A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB3A1BBB, julgue
os itens que se seguem.
O sentido original e a correção gramatical do texto seriam
preservados caso o primeiro período fosse reescrito da seguinte
maneira: A concepção do europeu acerca da mulher brasileira
é demasiado falsa.
Um processo direcional na vida
Quer falemos de uma flor ou de um carvalho, de uma minhoca ou de um belo pássaro, de uma maçã ou de uma
pessoa, creio que estaremos certos ao reconhecermos que a vida é um processo ativo, e não passivo. Pouco importa
que o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco importa que o ambiente seja favorável ou desfavorável. Em qualquer
uma dessas condições, os comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu crescimento
e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo a que chamamos vida. Esta tendência está em ação em todas
as ocasiões. Na verdade, somente a presença ou ausência desse processo direcional total permite-nos dizer se um dado
organismo está vivo ou morto.
A tendência realizadora pode, evidentemente, ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser destruída sem que
se destrua também o organismo. Lembro-me de um episódio da minha meninice, que ilustra essa tendência. A caixa em
que armazenávamos nosso suprimento de batatas para o inverno era guardada no porão, vários pés abaixo de uma
pequena janela. As condições eram desfavoráveis, mas as batatas começavam a germinar – eram brotos pálidos e
brancos, tão diferentes dos rebentos verdes e sadios que as batatas produziam quando plantadas na terra, durante a
primavera. Mas esses brotos tristes e esguios cresceram dois ou três pés em busca da luz distante da janela. Em seu
crescimento bizarro e vão, esses brotos eram uma expressão desesperada da tendência direcional de que estou falando.
Nunca seriam plantas, nunca amadureceriam, nunca realizariam seu verdadeiro potencial. Mas sob as mais adversas
circunstâncias, estavam tentando ser uma planta.
A vida não entregaria os pontos, mesmo que não pudesse florescer. Ao lidar com clientes cujas vidas foram
terrivelmente desvirtuadas, ao trabalhar com homens e mulheres nas salas de fundo dos hospitais do Estado, sempre
penso nesses brotos de batatas. As condições em que se desenvolveram essas pessoas têm sido tão desfavoráveis que
suas vidas quase sempre parecem anormais, distorcidas, pouco humanas. E, no entanto, pode-se confiar que a
tendência realizadora está presente nessas pessoas. A chave para entender seu comportamento é a luta em que se
empenham para crescer e ser, utilizando-se dos recursos que acreditam ser os disponíveis. Para as pessoas saudáveis, os
resultados podem parecer bizarros e inúteis, mas são uma tentativa desesperada da vida para existir. Esta tendência
construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa.
(Carl Rogers. Um jeito de ser. São Paulo: E.P.U., 1983.)
Acerca da estratégia utilizada para expor as ideias no primeiro período do texto, pode-se afirmar que
Um processo direcional na vida
Quer falemos de uma flor ou de um carvalho, de uma minhoca ou de um belo pássaro, de uma maçã ou de uma
pessoa, creio que estaremos certos ao reconhecermos que a vida é um processo ativo, e não passivo. Pouco importa
que o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco importa que o ambiente seja favorável ou desfavorável. Em qualquer
uma dessas condições, os comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu crescimento
e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo a que chamamos vida. Esta tendência está em ação em todas
as ocasiões. Na verdade, somente a presença ou ausência desse processo direcional total permite-nos dizer se um dado
organismo está vivo ou morto.
A tendência realizadora pode, evidentemente, ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser destruída sem que
se destrua também o organismo. Lembro-me de um episódio da minha meninice, que ilustra essa tendência. A caixa em
que armazenávamos nosso suprimento de batatas para o inverno era guardada no porão, vários pés abaixo de uma
pequena janela. As condições eram desfavoráveis, mas as batatas começavam a germinar – eram brotos pálidos e
brancos, tão diferentes dos rebentos verdes e sadios que as batatas produziam quando plantadas na terra, durante a
primavera. Mas esses brotos tristes e esguios cresceram dois ou três pés em busca da luz distante da janela. Em seu
crescimento bizarro e vão, esses brotos eram uma expressão desesperada da tendência direcional de que estou falando.
