Agora eu era herói
E o meu cavalo só falava inglês.
A noiva do cowboy
Era você, além das outras três.
Eu enfrentava os batalhões,
Os alemães e seus canhões.
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês.
CHICO BUARQUE. João e Maria, 1977 (fragmento).
Nos terceiro e oitavo versos da letra da canção, constatase
que o emprego das palavras cowboy e rock expressa a
influência de outra realidade cultural na língua portuguesa.
Essas palavras constituem evidências de
Devemos dar apoio emocional específico, trabalhando
o sentimento de culpa que as mães têm de infectar o filho.
O principal problema que vivenciamos é quanto ao
aleitamento materno. Além do sentimento muito forte
manifestado pelas gestantes de amamentar seus filhos,
existem as cobranças da família, que exige explicações
pela recusa em amamentar, sem falar nas companheiras
na maternidade que estão amamentando. Esses conflitos
constituem nosso maior desafio. Assim, criamos a técnica
de mamadeirar. O que é isso? É substituir o seio materno
por amor, oferecendo a mamadeira, e não o peito!
PADOIN, S. M. M. et al. (Org.) Experiências interdisciplinares em Aids:
interfaces de uma epidemia. Santa Maria: UFSM, 2006 (adaptado).
O texto é o relato de uma enfermeira no cuidado de
gestantes e mães soropositivas. Nesse relato, em meio ao
drama de mães que não devem amamentar seus recémnascidos,
observa–se um recurso da língua portuguesa,
presente no uso da palavra “mamadeirar", que consiste
Reclame
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
Chacal é um dos representantes da geração poética de
1970 A produção literária dessa geração, considerada
marginal e engajada, de que é representativo o poema
apresentado, valoriza
Texto para as questões 116 e 117

Predomina no texto a função da linguagem
Sorriso interior
O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo esse brasão augusto
Do grande amor, da nobre fé tranquila.
Os abismos carnais da triste argila
Ele os vence sem ânsias e sem custo...
Fica sereno, num sorriso justo,
Enquanto tudo em derredor oscila.
Ondas interiores de grandeza
Dão–lhe essa glória em frente à Natureza,
Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.
O ser que é ser transforma tudo em flores...
E para ironizar as próprias dores
Canta por entre as águas do Dilúvio!
CRUZ e SOUZA, João da. Sorriso interior. Últimos sonetos. Rio de Janeiro:
UFSC/Fundação Casa de Rui Barbosa/FCC, 1984.
O poema representa a estética do Simbolismo, nascido
como uma reação ao Parnasianismo por volta de 1885. O
Simbolismo tem como característica, entre outras, a visão
do poeta inspirado e capaz de mostrar à humanidade, pela
poesia, o que esta não percebe.
O trecho do poema de Cruz e Souza que melhor
exemplifica o fazer poético, de acordo com as
características dos simbolistas, é:
Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta continua importunação de senhores e de escravos, que não a deixam sossegar um só momento! Como não devia viver aflito e atribulado aquele coração! Dentro de casa contava ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado em roubar-Ihe a paz da alma, e torturar-Ihe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e Andre, e uma emula terrível e desapiedada, Rosa. Fácil -lhe fora repelir as importunações e insolências dos escravos e criados; mas que seria dela, quando viesse o senhor?!...
GUIMARAES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Atica, 1995 (adaptado).
A personagem Isaura, como afirma o titulo do romance, era uma escrava. No trecho apresentado, os sofrimentos por que passa a protagonista
" Narizinho correu os olhos pela assistência. Não podia haver nada mais curioso. Besourinhos de fraque e flores na lapela
conversavam com baratinhas de mantilha e miosótis nos cabelos. Abelhas douradas, verdes e azuis, falavam mal das vespas de
cintura fina - achando que era exagero usarem coletes tão apertados. Sardinhas aos centos criticavam os cuidados excessivos que
as borboletas de toucados de gaze tinham com o pó das suas asas. Mamangavas de ferrões amarrados para não morderem. E
canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e
não morde, pequeninando e não mordendo."
LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1947
No último período do trecho, há uma série de verbos no gerúndio que contribuem para caracterizar o ambiente fantástico descrito.
Expressões como "camaronando", "caranguejando" e "pequeninando e não mordendo" criam, principalmente, efeitos de