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Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda à questão a ele referente:

A casa

    Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa. Vai morar com os filhos num apartamento novo. O homem também se instala em
outro lugar, igualmente confortável. Ambos estão felizes e satisfeitos com a mudança. Ele já tem uma bonita namorada e ela muito em breve achará novo companheiro. Bem feitas as contas, o prejuízo foi meu, que perdi o terraço. Sim, era um pouco meu aquele pedaço da casa, onde passei bons momentos de férias, desfrutando a brisa atlântica e tomando uísque com água de coco.
    Quando anunciaram o desenlace eu quis defender os meus interesses, mas deixei barato e permiti que seguissem o seu destino. Sou um sujeito compreensivo, abri mão do terraço. Fui mais longe em minha generosidade. Renunciei aos livros, discos, garrafas de boa bebida, quarto refrigerado. E abri mão principalmente, sufocando queixas, de uma cálida atmosfera humana, impossível de achar em qualquer hotel cinco estrelas e que o tempo vinha desgastando naquela casa finalmente desfeita, vendida, abandonada. Parece que esse é o destino inexorável de todas as casas. Acabam compradas, trocadas por apartamentos, invadidas por estranhos.

    O desmonte foi lento e triste. Vi, nos preparativos da mudança, o descarte de coisas imprestáveis, com o vago sentimento de que também eu estava sendo descartado e deixado para trás como um guarda-chuva quebrado ou um velho objeto empoeirado e sem serventia. Dos moradores, somente minha mulher e eu, que éramos temporários, parecíamos ter saudades. Espiávamos, comovidos, aquelas caixas pardas que se iam fechando, levando um pouco de nós dois dentro delas. Ficava patente que estávamos vivendo o nosso último verão com aquelas pessoas tão queridas, para as quais, entretanto, pouco importava a proximidade do mar, a mangueira plena de frutos, o sudoeste soprando no fim das tardes, o cheiro de terra molhada pela “chuva de caju” nos ensolarados dezembros do Recife.

    Tiramos uma fotografia do jardim. Contemplamos gravemente a paisagem líquida e verde que se descortinava no terraço. E vimos o quintal com os mesmos olhos saudosos que, na infância, reparavam os quintais pela última vez, a cada mudança.

    Depois desse disfarçado ritual, abraços e beijos na família que nos hospedou. Já dentro do táxi para o aeroporto, arrisco um aceno discreto para a casa. Ela vai ficar ali, esperando novos e desconhecidos moradores. Guardando, em seu silêncio de pedra, noites alegres, festas, risadas, palavras amigas, e tudo mais que de repente se muda do tempo de agora para o cinzento do passado irrecorrível. Adeus, acabou.

FALCÃO, Aluízio. Crônicas da vida boêmia. Editora Ateliê Editorial. São Paulo: 1998.

Qual é o tom predominante no texto?

Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda à questão a ele referente:

A casa

    Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa. Vai morar com os filhos num apartamento novo. O homem também se instala em
outro lugar, igualmente confortável. Ambos estão felizes e satisfeitos com a mudança. Ele já tem uma bonita namorada e ela muito em breve achará novo companheiro. Bem feitas as contas, o prejuízo foi meu, que perdi o terraço. Sim, era um pouco meu aquele pedaço da casa, onde passei bons momentos de férias, desfrutando a brisa atlântica e tomando uísque com água de coco.
    Quando anunciaram o desenlace eu quis defender os meus interesses, mas deixei barato e permiti que seguissem o seu destino. Sou um sujeito compreensivo, abri mão do terraço. Fui mais longe em minha generosidade. Renunciei aos livros, discos, garrafas de boa bebida, quarto refrigerado. E abri mão principalmente, sufocando queixas, de uma cálida atmosfera humana, impossível de achar em qualquer hotel cinco estrelas e que o tempo vinha desgastando naquela casa finalmente desfeita, vendida, abandonada. Parece que esse é o destino inexorável de todas as casas. Acabam compradas, trocadas por apartamentos, invadidas por estranhos.