Nunca seriam plantas, nunca amadureceriam, nunca realizariam seu verdadeiro potencial. Mas sob as mais adversas
circunstâncias, estavam tentando ser uma planta.
A vida não entregaria os pontos, mesmo que não pudesse florescer. Ao lidar com clientes cujas vidas foram
terrivelmente desvirtuadas, ao trabalhar com homens e mulheres nas salas de fundo dos hospitais do Estado, sempre
penso nesses brotos de batatas. As condições em que se desenvolveram essas pessoas têm sido tão desfavoráveis que
suas vidas quase sempre parecem anormais, distorcidas, pouco humanas. E, no entanto, pode-se confiar que a
tendência realizadora está presente nessas pessoas. A chave para entender seu comportamento é a luta em que se
empenham para crescer e ser, utilizando-se dos recursos que acreditam ser os disponíveis. Para as pessoas saudáveis, os
resultados podem parecer bizarros e inúteis, mas são uma tentativa desesperada da vida para existir. Esta tendência
construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa.
(Carl Rogers. Um jeito de ser. São Paulo: E.P.U., 1983.)
Considerando-se as relações sintáticas estabelecidas nas orações que compõem o período “Ao lidar com clientes cujas vidas foram terrivelmente desvirtuadas, ao trabalhar com homens e mulheres nas salas de fundo dos hospitais do Estado, sempre penso nesses brotos de batatas.” (3º§), é correto afirmar que
A regência verbal pode variar ainda que se trate de um mesmo verbo. Tal fato ocorre vinculado a uma diversidade de significados que o mesmo pode conter e apresentar de acordo com o contexto em que está sendo empregado. Em “Aprendi a ler antes dos cinco anos.”, a regência do verbo em destaque tem por justificativa
Considerando o conteúdo apresentado para a pergunta “É possível formar bons leitores em sala de aula?” estaria coerente a resposta apresentada de forma sintetizada a seguir:
Ao afirmar que “cada leitor é coautor” (4°§), com a palavra em destaque o autor sugere que o leitor é:
A charge emprega duas situações distintas e, nas falas, faz uso de um paralelismo de construções. A distinção, nessas falas, é marcada pelo emprego de duas palavras que, contextualmente, são:
A AIDS na adolescência
A adolescência é um período da vida caracterizado por intenso crescimento e desenvolvimento, que se manifesta
por transformações físicas, psicológicas e sociais. Ela representa um período de crise, na qual o adolescente tenta se
integrar a uma sociedade que também está passando por intensas modificações e que exige muito dele. Dessa forma, o
jovem se vê frente a um enorme leque de possibilidades e opções e, por sua vez, quer explorar e experimentar tudo a
sua volta. Algumas dessas transformações e dificuldades que a juventude enfrenta, principalmente relacionadas à
sexualidade, bem como ao abuso de drogas ilícitas, aumentam as chances dos adolescentes de adquirirem a infecção
por HIV, fazendo-se necessária a realização de programas de prevenção e controle da AIDS na adolescência.
Estudos de vários países têm demonstrado a crescente ocorrência de AIDS entre os adolescentes, sendo que,
atualmente, as taxas de novas infecções são maiores entre a população jovem. Quase metade dos novos casos de AIDS
ocorre entre os jovens com idade entre 15 e 24 anos. Considerando que a maioria dos doentes está na faixa dos 20
anos, conclui-se que a grande parte das infecções aconteceu no período da adolescência, uma vez que a doença pode
ficar por longo tempo assintomática.
Existem algumas características comportamentais, socioeconômicas e biológicas que fazem com que os jovens
sejam um grupo propenso à infecção pelo HIV. Dentre as características comportamentais, destaca-se a sexualidade
entre os adolescentes. Muitas vezes, a não utilização dos preservativos está relacionada ao abuso de álcool e outras
drogas, os quais favorecem a prática do sexo inseguro. Outras vezes os jovens não usam o preservativo quando em
relacionamentos estáveis, justificando que seu uso pode gerar desconfiança em relação à fidelidade do casal, apesar de
que, no mundo, hoje, o uso de preservativo nas relações poderia significar uma prova de amor e proteção para com o
outro. Observa-se, também, que muitas jovens abrem mão do preservativo por medo de serem abandonadas ou
maltratadas por seus parceiros. Por outro lado, o fato de estar apaixonado faz com que o jovem crie uma imagem falsa
de segurança, negando os riscos inerentes ao não uso do preservativo.
Outro fator importante a ser levado em consideração é o grande apelo erótico emitido pelos meios de
comunicação, frequentemente direcionado ao adolescente. A televisão informa e forma opiniões, unificando padrões
de comportamento, independente da tradição cultural, colocando o jovem frente a uma educação sexual informal que
propaga o sexo como algo não planejado e comum, dizendo que "todo mundo faz sexo, mas poucos adoecem".
(Disponível em: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3867/-1/a-aids-na-adolescencia.html. Adaptado. Acesso em: 19/04/2016.)
De acordo com as informações textuais sobre a adolescência é correto afirmar que
A AIDS na adolescência
A adolescência é um período da vida caracterizado por intenso crescimento e desenvolvimento, que se manifesta
por transformações físicas, psicológicas e sociais. Ela representa um período de crise, na qual o adolescente tenta se
integrar a uma sociedade que também está passando por intensas modificações e que exige muito dele. Dessa forma, o
jovem se vê frente a um enorme leque de possibilidades e opções e, por sua vez, quer explorar e experimentar tudo a
sua volta. Algumas dessas transformações e dificuldades que a juventude enfrenta, principalmente relacionadas à
sexualidade, bem como ao abuso de drogas ilícitas, aumentam as chances dos adolescentes de adquirirem a infecção
por HIV, fazendo-se necessária a realização de programas de prevenção e controle da AIDS na adolescência.
Estudos de vários países têm demonstrado a crescente ocorrência de AIDS entre os adolescentes, sendo que,
atualmente, as taxas de novas infecções são maiores entre a população jovem. Quase metade dos novos casos de AIDS
ocorre entre os jovens com idade entre 15 e 24 anos. Considerando que a maioria dos doentes está na faixa dos 20
anos, conclui-se que a grande parte das infecções aconteceu no período da adolescência, uma vez que a doença pode
ficar por longo tempo assintomática.
Existem algumas características comportamentais, socioeconômicas e biológicas que fazem com que os jovens
sejam um grupo propenso à infecção pelo HIV. Dentre as características comportamentais, destaca-se a sexualidade
entre os adolescentes. Muitas vezes, a não utilização dos preservativos está relacionada ao abuso de álcool e outras
drogas, os quais favorecem a prática do sexo inseguro. Outras vezes os jovens não usam o preservativo quando em
relacionamentos estáveis, justificando que seu uso pode gerar desconfiança em relação à fidelidade do casal, apesar de
que, no mundo, hoje, o uso de preservativo nas relações poderia significar uma prova de amor e proteção para com o
outro. Observa-se, também, que muitas jovens abrem mão do preservativo por medo de serem abandonadas ou
maltratadas por seus parceiros. Por outro lado, o fato de estar apaixonado faz com que o jovem crie uma imagem falsa
de segurança, negando os riscos inerentes ao não uso do preservativo.
Outro fator importante a ser levado em consideração é o grande apelo erótico emitido pelos meios de
comunicação, frequentemente direcionado ao adolescente. A televisão informa e forma opiniões, unificando padrões
de comportamento, independente da tradição cultural, colocando o jovem frente a uma educação sexual informal que
propaga o sexo como algo não planejado e comum, dizendo que "todo mundo faz sexo, mas poucos adoecem".
(Disponível em: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3867/-1/a-aids-na-adolescencia.html. Adaptado. Acesso em: 19/04/2016.)
No trecho “A televisão informa e forma opiniões, unificando padrões de comportamento, independente da tradição
cultural, colocando o jovem frente a uma educação sexual informal que propaga o sexo como algo não planejado e
comum, dizendo que 'todo mundo faz sexo, mas poucos adoecem'." (4º§), o termo destacado expressa ideia de
Marque a alternativa falsa em relação ao objetivo do uso dos exemplos de comportamentos de pais e filhos no texto.
Marque a alternativa correta quanto ao uso ou não
da crase nos três enunciados abaixo,
respectivamente.
As Coordenações do IFTO se propõem bastante
___ construir uma educação de qualidade.
Nós, alunos do IFTO, aspiramos ___ pesquisa
voltada para melhoria da vida das pessoas.
As queimadas em Palmas ultrapassam ___
capacidade de se suportar as fumaças constantes.
Responda as questões de 1 a 4 de acordo com o
texto abaixo.
Pais sem limites
A educação liberal é confortável para os pais.
Mas os filhos precisam saber o que são deveres e
obrigações
O avião estava cheio. Eu no fundão. Duas poltronas
atrás de mim, uma criança começou a chorar. Abriu
o berreiro. Ninguém disse uma palavra, fazer o que
quando uma criança chora? A mãe, em vez de
tentar acalmar o filho, reclamou em voz alta.
– Criança chora mesmo, e daí? Vocês ficam me
olhando, mas o que posso fazer? Criança é assim:
chora.
Tudo bem. Criança chora. Mas a gente ouve.
Ninguém havia reclamado do incômodo em voz
alta. Suponho que algumas pessoas tenham olhado
para a mãe como se pedindo que fizesse alguma
coisa. Em vez de acalmar o filho, ela brigou.
Sinceramente, nem olhar a gente pode? E mais
sinceramente ainda: como será a educação desse
menino, se a mãe prefere reclamar com quem se
sente incomodado com o choro, no lugar de
acalmar o filho? Vai ter noção de limite? Ou se
transformará num briguento, achando que tem
direito a tudo? No caso dos aviões, eu acho que há
uma irresponsabilidade enorme dos pais. Como
podem expor um bebê de colo a viagens aéreas?
Sim, existem os casos de extrema necessidade. Mas
não são a maioria. Um bebê sente dor nos ouvidos,
talvez até mais intensa que nós. Quando eu sinto,
tento mascar chiclete, chupar bala, ou pelo menos,
racionalmente, posso entender o que está
acontecendo e suportar. Um bebê não. De repente,
vem aquela dor horrível, ele não sabe o porquê.
Chora. Grita. Os outros passageiros têm de suportar
o barulho, ficam até com dor de cabeça. Mas um
bebê é um bebê, e todos temos de entender. E os
pais? Como obrigam a criança a suportar essa dor?
E os passageiros os gritos? Eu já vim da Turquia
certa vez, em uma viagem que durou o dia todo,
com duas crianças pequenas logo atrás de mim.
Classe executiva. Gritaram e choraram quase a
viagem toda. E não têm razão? Como suportariam
passar o dia todo sentados, cintos afivelados? Os
pais eram pessoas simpáticas. Tinham ido a
turismo. É certo deixar os filhos presos um dia
inteiro? É justo enlouquecer os outros passageiros?
Claro que criança tem o direito de viajar. Mas é
preciso escolher o roteiro mais adequado.
Certa vez fui a uma pousada na serra carioca.
Deliciosa. Um diretor de cinema, mais tarde,
comentou:
– Eu ia sempre lá. Mas eu e minha mulher
cometemos um crime. Tivemos uma filha. Na
pousada não aceitam crianças.
É fato. Já existem hotéis e pousadas que não
hospedam crianças. Muita gente acha um horror.
Por outro lado, o problema não está nos pais? Em
qualquer lugar onde os pais estejam com os filhos,
agem como se eles tivessem direito a tudo. Podem
correr, gritar. Dá para ler um livro embaixo de uma
árvore, no alto da serra, com crianças correndo e
gritando? E com os pais apreciando a algazarra
tranquilamente, sem se importar com os outros
hóspedes?
Eu poderia citar outros exemplos. Visitas que
chegam com filhos que pulam no sofá. Ou brincam
com algum objeto de estimação. Que batem no
prato e dizem que não gostam da comida, em
restaurantes. (E com razão. Agora criança tem de
apreciar sashimi quando quer hambúrguer?) O
problema está nos pais.
Muitos foram reprimidos quando crianças. Antes
era assim: podia, não podia. A educação tradicional
impunha limites, às vezes de forma rígida. Eu
mesmo acredito que o excesso de rigidez é
péssimo. Por outro lado, essas crianças vão crescer,
e terão de viver com normas. A vida é cheia de isso
pode e aquilo não pode. O respeito ao outro implica
entender os próprios limites. Senão é aquilo: todo
mundo querendo furar fila, tirando vantagem. O
fato é que muitos dos pais modernos, como a
mulher que esbravejou no avião, acham que criança
pode tudo. Já conversei com professoras, segundo
as quais, hoje, boa parte dos pais delega a educação
básica dos filhos à escola. Há casos, extremos, em
que a professora tem de explicar a importância de
escovar os dentes todos os dias. Não estou falando
de famílias sem condições financeiras, no caso.
Mas também de gente bem de vida, para quem é
mais fácil não discutir deveres e obrigações com os
filhos. Deixar rolar.
Mas um dia os filhos terão de aprender a viver em
sociedade. Podem contar com a mãe ou o pai para
chorar as pitangas se forem demitidos. Um ombro
sempre é bom. Mas só terão empregos e
oportunidades se souberem o que são limites,
deveres, obrigações. A educação extremamente
liberal é atraente. Principalmente, porque
confortável para os pais. Mas fica a pergunta: se os
pais não dão noção de limites, como os filhos um
dia vão ter?
Carrasco, Walcyr. Pais sem limites. Disponível
em: http://epoca.globo.com/colunas-eblogs/walcyr-carrasco/noticia/2015/09/pais-semlimites.html.
Acesso em: 12 ago. 2016.
Assinale a alternativa que apresenta a ideia central
do texto.
Responda as questões de 1 a 4 de acordo com o
texto abaixo.
Pais sem limites
A educação liberal é confortável para os pais.
Mas os filhos precisam saber o que são deveres e
obrigações
O avião estava cheio. Eu no fundão. Duas poltronas
atrás de mim, uma criança começou a chorar. Abriu
o berreiro. Ninguém disse uma palavra, fazer o que
quando uma criança chora? A mãe, em vez de
tentar acalmar o filho, reclamou em voz alta.
– Criança chora mesmo, e daí? Vocês ficam me
olhando, mas o que posso fazer? Criança é assim:
chora.
Tudo bem. Criança chora. Mas a gente ouve.
Ninguém havia reclamado do incômodo em voz
alta. Suponho que algumas pessoas tenham olhado
para a mãe como se pedindo que fizesse alguma
coisa. Em vez de acalmar o filho, ela brigou.
Sinceramente, nem olhar a gente pode? E mais
sinceramente ainda: como será a educação desse
menino, se a mãe prefere reclamar com quem se
sente incomodado com o choro, no lugar de
acalmar o filho? Vai ter noção de limite? Ou se
transformará num briguento, achando que tem
direito a tudo? No caso dos aviões, eu acho que há
uma irresponsabilidade enorme dos pais. Como
podem expor um bebê de colo a viagens aéreas?
Sim, existem os casos de extrema necessidade. Mas
não são a maioria. Um bebê sente dor nos ouvidos,
talvez até mais intensa que nós. Quando eu sinto,
tento mascar chiclete, chupar bala, ou pelo menos,
racionalmente, posso entender o que está
acontecendo e suportar. Um bebê não. De repente,
vem aquela dor horrível, ele não sabe o porquê.
Chora. Grita. Os outros passageiros têm de suportar
o barulho, ficam até com dor de cabeça. Mas um
bebê é um bebê, e todos temos de entender. E os
pais? Como obrigam a criança a suportar essa dor?
