Carregando...
Ir para o conteúdo principal

Questão: 387216 - ESPP - 2013 - BANPARÁ - Engenheiro Civil , ESPP - 2013 - BANPARÁ - Técnico em Informática - Desenvolvimento de Sistemas

Para responder às questões de 1 a 4, leia o texto abaixo.

AS MÃES DO CRACK

Drauzio Varella

Difícil avistar um grupo de usuários de crack em que

não haja uma menina grávida. Desviamos o olhar para não

correr o risco de encontrar o delas, embaçado pela escravidão

da dependência.

As razões que as levam a conceber um filho na miséria

em que se encontram são óbvias: crack é droga psicoativa de

uso compulsivo que destrói o caráter e subjuga o arbítrio. É

um experimento macabro da natureza que reduz seres humanos

à situação de animais de laboratório, condicionados a buscar,

a qualquer preço, a recompensa que a cocaína lhes traz.

Quando o adolescente rouba a aliança de casamento

da mãe viúva que pega três conduções para chegar ao trabalho,

não é por falta de amor, mas pela necessidade. É a premência

incoercível para sentir o baque da cocaína no cérebro, prazer

intenso e fugaz como o orgasmo, que o leva a arruinar o futuro

pessoal e a infernizar a vida dos familiares. Como bem

caracterizou um usuário:

- Doutor, pense no desespero de correr para o banheiro

no pior desarranjo intestinal. A compulsão do crack é cem

vezes pior.

No caso das meninas dependentes, contingente que

aumenta de forma assustadora, as conseqüências são mais

trágicas. Muitas vezes iniciadas antes de chegar à adolescência,

são elas as principais vítimas da crueldade das ruas para as

quais foram arrastadas.

Às desprovidas de talento e coragem para furtar,

assaltar ou pedir esmola, sobra o recurso derradeiro: vender

o corpo. A preço vil, porque transitam num ambiente social

formado por uma legião de desvalidos que perambula pelas

cracolândias sem destino nem banho, para quem sexo não é

prazer que chegue aos pés do crack.

No meio desse refugo social, quando conseguem vinte

reais por um programa é motivo de festa; caso contrário,

aceitam dez, o bastante para uma pedra. Em dias de menos

sorte, cobram cinco por uma sessão de sexo oral, provação

especialmente dolorosa, quando os lábios estão queimados

pelo cachimbo incandescente.

Esse é o cenário de horror em que engravidam.

Sem que tenham consciência de seu estado, as

primeiras semanas do desenvolvimento embrionário acontecem

sob o impacto da cocaína. Quando descobrem a gravidez, a

realidade dificilmente se altera.

Na Penitenciária Feminina, atendi uma moça, que aos

treze anos deu à luz numa calçada da rua Dino Bueno,

anestesiada pela droga, sem entender que aquelas cólicas

eram dores de parto.

Em São Paulo, a maioria das parturientes do crack é

encaminhada para o Hospital Maternidade Leonor Mendes de

Barros, na zona leste, que procurou se adaptar para atender

esse contingente que cresce a cada ano. Dez anos atrás, havia

um ou dois partos de usuárias por ano; agora, há pelo menos

um por semana.

Como tratar dos bebês, quando entram em crise de

abstinência? Que destino dar a eles, quando a mãe mora numa

cracolândia?

Por lei, a maternidade é obrigada a entrar em contato

com o Conselho Tutelar, que pode retirar o poder familiar da

mãe, caso a considere incapaz de cuidar do filho. O recémnascido

vai para uma creche, enquanto a Justiça procura

localizar alguém da família que se interesse em recebê-lo.

Quando a tentativa falha, a criança é enviada para adoção.

Separar a mãe do filho é experiência traumática que

costuma devolvê-la mais depressa para as ruas. Até a gravidez

seguinte, durante a qual continuará a usara droga. Elas assim

o fazem não porque sejam mães desnaturadas, mas porque

o crack é mais poderoso do que todas as vontades, mais forte

até do que o instinto materno.

Exigir que sob o domínio do crack lhes sobre

discernimento para a disciplina dos métodos contraceptivos

é arrogância dos ignorantes que desconhecem a ação

farmacológica da cocaína; é tripudiar sobre a desgraça alheia.

Existem anticoncepcionais injetáveis administrados a

cada três meses, ideais para esse tipo de situação. Como é

insensato esperar que a usuária procure os Serviços de Saúde,

não seria muito mais lógico levá-los até ela?

Antes que os defensores de ideologias medievais rotulem

como eugênica essa solução, vamos deixar claro que não

haveria necessidade de qualquer constrangimento, as

dependentes aceitariam de bom grado a oferta do

anticoncepcional. Elas não concebem filhos com o intuito de

viver os mistérios da maternidade.

Considere as afirmativas abaixo. I.O autor afirma que as meninas dependentes de crack não engravidam por vontade própria e que elas não têm o instinto materno. II.Os viciados em crack sentem necessidade do prazer intenso provocado pela droga e isso faz com que busquem todas as formas para conseguir as pedras. III.O autor defende a ideia da obrigatoriedade das injeções anticoncepcionais nas meninas viciadas. Está correto o que se afirma somente em

Carregando...
GABARITO: B
© Aprova Concursos - Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1482 - Curitiba, PR - 0800 727 6282