do fragmento de texto precedente, julgue o próximo item, a respeito da formação da nação brasileira.
Ao longo do período imperial, não houve nenhuma lei que regulamentasse a propriedade fundiária no Brasil, apesar de o país ser, à época, essencialmente agrário.
Julgue o item subsecutivo, referente à historiografia do século XIX.
A historiografia indica que a Lei do Ventre Livre teve baixo impacto e pouca relevância na história da escravidão no Brasil império.
No que se refere à produção acadêmica e a renovações teórico-metodológicas na área da historiografia brasileira, julgue o item a seguir.
Assim como outros países, o Brasil tem utilizado recursos informáticos como ferramenta para produção do conhecimento histórico; exemplo disso são os projetos que criam metodologias novas com o uso de tecnologia de georreferenciamento e de bancos de dados.
No que se refere à produção acadêmica e a renovações teórico-metodológicas na área da historiografia brasileira, julgue o item a seguir.
Um campo de pesquisa relativamente novo no Brasil é o dos estudos sobre a pós-abolição, que se dedicam a investigar formas de exclusão social da população negra e mestiça após o fim da escravidão e a abordar os sentidos sociais e políticos da memória da escravidão.
Com base nas disposições da Lei n.º 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional — LDB), julgue o item que se segue.
A educação superior tem por finalidade promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade, assim como comunicar o saber por meio do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação.