Cientistas dos Estados Unidos mediram como assistir a um filme altera a capacidade de entender as emoções e suas posições morais sobre o sistema criminal de Justiça.
O novo estudo, publicado dia 21 de outubro de 2024 na revista PNAS, constatou que assistir a um documentário sobre os esforços para libertar um homem condenado injustamente ao corredor da morte aumentou a empatia em relação aos encarcerados e o apoio às reformas do sistema de Justiça dos EUA.
O estudo sugere que “o filme tornou os participantes mais dispostos ou mais capazes de compreender outro ser humano, apesar dos estigmas sociais contra ele. É mais do que um sentimento passageiro, e sim uma habilidade”, diz Marianne Reddan, cientista cognitiva da Universidade de Stanford, nos EUA, que co-liderou o estudo.
“Isso nos diz que expor alguém a experiências pessoais de quem vive vidas muito diferentes da sua é essencial para o desenvolvimento de comunidades saudáveis e estruturas políticas saudáveis.”
Em 1986, Walter McMillian, um madeireiro negro de 45 anos que vivia no Alabama, foi preso por assassinato. Ele era inocente: quando o crime ocorreu, estava em outro lugar, numa reunião de família –, porém foi condenado com base no depoimento falso de uma testemunha ocular. Ele passou seis anos no corredor da morte, até que um tribunal anulasse sua condenação.
Essa história real foi transformada no filme biográfico Luta por justiça, lançado em 2019 e estrelado pelo vencedor do Oscar Jamie Foxx como McMillan.
Depois de assistirem ao longa, os participantes do estudo obtiveram maiores pontuações no teste de empatia em relação a homens que haviam estado na prisão. Esses efeitos foram encontrados tanto em participantes de esquerda quanto de direita.
“Este estudo mediu mais do que o sentimento de empatia, mas também a capacidade dos participantes de entenderem as emoções de alguém que já esteve preso, e que eles nunca chegaram a conhecer”, sublinha Reddan.
Assistir ao filme também aumentou o apoio a reformas judiciais, como a ideia de usar dinheiro dos impostos para financiar programas educacionais nas prisões ou aumentar a oposição à pena de morte.
Os pesquisadores também descobriram que aqueles que assistiram a Luta por justiça tinham 7,7% mais chances de assinar uma petição de apoio à reforma penal do que os participantes do grupo de controle.
“Esse estudo ressalta a influência do audiovisual na formação da opinião pública e na possível motivação de ações coletivas. Luta por justiça mudou a percepção das pessoas e também o seu comportamento”, afirma Jose Cañas Bajo, pesquisador de ciência cognitiva e estudos cinematográficos da Universidade de Jyvaskyla, na Finlândia, que não participou do estudo.
Cañas Bajo avalia que a novidade desse estudo está no método de quantificar como os filmes podem mudar a percepção e o comportamento dos espectadores, especialmente como “um filme como Luta por justiça pode funcionar como um chamado à ação”.
Mas a ideia de que uma obra de ficção pode mudar mentes não é nova. “Os cineastas são como mágicos. Eles vêm pesquisando como influenciar as percepções e emoções dos espectadores com truques de edição desde os primórdios do cinema”, ressalta.
Alfred Hitchcock demonstrou esse efeito aofilmar uma cena de uma mulher com uma criança, que depois corta para um homem sorrindo, aparentemente expressando ternura. Mas se a cena de uma mulher e seu filho for substituída por uma mulher de biquíni, segundo Hitchcock, o sorriso do homem parecerá lascivo. É o “efeito Kuleshov”, técnica de montagem desenvolvida no início do século 20 pelo cineasta e teórico russo Lev Kuleshov.
O pesquisador explica que os cineastas muitas vezes jogam com o conhecimento de que um filme é um espaço seguro onde os espectadores podem experimentar emoções que normalmente não sentem. “Por esse motivo, os cineastas têm responsabilidades para com seus espectadores ao contar histórias.”
Os realizadores de Luta por justiça usaram suas habilidades para influenciar a empatia dos espectadores em relação a um homem preso por um assassinato que nunca cometeu. O filme foi usado como uma ferramenta para a mudança social progressiva no sistema penal.
No entanto, cineastas podem usar os mesmos truques para criar antipatia em relação a quem retratam de forma negativa. Há muito tempo, filmes de propaganda são usados para desumanizar e justificar a violência ou a guerra, ou para promover narrativas falsas ou pseudociência.
“Alguns documentários sobre crimes provocam antipatia em relação aos criminosos, o que pode alimentar as demandas por medidas mais punitivas, inclusive pela pena capital”, afirma Cañas Bajo.
Uma pergunta em aberto desse estudo é quanto tempo duram os sentimentos de empatia: assistir a um filme basta para criar mudanças duradouras em opiniões políticas ou morais? A equipe de Reddan está realizando atualmente um novo estudo sobre a durabilidade desses efeitos num período de três meses.
“Indícios preliminares sugerem que alguns desses efeitos persistem por pelo menos três meses.No momento, também estamos coletando dados de neuroimagem desse paradigma para entender como o filme influencia o processamento empático no nível cerebral”, afirma a cientista cognitiva.
Mas a dificuldade é desvendar o efeito de um filme por si só, ressalta Cañas Bajo. Pois o espectador está sempre comparando-o com nossas próprias lembranças e com outros filmes já vistos. Eles não precisam ser feitos pelo mesmo autor para ser emocionalmente interligados: isso acontece na cabeça dos espectadores.
Segundo Reddan, por isso se deve estar atento ao tipo de mídia consumida, a qual, apesar de ser “em grande parte para entretenimento, tem um impacto significativo sobre como nos relacionamos uns com os outros”.
Fonte: Schwaller, Fred. Como filmes podem influenciar opiniões políticas. Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-filmespodem-influenciar-opiniões-políticas/a-70600763>. Último acesso no dia 26 de outubro de 2024. (Texto adaptado).
O trecho “Segundo Reddan, por isso se deve estar atento ao tipo de mídia consumida”, é introduzido por uma palavra destacada que confere (ao período em que se encontra) o valor semântico de:
Observe o texto a seguir e assinale a afirmativa mais adequada à sua significação ou estruturação:
“Horóscopo signo Virgem. Horóscopo de hoje: Você tem tomado ciência dos seus erros no passado e precisa confiar em alguém. Vá em frente e você terá a luz e confiança daqueles que te cercam para colocar as suas ideias em prática. Seu dia será ótimo e você estará mais comunicativo, não será apenas impressão.”
Assinale a frase a seguir em que os vocábulos sublinhados são considerados sinônimos.
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças evitáveis por vacina no mundo
A vacinação é essencial e representa, além de atitude
individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
Vecina Neto.
Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
tem aumentado recentemente.
As causas desse crescimento são diversas e variam de
acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
“Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
vacinação a negacionismo científico.”
Vacinação
Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
modelo campanhista. No primeiro caso, há o
acompanhamento total da criança durante a sua infância
e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
pandemia, casos de enfermidades como a meningite
voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
1.400 mortes em 24 países.
Para o professor, a vacinação é, além de um ato
individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
estão vacinados, a chance de o agente contagioso
encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
imunização de populações é um processo coletivo dentro
da saúde pública”, completa.
Negacionismo
Além dos modelos de imunização, a crescente onda
negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
mundo em transformação, com alta carga de informações
compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
acesso a uma forma muito violenta à informação sem
regras”, defende Vecina Neto.
De acordo com a Organização, 138 países reportaram
casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
como controlada em grande parte dos países
desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
apresentados demonstram o retrocesso recente nos
avanços da medicina. Além da queda da cobertura
vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
essenciais para mudar o cenário atual.
JORNAL USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/radiousp/negacionismo-cientifico-influencia-no-aumento-
de-doencas-evitaveispor-vacina-no-mundo/. Acesso em: 12 jun. 2025. (Adaptado)
No primeiro parágrafo do texto, o enunciador estabelece a introdução do tema que será tratado. Analise o trecho a seguir e assinale a afirmação verdadeira: “Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite, tem aumentado recentemente.” (linhas 04-10)
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças evitáveis por vacina no mundo
A vacinação é essencial e representa, além de atitude
individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
Vecina Neto.
Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
tem aumentado recentemente.
As causas desse crescimento são diversas e variam de
acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
“Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
vacinação a negacionismo científico.”
Vacinação
Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
modelo campanhista. No primeiro caso, há o
acompanhamento total da criança durante a sua infância
e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
pandemia, casos de enfermidades como a meningite
voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
1.400 mortes em 24 países.
Para o professor, a vacinação é, além de um ato
individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
estão vacinados, a chance de o agente contagioso
encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
imunização de populações é um processo coletivo dentro
da saúde pública”, completa.
Negacionismo
Além dos modelos de imunização, a crescente onda
negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
mundo em transformação, com alta carga de informações
compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
acesso a uma forma muito violenta à informação sem
regras”, defende Vecina Neto.
De acordo com a Organização, 138 países reportaram
casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
como controlada em grande parte dos países
desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
apresentados demonstram o retrocesso recente nos
avanços da medicina. Além da queda da cobertura
vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
essenciais para mudar o cenário atual.
JORNAL USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/radiousp/negacionismo-cientifico-influencia-no-aumento-
de-doencas-evitaveispor-vacina-no-mundo/. Acesso em: 12 jun. 2025. (Adaptado)
Com base no trecho “Quando tratamos de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um mundo em transformação, com alta carga de informações compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo acesso a uma forma muito violenta à informação sem regras” (linhas 56-62), analise as assertivas a seguir:
I. As orações são construídas em três períodos compostos por coordenação.
II. No primeiro período composto por subordinação, a oração subordinada tem valor adverbial.
III. Há um período composto por coordenação, e dois por subordinação.
IV. No período composto por coordenação, o sujeito da primeira oração refere-se ao grupo de pesquisadores da USP.
É correto o que se afirma em
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças evitáveis por vacina no mundo
A vacinação é essencial e representa, além de atitude
individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
Vecina Neto.
Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
tem aumentado recentemente.
As causas desse crescimento são diversas e variam de
acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
“Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
vacinação a negacionismo científico.”
Vacinação
Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
modelo campanhista. No primeiro caso, há o
acompanhamento total da criança durante a sua infância
e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
pandemia, casos de enfermidades como a meningite
voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
1.400 mortes em 24 países.
Para o professor, a vacinação é, além de um ato
individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
estão vacinados, a chance de o agente contagioso
encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
imunização de populações é um processo coletivo dentro
da saúde pública”, completa.
Negacionismo
Além dos modelos de imunização, a crescente onda
negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
mundo em transformação, com alta carga de informações
compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
acesso a uma forma muito violenta à informação sem
regras”, defende Vecina Neto.
De acordo com a Organização, 138 países reportaram
casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
como controlada em grande parte dos países
desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
apresentados demonstram o retrocesso recente nos
avanços da medicina. Além da queda da cobertura
vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
essenciais para mudar o cenário atual.
JORNAL USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/radiousp/negacionismo-cientifico-influencia-no-aumento-
de-doencas-evitaveispor-vacina-no-mundo/. Acesso em: 12 jun. 2025. (Adaptado)
A acentuação da palavra “saúde” é justificada pela mesma regra de
Uma nova era para a China
A China encerrou 2024 com dois feitos notáveis. O primeiro: o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu no ano passado os 5% que o governo tinha como meta, ligeiramente abaixo dos 5,2% de 2023. Trata-se de crescimento invejável para a maioria dos países, mas muito aquém daquele que o gigante asiático já produziu em um passado não tão distante.Reproduzir tal façanha nos próximos anos, contudo, parececada vez mais improvável. Oficialmente, o governo chinês ainda sonha com crescimento de 5% no futuro próximo, mas tal desempenho exigirá bem mais que os estímulos dados por Pequim e que garantiram o cumprimento da meta de crescimento em 2024.
Desafios como a queda dos preços das casas no obscuro mercado imobiliário chinês, desemprego acima de dois dígitos entre os mais jovens e consumo interno fraco são problemas estruturais com os quais Pequim vem tentando lidar com o gradualismo que lhe é característico.Outro ponto de atenção é o encolhimento populacional, mesmo para um país com mais de 1 bilhão de habitantes. A China registrou declínio de população nos últimos três anos, indicativo de que os chineses, que contam com aparato muito reduzido de proteção social, têm optado por não ter filhos, ou seja, cai o número de trabalhadores e consumidores tão necessários a uma economia que precisará fortalecer cada vez mais a demanda interna.Isto porque o segundo feito notável conquistado pela China no ano passado, o superávit comercial de quase US$ 1 trilhão (mais de R$ 6 trilhões), não apenas não deve se repetir, como certamente será utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como mais um argumento para limitar as importações norte-americanas de produtos chineses.A China sabe que precisa calibrar sua política econômica porque o modelo atual, em grande parte bem-sucedido até aqui, pode enfraquecer ainda mais seu mercado doméstico. Os Estados Unidos sabem que precisam diminuir seu déficit comercial gigantesco, pois ele elimina empregos bem remunerados para os norte-americanos, entre outros problemas.Uma nova era se anuncia para a China. Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais.
(O Estado de S.Paulo, Opinião, “Uma nova era para a China”, 19.01.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/uma-nova-era-para-a-china/. Adaptado)
Ao destacar os desafios econômicos para os próximos anos, o texto deixa claro que a China
Uma nova era para a China
A China encerrou 2024 com dois feitos notáveis. O primeiro: o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu no ano passado os 5% que o governo tinha como meta, ligeiramente abaixo dos 5,2% de 2023. Trata-se de crescimento invejável para a maioria dos países, mas muito aquém daquele que o gigante asiático já produziu em um passado não tão distante.Reproduzir tal façanha nos próximos anos, contudo, parececada vez mais improvável. Oficialmente, o governo chinês ainda sonha com crescimento de 5% no futuro próximo, mas tal desempenho exigirá bem mais que os estímulos dados por Pequim e que garantiram o cumprimento da meta de crescimento em 2024.
Desafios como a queda dos preços das casas no obscuro mercado imobiliário chinês, desemprego acima de dois dígitos entre os mais jovens e consumo interno fraco são problemas estruturais com os quais Pequim vem tentando lidar com o gradualismo que lhe é característico.Outro ponto de atenção é o encolhimento populacional, mesmo para um país com mais de 1 bilhão de habitantes. A China registrou declínio de população nos últimos três anos, indicativo de que os chineses, que contam com aparato muito reduzido de proteção social, têm optado por não ter filhos, ou seja, cai o número de trabalhadores e consumidores tão necessários a uma economia que precisará fortalecer cada vez mais a demanda interna.Isto porque o segundo feito notável conquistado pela China no ano passado, o superávit comercial de quase US$ 1 trilhão (mais de R$ 6 trilhões), não apenas não deve se repetir, como certamente será utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como mais um argumento para limitar as importações norte-americanas de produtos chineses.A China sabe que precisa calibrar sua política econômica porque o modelo atual, em grande parte bem-sucedido até aqui, pode enfraquecer ainda mais seu mercado doméstico. Os Estados Unidos sabem que precisam diminuir seu déficit comercial gigantesco, pois ele elimina empregos bem remunerados para os norte-americanos, entre outros problemas.Uma nova era se anuncia para a China. Ao Brasil, que sabiamente resistiu a aderir à Nova Rota da Seda e vem aumentando tarifas de importação sobre veículos elétricos chineses, será necessária ainda mais racionalidade. Do contrário, o País sairá chamuscado na guerra entre as duas potências econômicas globais.
(O Estado de S.Paulo, Opinião, “Uma nova era para a China”, 19.01.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/uma-nova-era-para-a-china/. Adaptado)
A tipologia textual predominante no texto é a
Solidariedade africana
Se me perguntassem o que me despertou maior atenção no corrente verão de 2014, no que diz respeito ao nosso comportamento em sociedade, à parte o conflito Israel-Palestina na Faixa de Gaza e a proliferação do vírus do ebola na África Central, responderia que foram os acontecimentos trágicos na pequena localidade de Ferguson, Missouri. O númerocrescente de afro-americanos que morrem nas ruas dos Estados Unidos pela mão das autoridades policiais é assustador, porque embora esteja a acontecer a milhas de distância, diz respeito a todos nós, homens e mulheres e, em particular, a nós os negros.Nenhum negro, em parte nenhuma do mundo, estará seguro enquanto não houver justiça e igualdade de tratamento entre os povos. Nenhum negro se sentirá seguro, porque o valor que é atribuído à nossa vida, independentemente do país ou continente a que chamemos de casa, vale menos do que uma bala. É difícil ser negro, e não apenas pelo racismo que nos vitima, mas acima de tudo porque nós, os negros, nos desrespeitamos e continuamos a perpetuar as políticas discriminatórias eracistas herdadas dos países que nos colonizaram. Isso explica, em boa parte, a falta de influência que as nações africanas detêm em organismos como as Nações Unidas. O que se passa nas ruas da América, desde a fundação daquela grande nação, é um ataque aos direitos humanos.
(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa, 2023)
Na abordagem que faz do tema, o cronista defende que
Observe a seguinte frase:
Por melhor que se fale, quando se fala muito, finaliza-se sempre por dizer tolices.
O conselho implícito que está nessa frase, é:
Assinale a opção em que a palavra “só” é classificada como na frase “Para assistirem a este filme, só entram os maiores de dezoito anos”.
A Rússia na contramão da História
No atual século, praticamente não há países que não sejam – com ou sem competência – governados por suas próprias gentes. E, após as guerras, é esperado que se retirem os exércitos invasores. Foi o caso do Japão e da Alemanha. Encerrou-se o ciclo, com cerca de 200 nações independentes. O que restou foram as travessuras imperialistas, mas sem ocupação territorial permanente.
Porém há um país que anda na contramão da História. Como o resto da Europa, a Rússia expandiu as suas fronteiras. Iam do Alasca até o Báltico e o Mar Negro. Após a Segunda Guerra, foram anexados os países do Leste Europeu. Depois que os europeus voltaram para casa, a Rússia continuou tomando a casa dos outros, ignorando o espírito dos novos tempos.
Diante desse quadro, podemos ver a invasão da Ucrânia como uma manifestação tardia de um estilo de colonialismo que, por completo, o Ocidente já abandonou. Quando pensamos em tribos isoladas que ainda praticariam a escravidão, caberia um relativismo nos nossos julgamentos? Podemos condená-las? Não deveríamos também aceitar a Rússia, com seus valores, apesar de desalinhados com o presente?
Não! Vivemos sob princípios disseminados em todas as sociedades modernas. Somos herdeiros do iluminismo, incluindo a concepção de formas de governança, de direitos e de valores cívicos. Queremos acreditar que essa foi uma conquista irreversível.
Sendo assim, não há espaço para quaisquer transigências. A Rússia é um país que brilhou na literatura, na música, nas artes visuais, nas ciências e nas tecnologias militares. Teve ampla exposição às tradições da civilização ocidental. Não há por que perdoá-la pelo atraso na sua cultura política. É inaceitável que as suas lideranças ignorem essa herança e proclamem uma visão obsoleta de dominação colonial.
(Cláudio de Moura Castro. https://www.estadao.com.br/opiniao, 06.04.2025. Adaptado)
O uso do acento indicativo da crase atende à norma-padrão em:
O Sobrado
Que pessoa estranha, dona Rosalina. Ela o deixava desconcertado não apenas pela ambivalência de sua conduta, mas pelo mistério mesmo do seu ser. Como é que uma pessoa era assim? Ele não entendia, por mais que verrumasse¹ a cabeça não conseguia entender. Ela lhe dava a impressão de duas numa só: quando ele pensava conhecer uma, via que se enganara, era outra que estava falando. Às vezes mais de uma, tão imprevista nos modos, nos jeitos de parecer. Um ajuntamento confuso de Rosalinas numa só Rosalina.
Ele passava horas ouvindo dona Rosalina, vendo-lhe os mínimos gestos, o mais leve movimento dos lábios e dos olhos. Via-a de todas as posições, seguia-lhe os passos, e ela nunca parecia ser uma, a mesma pessoa. E depois, no quarto, procurava botar em ordem as ideias, compor com os fiapos que pegava no ar uma só figura de dona Rosalina: uma dona Rosalina impossível de ser.
Na rua não pensava em dona Rosalina, se esquecia inteiramente dela. Aprendeu que, por mais que perguntassem, não podia falar nunca naquela mulher tão sozinha. Sua boca devia ser por vontade calada, como era por desígnio de Deus a boca de Quiquina. Se às vezes na rua lhe assaltava a lembrança de dona Rosalina, afastava-a ligeiro, porque, distante, a sua figura ganhava em estranheza e cores sombrias.
E ele queria o ar puro da rua, a claridade do dia, onde as horas passavam, a vida era o comum da vida da gente, sem nenhum outro mistério e sobressalto senão o mistério mesmo de existir. O sobrado era o túmulo, as voçorocas², as veredas sombrias.
(Autran Dourado, Ópera dos Mortos)
¹ refletisse
² escavações no solo ou em rocha decomposta causadas por erosão do lençol de escoamento de águas pluviais
Considere as passagens:
Ela o deixava desconcertado não apenas pela ambivalência de sua conduta mas pelo mistério mesmo do seu ser. (1º parágrafo)
Ele não entendia, por mais que verrumasse a cabeça não conseguia entender. (1º parágrafo)
Sua boca devia ser por vontade calada, como era por desígnio de Deus a boca de Quiquina. (2º parágrafo)
... afastava-a ligeiro, porque, distante, a sua figura ganhava em estranheza e cores sombrias. (2º parágrafo)
As expressões destacadas – “não apenas ... mas”, “por mais que”, “como” e “porque” – estabelecem entre as orações, correta e respectivamente, relações de sentido de:
Assinale a frase em que “um/uma” é classificado como numeral e não como artigo.
Assinale a frase em que a expressão “graças a” está empregada de forma adequada.