
Atualidades é a disciplina que transforma o mundo em objeto de estudo. Mais do que estar informado, o candidato precisa entender contextos, identificar conexões e reconhecer como os acontecimentos do presente se tornam questões de prova. É o conteúdo que nunca para de crescer.
Neste artigo: os debates trazidos pela “Semana do Cérebro” sobre déficit de atenção, diagnóstico impreciso de TDAH e os riscos da medicalização; e o terremoto na Venezuela, que reacende discussões sobre placas tectônicas, solidariedade internacional e o papel dos governos diante de tragédias.
Déficit de atenção não é falta de atenção
A “Semana do cérebro” aconteceu em Porto Alegre, no início do mês de junho, e reuniu especialistas do Brasil e do exterior em diversas áreas atreladas ao tema. Um desses especialistas, Rubens Wajnzstejsn, falou didaticamente sobre algumas confusões de nomenclatura em relação a déficit ou falta de atenção, diagnóstico impreciso de TDAH, medicalização, conscientização e banalização, por exemplo.
O que mudou? Ao longo dos anos, o maior acesso a diagnósticos tornou-se um excelente benefício para tratar muitas doenças, síndromes e transtornos.
No entanto, é preciso dar uma atenção especial às distorções geradas por diagnósticos rápidos e superficiais, além da subnotificação que, apesar do maior alcance, ainda é um problema sério em muitos lugares do Brasil e do mundo, seja por ignorância ou negação em relação aos sintomas, seja pela distância de grandes centros médicos, em que se concentra a maioria dos especialistas.
Como cai na prova? Propostas de redação como a discussão sobre a possível medicalização da vida já foram solicitadas e sempre devem figurar no radar de quem se prepara para processos seletivos. Além disso, o exemplo relacionando déficit e falta de atenção ao uso excessivo de telas na contemporaneidade é um argumento permanente sobre o tema e pode ser bem elaborado se associado às transformações da vida contemporânea.
Terremoto na Venezuela
Notícias dessa natureza geram ao menos duas reações no mundo inteiro: comoção e ação. Claro que também geram a neutralidade perigosa de quem não sente empatia nem age para fazer alguma coisa em favor de minimizar o desconforto de quem está sofrendo muito.
O que é muito digno de nota? As boas notícias depois da tragédia e da tristeza profunda: pessoas que se deslocam do mundo todo para ajudar, que enviam donativos do jeito que podem e grupos inteiros de peritos em suas especialidades, capazes de abandonar o conforto de seu renome e local de trabalho, para oferecer um pouco de alento a quem está sofrendo.
Além disso, a revolta visível da população local em relação ao governo que não agiu rapidamente após os terremotos, o que poderia ter possibilitado o salvamento de muito mais pessoas.
Como isso cai em prova ou pode ser utilizado? Quando há eventos assim, é possível que provas de geografia física cobrem questões relacionadas ao tipo de condições das placas tectônicas e as possibilidades de abalos sísmicos provocados por elas. Também é bastante comum haver solicitação de reflexões sobre comoção, empatia, diplomacia e outros comportamentos esperados de governos e dos indivíduos em geral em favor da evolução de nossa espécie.