    O desmonte foi lento e triste. Vi, nos preparativos da mudança, o descarte de coisas imprestáveis, com o vago sentimento de que também eu estava sendo descartado e deixado para trás como um guarda-chuva quebrado ou um velho objeto empoeirado e sem serventia. Dos moradores, somente minha mulher e eu, que éramos temporários, parecíamos ter saudades. Espiávamos, comovidos, aquelas caixas pardas que se iam fechando, levando um pouco de nós dois dentro delas. Ficava patente que estávamos vivendo o nosso último verão com aquelas pessoas tão queridas, para as quais, entretanto, pouco importava a proximidade do mar, a mangueira plena de frutos, o sudoeste soprando no fim das tardes, o cheiro de terra molhada pela “chuva de caju” nos ensolarados dezembros do Recife.

    Tiramos uma fotografia do jardim. Contemplamos gravemente a paisagem líquida e verde que se descortinava no terraço. E vimos o quintal com os mesmos olhos saudosos que, na infância, reparavam os quintais pela última vez, a cada mudança.

    Depois desse disfarçado ritual, abraços e beijos na família que nos hospedou. Já dentro do táxi para o aeroporto, arrisco um aceno discreto para a casa. Ela vai ficar ali, esperando novos e desconhecidos moradores. Guardando, em seu silêncio de pedra, noites alegres, festas, risadas, palavras amigas, e tudo mais que de repente se muda do tempo de agora para o cinzento do passado irrecorrível. Adeus, acabou.

FALCÃO, Aluízio. Crônicas da vida boêmia. Editora Ateliê Editorial. São Paulo: 1998.

Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o texto:

Texto para responderás questões de 01 a 10.

O espelho

Esboço de uma nova teoria da alma humana

Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias

questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos

votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no

morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas,

cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora.

Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em

que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida

e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores

de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais

árduos problemas do universo.

Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os

que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto

personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no

debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação.

Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre

quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista,

inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e

cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com

um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do

instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança

bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não

controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna.

[...]

Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este

casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta

ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na

natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro

amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a

mesma discussão tornou-se difícil, senão impossível, pela

multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal

e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos

argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, - uma

conjetura, ao menos.

- Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou

outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não

discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um

caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração

acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma

só alma, há duas...

-Duas?

- Nada menos de duas almas. Cada criatura humana

traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra

que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade, podem

ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se

me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. Aalma exterior pode

ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto,

uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão

de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a

polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma

cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda

alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o

homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem

perde uma das metades, perde naturalmente metade da

existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior

implica a da existência inteira. Shylock, por exemplo. A alma

exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia

a morrer. ''Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um

punhal que me enterras no coração." Vejam bem esta frase; a

perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é

preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...

[...]

ASSIS, Machado de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova

Aguilar 1994. v. II. (fragmento)

O subtítulo, “esboço de uma nova teoria da alma humana”, a afirmação do narrador no primeiro parágrafo de que os personagens “debatiam questões de alta transcendência” e eram “investigadores de coisas metafísicas [...] resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo” colocam diante do leitora:

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Comparando-se o conteúdo e a tipologia do Texto I e do

Texto II, tem-se que

Assim como apaixonados (Texto II, . 12), também se escreve corretamente com x o substantivo

O parágrafo final do texto indica que

De acordo com a notícia, Minas Gerais terá o auxílio do Japão, porque

Atente para as seguintes afirmações:

I.No 1º parágrafo, a expressão aparente exagero refere-se ao fato, tanto nos Estados Unidos como nos países latinos, de uma gracinha ou certos gestos masculinos serem tomados como assédio sexual a uma mulher.

II.No 2º parágrafo, a frase sedução também pode ser estupro contempla a possibilidade de que, no processo da conquista amorosa, o homem ignore a relutância com que a mulher se submete à sua iniciativa.

III.No 3º parágrafo, a frase elas só contam com um “não" desacreditado evidencia a convicção que tem o autor da ineficácia da luta das mulheres contra a moral dominante e as estruturas corporativas da sociedade atual.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em

Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto abaixo.

Revolução

Notícias de homens processados nos Estados Unidos por assédio sexual quando só o que fizeram foi uma gracinha ou um

gesto são vistas aqui como muito escândalo por pouca coisa e mais uma prova da hipocrisia americana em matéria de sexo. A

hipocrisia existe, mas o aparente exagero tem a ver com a luta da mulher americana para mudar um quadro de pressupostos e tabus

tão machistas lá quanto em qualquer país latino, e que só nos parece exagerada porque ainda não chegou aqui com a mesma força.

As mulheres americanas não estão mais para brincadeira, em nenhum sentido.

A definição de estupro é a grande questão atual. Discute-se, por exemplo, o que chamam de date rape, que não é o ataque

sexual de um estranho ou sexo à força, mas o programa entre namorados ou conhecidos que acaba em sexo com o consentimento

relutante da mulher. Ou seja, sedução também pode ser estupro. Isso não é apenas uma novidade, é uma revolução. O homem que

se criou convencido de que a mulher resiste apenas para não parecer "fácil" não está preparado para aceitar que a insistência, a

promessa e a chantagem sentimental ou profissional são etapas numa escalada em que o uso da força, se tudo o mais falhar, está

implícito. E que muitas vezes ele está estuprando quem pensava estar convencionalmente conquistando. No dia em que o homem

brasileiro aceitar isso, a revolução estará feita e só teremos de dar graças a Deus por ela não ser retroativa.

A verdadeira questão para as mulheres americanas é que o homem pode recorrer a tudo na sociedade − desde a moral

dominante até as estruturas corporativas e de poder − para seduzi-las, que toda essa civilização é no fundo um álibi montado para o

estupro, e que elas só contam com um "não" desacreditado para se defender. Estão certas.

(VERISSIMO, Luis Fernando. Sexo na cabeça. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p. 143)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:

Atenção: As questões de números 9 a 15 referem-se ao texto abaixo.

Era uma vez...

As crianças de hoje parecem nascer já familiarizadas com todas as engenhocas eletrônicas que estarão no centro de suas

vidas. Jogos, internet, e-mails, músicas, textos, fotos, tudo está à disposição à qualquer hora do dia e da noite, ao alcance dos dedos.

Era de se esperar que um velho recurso para se entreter e ensinar crianças como adultos − contar histórias − estivesse vencido, morto

e enterrado. Ledo engano. Não é incomum que meninos abandonem subitamente sua conexão digital para ouvirem da viva voz de

alguém uma história anunciada pela vetusta entrada do “Era uma vez...".

Nas narrativas orais − talvez o mais antigo e proveitoso deleite da nossa civilização – a presença do narrador faz toda a

diferença. As inflexões da voz, os gestos, os trejeitos faciais, os silêncios estratégicos, o ritmo das palavras – tudo é vivo, sensível e

vibrante. A conexão se estabelece diretamente entre pessoas de carne e osso, a situação é única e os momentos decorrem em

tempo real e bem marcado. O ouvinte sente que o narrador se interessa por sua escuta, o narrador sabe-se valorizado pela atenção

de quem o ouve, a narrativa os une como num caloroso laço de vozes e de palavras.

As histórias clássicas ganham novo sabor a cada modo de contar, na arte de cada intérprete. Não é isso, também, o que se

busca num teatro? Nas narrações, as palavras suscitam imagens íntimas em quem as ouve, e esse ouvinte pode, se quiser,

interromper o narrador para esclarecer um detalhe, emitir um juízo ou simplesmente uma interjeição. Havendo vários ouvintes, forma-se

uma roda viva, uma cadeia de atenções que dá ainda mais corpo à história narrada. Nesses momentos, é como se o fogo das

nossas primitivas cavernas se acendesse, para que em volta dele todos comungássemos o encanto e a magia que está em contar e

ouvir histórias. Na época da informática, a voz milenar dos narradores parece se fazer atual e eterna.

(Demócrito Serapião, inédito)

Afirma-se na abertura do texto: As crianças de hoje parecem nascer já familiarizadas com todas as engenhocas eletrônicas que

estarão no centro de suas vidas. Com a leitura integral do texto, tal afirmação é

Julgue os itens seguintes, referentes aos aspectos linguísticos e às ideias do texto O homem que só tinha certezas.

Infere-se do trecho “derramando afirmações pela boca" (l.7)

que o homem que só tinha certezas falava demasiadamente.

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto O que é um cronista?, julgue os itens a seguir.

O autor defende que a crônica, comparada a outros gêneros

textuais, confere ao escritor menos autonomia.

Julgue os itens seguintes, referentes aos aspectos linguísticos e às ideias do texto O homem que só tinha certezas.

Conclui-se do texto que a fama do personagem central e o

interesse das pessoas por ele devem-se ao fato de ele jamais ter

mentido nas respostas às questões que lhe eram propostas.

Com base nas ideias do texto Geografia eleitoral e manutenção

do poder:..., assinale a opção correta.

O termo “glocal”, no contexto do 6° parágrafo, refere-se

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