À proporção que alguns locatários abandonavam a estalagem, muitos pretendentes surgiam disputando os cômodos desalugados. Delporto e Pompeo foram varridos pela febre amarela e três outros italianos estiveram em risco de vida. O número dos hóspedes crescia, os casulos subdividiam-se em cubículos do tamanho de sepulturas, e as mulheres iam despejando crianças com uma regularidade de gado procriador. Uma família, composta de mãe viúva e cinco filhas solteiras, das quais destas a mais velha tinha trinta anos e a mais moça quinze, veio ocupar a casa que Dona Isabel esvaziou poucos dias depois do casamento de Pombinha.
Agora, na mesma rua, germinava outro cortiço ali perto, o “Cabeça-de-Gato”. Figurava como seu dono um português que também tinha venda, mas o legítimo proprietário era um abastado conselheiro, homem de gravata lavada, a quem não convinha, por decoro social, aparecer em semelhante gênero de especulações. E João Romão, estalando de raiva, viu que aquela nova república da miséria prometia ir adiante e ameaçava fazer-lhe à sua perigosa concorrência. Pôs-se logo em campo, disposto à luta, e começou a perseguir o rival por todos os modos, peitando fiscais e guardas municipais, para que o não deixassem respirar um instante com multas e exigências vexatórias; enquanto pela sorrelfa* plantava no espírito dos seus inquilinos um verdadeiro ódio de partido, que os incompatibilizava com a gente do “Cabeça-de-Gato”. Aquele que não estivesse disposto a isso ia direitinho para a rua, “que ali se não admitiam meias medidas a tal respeito! Ah! ou bem peixe ou bem carne! Nada de embrulho!”.
AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço, 1890. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000015.pdf. Acesso em 27 jul. 2020.
* sorrelfa: dissimulação silenciosa para enganar ou iludir.
Quanto à obra da qual o Texto foi retirado e ao seu autor, assinale a afirmativa correta.
De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa acerca de concordância verbal e nominal, analise as afirmativas a seguir.
I. No primeiro verso, também seria correta a forma singular do verbo (“posta-se”), por haver sujeito indeterminado.
II. No nono verso, o verbo “empunhar” poderia estar flexionado também no plural (“empunharmos”).
III. O adjetivo “vis”, no décimo primeiro verso, está corretamente concordando com o substantivo a que se refere (“hostes”) em número e gênero.
Está correto o que se afirma em
O segundo parágrafo se desenvolve a partir de:
Na frase “A julgar pelo século XX, e mesmo sem levar em conta as duas guerras mundiais, talvez menos do que pareça”, a expressão “a julgar pelo” é iniciada pela palavra “a”, que assume o valor de:
“O modelo hobbesiano poderia ser tomado como plausível, não fosse uma falha capital do argumento”. A ideia central da frase é apresentada por procedimento caracterizado como:
Os trechos “muitas morrendo com a boca cheia de capim” (1o parágrafo) e “o que impulsionou o consumo de açúcar” (4o parágrafo) podem ser substituídos, respectivamente e sem alteração de sentido, por:
A estratégia empregada pela autora no primeiro parágrafo, fazendo referência a uma pesquisa de três instituições, tem o condão de
Para responder a esta questão, considere as expressões destacadas nas passagens inicial e final do texto e no trecho a seguir. Sinceramente não se sabe por que tão poucos leem. E seria possível afirmar que o declínio do percentual de leitores ocorre porque as mídias visuais são mais atrativas? É difícil encontrar a razão por que apenas metade da população lê.
À vista das expressões do texto e do trecho, é correto afirmar, como regra abrangente para justificar as ocorrências:
Na passagem – É preciso (I) entender (II) que o ato da leitura é espaço dialógico entre o mediador, o texto e o aluno ... – é correto afirmar acerca das orações (I) e (II):
De acordo com Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias (Ler e escrever- estratégias de produção textual), as expressões “isto é” e “ou seja” (1o e 2o parágrafos) são elementos de progressão
Tendo em vista os termos destacados nas passagens – (I) E que deve antes ser temido do que amado, porque o amor cobra constantes provas e tem vida curta, enquanto o medo pede pouco alimento e tem vida longa. (II) Não pode sonhar com um mundo que não existe, nem contar com pessoas que vivem de ilusões. – assinale a afirmação correta.
A alternativa que reescreve a passagem – O outro conceito que ele trabalha é o de “Virtú” (tradução do termo grego “Aretê”, que significa virtude, força). – empregando corretamente os elementos de referenciação e sequenciação textual é:
O paralelismo sintático é uma das convenções estabelecidas para a escrita oficial.
A frase cuja organização sintática está plenamente de acordo com essa convenção é:
No trecho do parágrafo 3 “As empresas, não compreendendo a importância de ter seus funcionários alfabetizados financeiramente, também não investem nessa área”, a oração destacada tem valor semântico de
A questão se relaciona a fatos da cultura popular brasileira; o texto foi particularmente aproveitado para questão de compreensão e interpretação de texto e para a verificação da competência de escrita culta em nossa língua.
“O conto-do-vigário é o mais antigo gênero de ficção que se conhece. A rigor, pode-se crer que o discurso da serpente, induzindo Eva a comer o fruto proibido, foi o texto primitivo do conto.” Nesse segmento de uma crônica machadiana de A Semana, Machado de Assis cita o discurso da serpente como: