Evocação do Recife A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós O que fazemos
É macaquear A sintaxe lusíada...
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007
Segundo o poema de Manuel Bandeira, as variações linguísticas originárias das classes populares devem ser
Entrevista — Tony Bellotto
A língua é rock
Guitarrista do Titãs e escritor completa dez anos à frente de programa televisivo em que discute a língua portuguesa por meio da música
O que o atraiu na proposta de Afinando a Língua?
No começo, em 1999, a ideia era fazer um programa que falasse de língua portuguesa usando a música como atrativo, principalmente, para os jovens. Com o passar do tempo, ele foi se transformando num programa sobre a linguagem usada em letras de música, no jornalismo, na literatura de ficção e na poesia. Como não sou um cara de TV, trago a experiência de escritor e músico, e sempre participo de forma mais ativa do que como um mero apresentador. Estou nas reuniões de pauta e faço sugestões nos roteiros. Mas o conteúdo é feito pelo pessoal do Futura.
Quais as vantagens e desvantagens do ensino da língua por meio das letras de música? Não sou pedagogo ou educador, então só vejo vantagens, porque as letras de música usam uma linguagem que é a do dia a dia, principalmente, dos jovens. A música é algo que lhes dá prazer e, didaticamente, pode fazer as vezes de algo que o aluno tem a noção de ser entediante — estudo da língua, sentar e abrir um livro. Ao ouvir uma música, os exemplos surgem. É a grande vantagem e sempre foi a ideia do programa.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 8 ago. 2012 (fragmento).
Os gêneros textuais são definidos por meio de sua estrutura, função e contexto de uso. Tomando por base a estrutura dessa entrevista, observa-se que

Na tirinha, o autor utiliza estratégias para atingir sua finalidade comunicativa. Considerando os elementos verbais e não verbais que constituem o texto, seu objetivo é
A escrita é uma tecnologia intelectual que vem auxiliar o trabalho biológico. É como uma nova memória, situada fora do sujeito, e ilimitada. Com ela não é mais necessário reter todos os relatos – este auxiliar cognitivo vem, portanto, relativizar a memória para que a mente humana possa desviar sua atenção consciente para outros recursos e faculdades.
Se é arriscado associar diretamente o surgimento da ciência ao da escrita, podemos, de qualquer forma, afirmar que a escrita deu impulso e desempenhou um papel fundamental na construção do discurso científico. O distanciamento possibilitado pela grafia no papel traz o registro das experiências e das hipóteses, o conhecimento especulativo, o documentário de comprovações, a compilação de teorias e de paradigmas em torno dos quais as comunidades científicas vão se agrupar. RAMAL, A. C. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002
O advento da escrita como tecnologia intelectual está diretamente ligado a uma série de mudanças na forma de pensar e de construir o conhecimento nas sociedades. A partir do texto, constata-se que, na elaboração do discurso científico, a escrita
Contam, numa anedota, que certo dia Rui Barbosa saiu às ruas da cidade e se assustou com a quantidade de erros existentes nas placas das casas comerciais e que, diante disso, resolveu instituir um prêmio em dinheiro para o comerciante que tivesse o nome de seu estabelecimento grafado corretamente. Dias depois, Rui Barbosa saiu à procura do vencedor. Satisfeito, encontrou a placa vencedora: "Alfaiataria Águia de Ouro". No momento da entrega do prêmio, ao dizer o nome da alfaiataria, Rui Barbosa foi interrompido pelo alfaiate premiado, que disse:
— Sr. Rui, não é "águia de ouro"; é "aguia de ouro"! O caráter político do ensino de língua portuguesa no Brasil.
Disponível em: http://rosabe.sites.uol.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012
A variação linguística afeta o processo de produção dos sentidos no texto. No relato envolvendo Rui Barbosa, o emprego das marcas de variação objetiva

O anúncio publicitário Garoto propaganda e o poema Eu etiqueta, embora pertençam a gêneros textuais diferentes, abordam a mesma temática, com vistas a

A charge é um gênero textual que tem por finalidade satirizar ou criticar, por meio de uma caricatura, algum fato atual. Assumindo um posicionamento crítico, essa charge retrata

Os dois textos apresentam pontos de vista críticos sobre os usos sociais que são feitos dos sistemas de comunicação e informação. Em ambos, problematiza-se a
É possível ter cãibras no coração? É impossível ter cãibras no coração, apesar de ser comum pacientes se queixarem de dores semelhantes a uma contratura no órgão. A musculatura cardíaca é diferente da musculatura esquelética das pernas e braços, onde sentimos as cãibras. Isso porque o coração possui um tipo especial de fibra muscular estriada, que tem movimento involuntário. O órgão contrai e relaxa automaticamente. Não há registro de casos em que ele permaneça contraído sem relaxamento imediato, que é como a cãibra se apresenta.
Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 30 jun. 2012 (fragmento).
Os conectivos são elementos fundamentais para a ligação de palavras e orações no texto. Contextualmente, o conectivo "apesar de" (L 1) expressa
José tinha um verso do poeta morto tatuado na barriga, logo abaixo do umbigo. Um dia, a família viva do poeta morto viu José refestelando-se na areia da praia, com o tal verso bem à vista, logo acima da sunga amarela. Horrorizada com o acinte, a família o processou. Era um inequívoco oferecimento da obra ao conhecimento público — e num local de frequência coletiva. A família ganhou a causa e a tatuagem, que hoje está emoldurada na grande sala de estar, logo acima do sofá vermelho.
STIGGER, V. Disponível em: http://culturaebarbarie.org. Acesso em: 28 jul. 2012
No texto, o verso tatuado no corpo de José é reinvindicado pelos herdeiros do poeta, que não aceitam sua exposição pública.
Nesse sentido, o texto tem como objetivo

Dois ciclistas profissionais chocaram–se em um parque
público e culparam a ineficiência da sinalização local,
uma vez que ambos leram e respeitaram a placa dirigida
a esse tipo de esportista.
Os fatos relatados e a leitura da referida placa revelam que
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria
esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque o velho
militar não tirava os olhos de vós; ora, conversando com
o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria esperar um
instante no jardim...
MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: www.dominiopublico.com.br.
Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento).
O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim
Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, há um
diálogo entre dois personagens. A fala transcrita revela
um falante que utiliza uma linguagem
A aptidão física, em termos gerais, pode ser definida
como a capacidade que um indivíduo possui para realizar
atividades físicas. Ter uma boa amplitude nos movimentos
das diversas partes corporais é um dos componentes da
aptidão física relacionada à saúde, pois permite maior
disposição para atividades da vida diária, como, por
exemplo, maior facilidade para alcançar os próprios pés.
NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um
estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf, 2006 (adaptado).
O componente da aptidão física destacado no texto é

As propagandas fazem uso de diferentes recursos para garantir o efeito apelativo, isto é, o convencimento do público
em relação ao que apresentam. O cartaz da campanha promovida pelo Ministério da Saúde utiliza vários recursos,
verbais e não verbais, como estratégia persuasiva, dentre os quais se destaca
TEXTO I
Eles se beijavam no elevador, nos corredores do
prédio. Se amavam tanto, que o vizinho solteirão da
esquerda guardava por eles uma vermelha inveja. Uma
tarde, sem que ninguém soubesse por que, eles se
enforcaram no banheiro. Houve muito tumulto, carros da
polícia parados em frente ao edifício, as equipes de TV.
O sol caía sobre as marquises e a cabeça dos curiosos
na rua. Um senhor dizia para uma mulher passando ali:
— Eles se suicidaram.
Uma comerciária acrescentava:
— Dizem que eles se gostavam muito.
— Que coisa!
Enquanto isso, o solteirão, na janela do seu
apartamento, vendo todos lá embaixo, mordia com sabor
a carne acesa de uma enorme goiaba.
FERNANDES, R. O caçador. João Pessoa: UFPB, 1997 (fragmento).
TEXTO II
Invejoso
O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente
E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou ao chão
[...]
Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá o caroço
Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
Mas acabou no fundo desse poço...
ANTUNES, A. Iê Iê Iê. São Paulo: Rosa Celeste, 2009 (fragmento).
O conto e a letra de canção abordam o mesmo tema,
a inveja. Embora empreguem recursos linguísticos
diferentes, ambos lançam mão de um mecanismo em
comum, que consiste em