E os passageiros os gritos? Eu já vim da Turquia
certa vez, em uma viagem que durou o dia todo,
com duas crianças pequenas logo atrás de mim.
Classe executiva. Gritaram e choraram quase a
viagem toda. E não têm razão? Como suportariam
passar o dia todo sentados, cintos afivelados? Os
pais eram pessoas simpáticas. Tinham ido a
turismo. É certo deixar os filhos presos um dia
inteiro? É justo enlouquecer os outros passageiros?
Claro que criança tem o direito de viajar. Mas é
preciso escolher o roteiro mais adequado.
Certa vez fui a uma pousada na serra carioca.
Deliciosa. Um diretor de cinema, mais tarde,
comentou:
– Eu ia sempre lá. Mas eu e minha mulher
cometemos um crime. Tivemos uma filha. Na
pousada não aceitam crianças.
É fato. Já existem hotéis e pousadas que não
hospedam crianças. Muita gente acha um horror.
Por outro lado, o problema não está nos pais? Em
qualquer lugar onde os pais estejam com os filhos,
agem como se eles tivessem direito a tudo. Podem
correr, gritar. Dá para ler um livro embaixo de uma
árvore, no alto da serra, com crianças correndo e
gritando? E com os pais apreciando a algazarra
tranquilamente, sem se importar com os outros
hóspedes?
Eu poderia citar outros exemplos. Visitas que
chegam com filhos que pulam no sofá. Ou brincam
com algum objeto de estimação. Que batem no
prato e dizem que não gostam da comida, em
restaurantes. (E com razão. Agora criança tem de
apreciar sashimi quando quer hambúrguer?) O
problema está nos pais.
Muitos foram reprimidos quando crianças. Antes
era assim: podia, não podia. A educação tradicional
impunha limites, às vezes de forma rígida. Eu
mesmo acredito que o excesso de rigidez é
péssimo. Por outro lado, essas crianças vão crescer,
e terão de viver com normas. A vida é cheia de isso
pode e aquilo não pode. O respeito ao outro implica
entender os próprios limites. Senão é aquilo: todo
mundo querendo furar fila, tirando vantagem. O
fato é que muitos dos pais modernos, como a
mulher que esbravejou no avião, acham que criança
pode tudo. Já conversei com professoras, segundo
as quais, hoje, boa parte dos pais delega a educação
básica dos filhos à escola. Há casos, extremos, em
que a professora tem de explicar a importância de
escovar os dentes todos os dias. Não estou falando
de famílias sem condições financeiras, no caso.
Mas também de gente bem de vida, para quem é
mais fácil não discutir deveres e obrigações com os
filhos. Deixar rolar.
Mas um dia os filhos terão de aprender a viver em
sociedade. Podem contar com a mãe ou o pai para
chorar as pitangas se forem demitidos. Um ombro
sempre é bom. Mas só terão empregos e
oportunidades se souberem o que são limites,
deveres, obrigações. A educação extremamente
liberal é atraente. Principalmente, porque
confortável para os pais. Mas fica a pergunta: se os
pais não dão noção de limites, como os filhos um
dia vão ter?
Carrasco, Walcyr. Pais sem limites. Disponível
em: http://epoca.globo.com/colunas-eblogs/walcyr-carrasco/noticia/2015/09/pais-semlimites.html.
Acesso em: 12 ago. 2016.
Marque a alternativa falsa em relação ao objetivo
do uso dos exemplos de comportamentos de pais e
filhos no texto.
Observe as afirmativas a seguir, em relação
aos desvios na Ortografia.
I em bora – separação indevida de palavras;
cedola (cebola) – generalização; bandeija
(bandeja) – substituição.
II em bora – separação indevida de palavras;
dende (dente) – generalização; bandeija
(bandeja) – confusão.
III em bora – separação indevida de palavras;
dende (dente) – substituição; bandeija
(bandeja) – generalização.
Sobre as afirmativas acima, pode-se dizer que
apenas: