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A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça

física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem,

conduziu

ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui,

para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado).

As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste

em garantir o(a)

Os ricos adquiriram uma obrigação relativamente à coisa pública, uma vez que devem sua existência ao ato de submissão à sua proteção e zelo, o que necessitam para viver; o Estado então fundamenta o seu direito de contribuição do que é deles nessa obrigação, visando a manutenção de seus concidadãos. Isso pode ser realizado pela imposição de um imposto sobre a propriedade ou a atividade comercial dos cidadãos, ou pelo estabelecimento de fundos e de uso dos juros obtidos a partir deles, não para suprir as necessidades do Estado (uma vez que este é rico), mas para suprir as necessidades do povo.

KANT, I. A metafísica dos costumes. Bauru: Edipro, 2003

Segundo esse texto de Kant, o Estado

TEXTO I

Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e

outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo),

juntamente com o grande poder do seu governante,

o qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação

dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde

Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã,

lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra,

disse ele, que se lhe possa comparar.

HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

TEXTO II

Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a

solução adequada para as inconveniências do estado de

natureza, que devem certamente ser grandes quando os

homens podem ser juízes em causa própria, pois é fácil

imaginar que um homem tão injusto a ponto de lesar o

irmão dificilmente será para condenar a si mesmo

pela mesma ofensa.

LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: Vozes, 1994.

Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos

contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza

humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente de

John Locke, entende o estado de natureza como um(a)

Ninguém delibera sobre coisas que não podem

ser de outro modo, nem sobre as que lhe é impossível

fazer. Por conseguinte, como o conhecimento científico

envolve demonstração, mas não há demonstração de

coisas cujos primeiros princípios são variáveis (pois todas

elas poderiam ser diferentemente), e como é impossível

deliberar sobre coisas que são por necessidade, a

sabedoria prática não pode ser ciência, nem arte: nem

ciência, porque aquilo que se pode fazer é capaz de

ser diferentemente, nem arte, porque o agir e o produzir

são duas espécies diferentes de coisa. Resta, pois,

a alternativa de ser ela uma capacidade verdadeira e

raciocinada de agir com respeito às coisas que são boas

ou más para o homem.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

Aristóteles considera a ética como pertencente ao campo

do saber prático. Nesse sentido, ela difere-se dos outros

saberes porque é caracterizada como

A justiça e a conformidade ao contrato consistem

em algo com que a maioria dos homens parece

concordar. Constitui um princípio julgado estender-se

até os esconderijos dos ladrões e às confederações dos

maiores vilões; até os que se afastaram a tal ponto da

própria humanidade conservam entre si a fé e as regras

da justiça.

LOCKE, J. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 2000 (adaptado).

De acordo com Locke, até a mais precária coletividade

depende de uma noção de justiça, pois tal noção

Os andróginos tentaram escalar o céu para combater

os deuses. No entanto, os deuses em um primeiro

momento pensam em matá-los de forma sumária. Depois

decidem puni-los da forma mais cruel: dividem-nos em

dois. Por exemplo, é como se pegássemos um ovo cozido

e, com uma linha, dividíssemos ao meio. Desta forma, até

hoje as metades separadas buscam reunir-se. Cada um

com saudade de sua metade, tenta juntar-se novamente a

ela, abraçando-se, enlaçando-se um ao outro, desejando

formar um único ser.

PLATÃO. O banquete. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

No trecho da obra O banquete, Platão explicita, por meio

de uma alegoria, o

Arrependimentos terminais

Em Antes de partir, uma cuidadora especializada em

doentes terminais fala do que eles mais se arrependem

na hora de morrer. “Não deveria ter trabalhado tanto", diz

um dos pacientes. "Desejaria ter ficado em contato com

meus amigos", lembra outro. “Desejaria ter coragem de

expressar meus sentimentos." “Não deveria ter levado a

vida baseando-me no que esperavam de mim", diz um

terceiro. Há cem anos ou cinquenta, quem sabe, sem

dúvida seriam outros os arrependimentos terminais.

“Gostaria de ter sido mais útil à minha pátria." “Deveria

ter sido mais obediente a Deus." “Gostaria de ter deixado

mais patrimônio aos meus descendentes."

COELHO, M. Folha de São Paulo, 2 jan. 2013.

O texto compara hipoteticamente dois padrões morais

que divergem por se basearem respectivamente em

Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: "Este objeto que estou vendo agora tem tendência para assemelhar-se a um outro ser, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior". Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente.

PLATÃO, Fédon. São Paulo: Abril CuLTURAl, 1972.

Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implica

A figura do inquilino ao qual a personagem da tirinha se refere é o(a)

TEXTO I

Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

TEXTO II

Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será; pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?

PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é

oco, tudo é igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de

todo, e se caísse fogo em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se.

Todos os solos se querem abrir, mas os abismos não nos querem tragar!

NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Ediouro, 1977.

O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina niilista, uma vez que

A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, que resvalará, então, em um estado de guerra.

RAWLS.J. Conferências sobre a história da filosofia politica São Paulo: WMF, 2012 (adaptado)

O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como

A atividade atualmente chamada de ciência tem se mostrado fator importante no desenvolvimento da civilização liberal: serviu para eliminar crenças e práticas supersticiosas, para afastar temores brotados da ignorância e para fornecer base intelectual de avaliação de costumes herdados e de normas tradicionais de conduta.

NAGEL, E et aI. Ciência: natureza e objetivo. São Paulo: Cultrix, 1975 (adaptad)

Quais características permitem conceber a ciência com os aspectos críticos mencionados?

Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo - terra, água, ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo -, se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas às outras, nem fazer bem ou mal umas às outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir à existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa.

DiÓGENES, In: BORNHEIM, G, A. Os filósofos pré-socráticos, São Paulo: Cultrix, 1967

o texto descreve argumentos dos primeiros pensadores, denominados pré-socráticos. Para eles, a principal preocupação filosófica era de ordem

Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o

antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder

de destruição , fruto dos últimos séculos que significaram

um transtorno perverso do equilíbrio do sistema-Terra.

Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes

de forma globalizada e profunda? Temos pessoalmente

trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do

cuidado como relação amigável e cooperativa para

com a natureza. Queremos, agora, agregar a ética da

responsabilidade.

BOFF, L. Responsabilidade coletiva. Disponível em: http://leonardoboff.wordpress.com.

Acesso em: 14 maio 2013.

A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reinvindicada no texto é expressa

pela máxima:

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