Gabriel Galípolo, presidente do Bancen, alerta para déficit de servidores. Foto: Senado Federal.
O presidente do Banco Central do Brasil (Bacen), Gabriel Galípolo, alertou nesta terça-feira (19) sobre a severa defasagem no quadro de pessoal da autarquia durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
A falta de servidores compromete diretamente a capacidade de fiscalização das instituições financeiras e reacende o debate sobre a urgência para a autorização de um novo concurso Bacen.
Detalhes sobre a Crise de Pessoal e Fiscalização no Bacen
De acordo com o presidente do Banco Central, a autarquia tem absorvido novas e complexas atribuições tecnológicas e de serviço, a exemplo da operação ininterrupta do sistema PIX (24 horas por dia, 7 dias por semana), sem o correspondente reforço no quadro funcional.
Galípolo ressaltou que a instituição atua com uma legislação defasada e um contingente insuficiente para garantir uma supervisão ampla e efetiva.
Ao abordar as limitações estruturais, o chefe da autoridade monetária ilustrou a necessidade de priorização de demandas.
Declarou aos parlamentares:
“Ciente que o cobertor é curto, a gente vai ter que escolher o que cobre e o que não cobre. A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco dizendo assim: não há cobertor para cobrir tudo”,
Comparativo Internacional e Previsão de Aposentadorias
Durante a audiência, foi traçado um paralelo entre a estrutura de supervisão brasileira e a de autoridades monetárias internacionais.
Galípolo apontou que, enquanto na Europa equipes compostas por 20 a 30 pessoas são designadas para auditar uma única instituição financeira, o cenário no Brasil possui o “sinal invertido”: um único servidor chega a ser responsável pela fiscalização de 20 a 30 instituições.
A situação operacional tende a sofrer impactos adicionais no curto prazo. Há a confirmação de que cerca de 100 servidores do setor de supervisão bancária devem se aposentar ainda este ano.
Com as saídas previstas, o contingente dessa área específica será reduzido de 600 para 500 profissionais, agravando a desproporção frente ao número crescente de entidades financeiras no mercado nacional.
Resumo da Situação do Concurso BACEN
Diante da contínua evasão de servidores por aposentadoria e do aumento exponencial das demandas tecnológicas e de fiscalização (como o ecossistema PIX e a regulação de novas instituições), a realização de um novo concurso público consolida-se como uma medida estrutural indispensável para o Banco Central.
A reposição do quadro funcional depende de aprovação governamental formal, e os candidatos interessados nas carreiras da autarquia devem manter o acompanhamento de futuras autorizações oficiais publicadas no Diário Oficial da União (DOU).