
Vale a pena estudar para o concurso Transpetro antes de o edital sair? A resposta honesta é que quem espera a publicação para começar costuma disputar o cadastro de reserva, não as vagas imediatas — e o motivo é o formato da prova, não a concorrência.
A Petrobras Transporte S.A. é a maior subsidiária do Sistema Petrobras e a responsável pela logística de petróleo, derivados, gás natural e biocombustíveis no país. Segundo o perfil institucional da companhia, ela opera aproximadamente 8,5 mil quilômetros de oleodutos e gasodutos, 46 terminais (21 terrestres e 25 aquaviários) e uma frota de 33 navios, com um quadro de 5.729 empregados.
Essa estrutura explica por que a seleção da empresa é dividida em dois universos completamente diferentes: o quadro de Terra, com cargos técnicos e de nível superior lotados em dutos, terminais e escritórios, e o quadro de Mar, com funções embarcadas que exigem registro na Marinha Mercante.
Este guia reúne tudo o que define a preparação: histórico das edições anteriores, etapas do processo seletivo, cargos e requisitos, remuneração, o comportamento da banca, o conteúdo programático real com o peso de cada disciplina, os temas mais cobrados, questões comentadas no padrão da organizadora e um plano de estudo por fases.
Por que o concurso Transpetro atrai tantos candidatos
Três fatores explicam o volume de inscrições. O primeiro é a remuneração. A companhia informou que as remunerações mínimas iniciais da próxima seleção podem chegar a R$ 15.034,81, além dos benefícios previstos em acordo coletivo.
O segundo é a amplitude de perfis aceitos. A seleção mais recente abriu vagas para nível médio técnico, nível superior e cargos embarcados, cobrindo desde Manutenção Mecânica e Química do Petróleo até Advocacia, Ciência de Dados, Medicina do Trabalho e Serviço Social.
O terceiro é a estabilidade prática do vínculo. O empregado é contratado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, e não pelo regime estatutário — mas atua em uma empresa de capital estatal, com plano de carreira formalizado, previdência complementar e programas de desenvolvimento profissional.
Há um quarto elemento, menos comentado e mais decisivo: a intermitência dos certames. Entre a edição de 2018 e a de 2023 passaram-se cinco anos. Entre a de 2023 e a próxima, mais dois. Quem não aproveita a janela espera muito.
Por outro lado, a disputa é real. A seleção de 2023 recebeu 71.799 inscrições para 1.656 oportunidades entre vagas imediatas e cadastro de reserva. A relação bruta, porém, engana: a competição efetiva acontece dentro de cada ênfase e de cada polo de trabalho, o que muda completamente a conta.
Uma ênfase de nível médio com uma vaga imediata no polo do Rio de Janeiro não é disputada por 71 mil pessoas. É disputada por quem tem o curso técnico exigido, o registro no conselho de classe e disponibilidade para aquela região. É por isso que a escolha da ênfase pesa mais do que a média de horas estudadas.
Histórico e cronologia do concurso Transpetro: as edições anteriores
A companhia foi criada em 12 de junho de 1998, por determinação do art. 65 da Lei nº 9.478/1997, a Lei do Petróleo, que obrigou a Petrobras a constituir uma subsidiária para operar e construir seus dutos, terminais marítimos e embarcações. Os primeiros ativos incorporados foram os navios da Frota Nacional de Petroleiros.
Desde então, os processos seletivos públicos seguiram um padrão reconhecível: organização pela Fundação Cesgranrio, divisão entre quadros de Terra e de Mar, publicação no Diário Oficial da União e validade curta.
A edição de 2018
Voltada ao quadro de Terra, ofertou 1.650 vagas, sendo 156 imediatas e 1.494 para cadastro de reserva. As inscrições ocorreram entre 9 de fevereiro e 7 de março, com taxas de R$ 47,00 para nível médio e R$ 67,00 para nível superior. O destaque foi Técnico de Administração e Controle Júnior, com 150 oportunidades.
A edição de 2023
Foi organizada em três editais. As inscrições correram de 29 de setembro a 30 de outubro, com taxas de R$ 70,00 (nível médio) e R$ 100,00 (nível superior). As provas objetivas foram aplicadas em 10 de dezembro de 2023, em treze cidades.
O Edital nº 01 tratou do quadro de Terra, nível médio, com 13 ênfases e 512 oportunidades. O Edital nº 02 cuidou do nível superior, com 28 ênfases e 720 oportunidades no cargo de Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. O Edital nº 03 reuniu o quadro de Mar, com dez cargos e 424 oportunidades.
O total somou 1.656 oportunidades — 207 vagas imediatas e 1.449 de cadastro de reserva. O resultado final do nível médio saiu em 5 de março de 2024; o do nível superior e o do quadro de Mar, em 2 de abril de 2024. Até fevereiro de 2025, a companhia já havia admitido 445 aprovados.
A validade do certame de nível médio venceu em 5 de março de 2026. As seleções de nível superior e do quadro de Mar expiraram em 2 de abril de 2026. Com os prazos encerrados, a empresa perdeu o instrumento legal para novas contratações e precisou abrir outra seleção.
A seleção seguinte
A próxima edição rompe com o modelo anterior em um ponto importante: serão quatro editais, não três. O quadro de Mar foi desdobrado em dois documentos — um para oficiais, outro para suboficiais e guarnição.
Os números autorizados são bem maiores: 281 vagas imediatas e 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades. É quase o dobro do volume da edição de 2023 e o maior quantitativo já registrado pela companhia.
| Edital | Área | Vagas imediatas | Cadastro de reserva |
|---|---|---|---|
| Nº 01 | Mar – Suboficiais e Guarnição | 89 | 1.780 |
| Nº 02 | Mar – Oficiais | 91 | 910 |
| Nº 03 | Terra – Nível Médio | 44 | 570 |
| Nº 04 | Terra – Nível Superior | 57 | 630 |
Duas novidades merecem atenção. A primeira é a aplicação da Lei nº 15.142/2025, que elevou de 20% para 30% a reserva destinada a pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas na administração federal direta e indireta, incluindo empresas públicas e sociedades de economia mista. A segunda é um mecanismo de paridade de gênero na composição da segunda fase.
Como funciona o concurso Transpetro: as etapas do processo seletivo
O desenho das etapas depende do edital, e a diferença entre eles é grande. Nos editais de Terra da seleção de 2023, houve etapa única de provas objetivas. No quadro de Mar, houve duas etapas: provas objetivas e, em seguida, exame de capacitação física.
Etapa de qualificação técnica
A prova objetiva se divide em dois blocos: Conhecimentos Básicos e Conhecimentos Específicos. Cada questão vale um ponto e apresenta cinco alternativas, de A a E, com uma única resposta correta.
O detalhe que elimina mais gente é a regra de aproveitamento. Segundo o edital de nível médio de 2023, era eliminado quem obtivesse aproveitamento inferior a 50% nos Conhecimentos Básicos, ou inferior a 50% nos Conhecimentos Específicos, ou ainda grau zero em qualquer matéria do bloco básico.
Não existe compensação entre blocos. Gabaritar o específico não salva quem zerou Matemática. E a classificação final considera apenas os pontos dos Conhecimentos Específicos — os básicos servem para eliminar e, no máximo, para desempate.
Exame de capacitação física
Aplicado a todos os cargos do edital de Mar, tem caráter eliminatório e consiste em dois testes: corrida de 12 minutos e natação. Na edição de 2023, exigia-se percorrer no mínimo 1.800 metros (masculino) ou 1.500 metros (feminino) na corrida, e nadar 25 metros em estilo livre, sem limite de tempo, em tentativa única.
Comprovação de requisitos e qualificação biopsicossocial
Depois da homologação, o aprovado é convocado para apresentar diplomas, certificados, registro em conselho de classe e demais documentos. Segue-se a avaliação de saúde admissional, com exames complementares. No quadro de Mar, há ainda teste toxicológico eliminatório, sem cabimento de recurso quanto ao resultado positivo.
Recursos
O prazo para recurso contra questões e gabaritos preliminares foi de dois dias, contados do dia seguinte à aplicação. A decisão sai coletivamente, junto com o resultado das objetivas, e a banca examinadora é a última instância.
Cargos, requisitos e atribuições no concurso Transpetro
A estrutura de cargos não se organiza por nome de função, mas por ênfase dentro de um cargo genérico. No nível médio, o cargo é Profissional Transpetro de Nível Médio – Júnior; no nível superior, Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. A ênfase escolhida na inscrição define o programa da prova e o requisito de formação.
| Característica | Quadro de Terra | Quadro de Mar |
|---|---|---|
| Lotação | Polos regionais definidos no edital | Qualquer navio da companhia |
| Requisito de entrada | Curso técnico ou superior na área | Registro como aquaviário e certificados da Marinha |
| Etapa física | Não prevista | Corrida de 12 minutos e natação |
| Idioma cobrado | Língua Inglesa (nível superior) | Inglês Técnico Marítimo ou Língua Inglesa |
Ênfases de nível médio
O edital mais recente do quadro de Terra prevê ênfases como Administração e Controle, Ambiental, Contabilidade, Dutos e Terminais, Enfermagem do Trabalho, Faixa de Dutos, Inspeção de Equipamentos e Instalações, Manutenção (Elétrica, Eletrônica, Instrumentação e Mecânica), Monitoramento Logístico, Naval, Projeto/Construção e Montagem, Química do Petróleo, Segurança e Suprimento de Bens e Serviços.
O requisito é curso técnico de nível médio na área correspondente, quase sempre com registro no respectivo Conselho de Classe e, em algumas ênfases, Carteira Nacional de Habilitação categoria B.
Vale um alerta: a lista de cursos aceitos é taxativa. Na ênfase Faixa de Dutos, por exemplo, o edital de 2023 admitia apenas técnico em Construção Civil, Geologia, Estradas ou Edificações. Formação próxima, mas fora da lista, elimina na etapa de comprovação de requisitos.
Ênfases de nível superior
O quadro de Terra abre para Administração, Advocacia, Análise Ambiental, Análise de Sistemas (Infraestrutura, Processos de Negócios, SAP e Segurança Cibernética), Ciência de Dados, Comercialização e Logística, Comunicação Social, Contabilidade, Enfermagem do Trabalho, oito modalidades de Engenharia, Medicina do Trabalho, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Química e Serviço Social.
Cargos embarcados
O edital de suboficiais e guarnição contempla Auxiliar de Saúde, Condutor Bombeador, Condutor Mecânico, Cozinheiro, Eletricista, Moço de Convés, Moço de Máquinas e Taifeiro. O de oficiais reúne Segundo Oficial de Máquinas e Segundo Oficial de Náutica, os dois maiores quantitativos imediatos da seleção.
Aqui a exigência é de outra natureza. É preciso estar registrado como aquaviário conforme a Norma da Autoridade Marítima, a Lei nº 9.537/1997 — a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário — e o Decreto nº 2.596/1998, que a regulamenta. Os certificados precisam ser emitidos pela Autoridade Marítima Brasileira; documentos estrangeiros não são aceitos.
As atribuições descritas em edital são detalhadas e vale lê-las antes de escolher. O Condutor Bombeador, por exemplo, responde pelas bombas de carga, pelas redes de carga e descarga, pelo equipamento de gás inerte e pela conexão dos mangotes nas operações de carga.
Quanto ganha um empregado da Transpetro: salário, benefícios e regime jurídico
Na seleção de 2023, o nível médio do quadro de Terra tinha salário básico de R$ 3.294,36, com garantia de remuneração mínima de R$ 5.563,90. O nível superior partia de remuneração mínima de R$ 12.739,70.
No quadro de Mar, a faixa variou de R$ 4.636,99 a R$ 12.731,70. Alguns exemplos: Auxiliar de Saúde tinha soldada básica de R$ 3.198,10 e remuneração mínima garantida de R$ 7.765,59; Condutor Bombeador e Condutor Mecânico, soldada de R$ 3.405,02 e mínimo de R$ 8.268,02.
Preste atenção na diferença entre salário básico (ou soldada) e remuneração mínima garantida. O segundo valor inclui adicionais e é o que efetivamente entra na conta. Comparar o básico de um edital com a garantia mínima de outro produz conclusões erradas.
Para a próxima seleção, a companhia informou remunerações mínimas iniciais de até R$ 15.034,81.
Benefícios
A empresa citou expressamente três itens: previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Os demais seguem o acordo coletivo vigente à época da admissão — e o edital deixa claro que o admitido faz jus ao que estiver valendo naquele momento, não ao que constava no edital.
Regime jurídico e carga horária
O contratado é celetista. Sujeita-se ao Plano de Carreira e Remuneração da companhia, às Normas de Recursos Humanos, ao Código de Conduta Ética e aos planos de Desenvolvimento de Recursos Humanos, que abrangem programa de formação, cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação.
Duas cláusulas contratuais costumam surpreender. A primeira: havendo necessidade, o empregado pode ser transferido para qualquer unidade da Federação, independentemente do local de admissão. A segunda: o custo da mudança para localidade diversa do domicílio é do próprio candidato.
No quadro de Mar, a lógica é diferente — o polo é nacional, a lotação é em qualquer navio da frota, e o admitido pode ser convocado imediatamente para tripular. O regime de embarque é compensado por folgas prolongadas.
Como sociedade sob controle estatal, a companhia observa a Lei nº 13.303/2016, a Lei das Estatais, que rege licitações, governança e o próprio dever de selecionar pessoal por processo seletivo público.
A banca Cesgranrio e o modo como ela cobra no concurso Transpetro
A Fundação Cesgranrio é a organizadora histórica das seleções do Sistema Petrobras. Conhecer o comportamento dela vale tanto quanto conhecer o conteúdo, e a preparação melhora bastante quando o candidato entende o perfil da banca Cesgranrio antes de escolher o material.
O formato
Múltipla escolha com cinco alternativas (A a E) e resposta única. Não há Certo/Errado. Não há pontuação negativa: questão errada não anula questão certa. Questão anulada tem o ponto atribuído a todos os candidatos que fizeram a prova.
A distribuição de assuntos
A característica mais marcante é a amplitude. A banca costuma distribuir as questões por todo o programa, em vez de concentrar em três ou quatro tópicos. Deixar 20% do edital de fora, com essa organizadora, custa mais caro do que com bancas que repetem os mesmos temas.
Em Língua Portuguesa há uma previsibilidade útil: a ordem dos assuntos tende a se repetir de prova para prova. Interpretação abre o bloco; itens de gramática aplicada aparecem em posições parecidas. Isso permite treinar a sequência, não só o conteúdo.
O estilo do enunciado
Os enunciados são objetivos, mas as alternativas são próximas entre si. A banca não constrói pegadinhas de linguagem — constrói distratores tecnicamente plausíveis, que só caem quando o candidato domina o conceito. Trabalha com doutrina majoritária e evita ambiguidade, o que reduz o volume de anulações.
Nas disciplinas técnicas, o padrão é a aplicação. Em vez de perguntar a definição de perda de carga, a banca descreve uma linha de bombeamento e pede a consequência de alterar a vazão. Quem decorou fórmulas sem entender comportamento erra.
Outro ponto: a organizadora reaproveita a lógica do próprio banco de itens. Questões muito semelhantes reaparecem em certames diferentes do mesmo grupo de empresas. Resolver provas anteriores da casa rende mais aqui do que em qualquer outro lugar — e é por isso que vale mapear o estilo de cobrança da banca nas provas da companhia desde a primeira semana de estudo.
Duração e critérios de desempate
Na edição de 2023, o nível médio teve 4 horas de prova; o nível superior, 4h30, exceto Advocacia, com 5h30 por causa da prova discursiva. Os cargos de oficial tiveram 4h30; os demais cargos de Mar, 4 horas.
O desempate seguiu esta ordem: idade igual ou superior a 60 anos; maior pontuação em Conhecimentos Básicos; maior pontuação em Língua Portuguesa; maior idade; e exercício efetivo da função de jurado. Persistindo o empate, a banca chega a convocar o candidato para apresentar certidão de nascimento e conferir o horário do nascimento.
Esse último critério tem uma consequência prática ignorada: o comprovante de jurado precisa ser enviado no ato da inscrição. Quem lembra depois perde o critério.
Conteúdo programático e peso de cada disciplina
O peso não é uniforme entre os editais, e entender a distribuição é o primeiro passo para dividir o tempo. Montar um edital verticalizado com esses números na frente evita a armadilha de estudar tudo com a mesma intensidade.
Terra – nível médio
Etapa única com 60 questões: 20 de Conhecimentos Básicos e 40 de Conhecimentos Específicos. Os básicos se dividiram em Língua Portuguesa (10) e Matemática (10). Ou seja: dois terços da prova são conteúdo técnico da ênfase, e é só esse bloco que classifica.
Terra – nível superior
70 questões: 20 de Conhecimentos Básicos e 50 de Conhecimentos Específicos. O bloco básico trocou Matemática por idioma — Língua Portuguesa (10) e Língua Inglesa (10). O conteúdo específico responde por mais de 70% da prova.
Para a ênfase Advocacia houve, além da objetiva, prova discursiva.
Mar – oficiais
70 questões: 20 básicas — Língua Portuguesa (10) e Língua Inglesa (10) — e 50 específicas. É a prova mais longa do quadro embarcado e a de maior densidade técnica.
Mar – suboficiais e guarnição
Aqui houve duas configurações. Para Auxiliar de Saúde, Cozinheiro, Moço de Convés, Moço de Máquinas e Taifeiro: 40 questões, sendo 10 de Língua Portuguesa e 30 de Conhecimentos Específicos.
Para Condutor Bombeador, Condutor Mecânico e Eletricista: 50 questões, com 10 de Língua Portuguesa, 10 de Inglês Técnico Marítimo e 30 de Conhecimentos Específicos.
O que essa distribuição comunica
O específico decide a classificação em todos os editais, sem exceção. Mas o básico decide a permanência — e uma matéria zerada anula todo o resto. É a única disciplina em que a nota que importa não é a média, e sim o piso.
Uma proporção que funciona na prática para dividir a semana: 60% em Conhecimentos Específicos, 25% em Língua Portuguesa e 15% em idioma. Se você domina uma disciplina básica, reduza a fatia dela — nunca a zere.
Quais são os temas mais cobrados em cada disciplina
O programa publicado nos editais anteriores é a melhor fonte disponível, porque a banca cobre o edital inteiro e porque esses conteúdos são estáveis entre edições.
Língua Portuguesa
O programa de nível médio de 2023 listou oito itens: compreensão de textos de gêneros variados, ortografia oficial, mecanismos de coesão textual, emprego das classes de palavras, concordância nominal e verbal, emprego do sinal indicativo de crase, sinais de pontuação e significação das palavras.
Três deles concentram a maior parte dos pontos: compreensão de texto, coesão e crase. Coesão aparece com frequência na forma de substituição de conectivos e de identificação do referente de um pronome. Crase aparece em bateria de alternativas, cada uma com um contexto diferente.
A recomendação prática é estudar gramática dentro de texto, não em lista de regras. Quem trabalha Português para concurso partindo da interpretação chega mais rápido aos pontos de coesão e pontuação, que são justamente os mais cobrados.
Matemática
Dez blocos no programa de nível médio: conjuntos numéricos; razão e proporção com regra de três e porcentagem; funções polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas; equações; análise combinatória; probabilidade em espaços equiprováveis; estatística básica com medidas de tendência central e de dispersão; matemática financeira com juros simples e compostos; geometria plana; e geometria espacial.
Na prática, porcentagem, razão e proporção, matemática financeira e estatística básica rendem mais pontos por hora estudada. São temas de aplicação direta e alta recorrência. Trigonometria e análise combinatória aparecem, mas com menor frequência.
Quem tem base fraca ganha mais começando pelas operações e pela leitura de gráficos e tabelas — e o roteiro de como estudar Matemática para concurso ajuda a estabelecer essa ordem sem pular etapas.
Língua Inglesa
Cobrada no nível superior e nos cargos de oficial. O recorte é leitura de textos técnicos e vocabulário da área de energia, logística e segurança operacional. Não é prova de gramática avançada: é prova de compreensão.
É, também, o item que mais elimina candidato tecnicamente bem preparado. Responde melhor a frequência do que a volume: sessões curtas e diárias superam maratonas semanais.
Inglês Técnico Marítimo
Recorte específico dos cargos de Condutor Bombeador, Condutor Mecânico e Eletricista. Envolve terminologia de bordo, procedimentos de segurança, nomenclatura de equipamentos e comunicação operacional. Material genérico de inglês não cobre isso.
Conhecimentos Específicos
Aqui a variação é total, porque o programa muda por ênfase. Alguns exemplos concretos do edital de nível médio de 2023 mostram a profundidade exigida.
Dutos e Terminais
O programa listou 38 itens, incluindo instrumentação e simbologia, sistemas de malha aberta e fechada, medição de pressão, temperatura, nível e vazão, mecânica dos fluidos com perda de carga em tubulações, transmissão de calor, resistência dos materiais, termodinâmica básica, bombas centrífugas e alternativas, compressores, permutadores casco/tubo, química geral e orgânica, operações unitárias e noções de processos de refino.
Manutenção – Elétrica
Dez blocos: simbologia e diagramas, circuitos CC e CA com Kirchhoff, Thévenin e Norton, potência ativa/reativa/aparente e fator de potência, circuitos monofásicos e trifásicos, máquinas elétricas, segurança e higiene do trabalho, medidas elétricas, instalações de baixa e média tensão, automação com controladores lógicos programáveis, e normas — com menção nominal à ABNT NBR-5410 e à NR-10.
Ambiental e Inspeção de Equipamentos
Em Ambiental, onze blocos, com um capítulo inteiro dedicado a legislação aplicada, citando leis federais e resoluções do CONAMA uma a uma. Em Inspeção de Equipamentos e Instalações, 31 itens, de metrologia e conversão de unidades a diagrama de equilíbrio ferro-carbono, tratamentos térmicos e ensaios mecânicos destrutivos e não destrutivos.
O padrão é claro: o programa é longo, nomeado item por item, e a banca distribui questões por toda a extensão. Não há como escolher três tópicos e ignorar os outros trinta.
A legislação e o conteúdo específico decidem a prova
Este é o ponto que a maioria dos candidatos subestima, e é onde a aprovação se define.
Português, Matemática e Inglês nivelam. Todo mundo estuda essas disciplinas, o material é abundante, e a diferença entre um candidato mediano e um candidato bom nessas matérias é de dois ou três pontos. O bloco de Conhecimentos Específicos, que vale 40 ou 50 pontos e é o único que classifica, produz diferenças de quinze, vinte pontos.
Por que o específico concentra a variação
Três razões. A primeira é aritmética: o bloco vale mais. A segunda é a amplitude do programa — quanto maior a lista de tópicos, maior o espaço entre quem cobriu tudo e quem cobriu parte. A terceira é a ausência de material padronizado.
Existe apostila nacional de Português. Não existe apostila nacional de “Química do Petróleo com foco em terminais aquaviários”. É nessa lacuna que a classificação se decide.
A legislação que o edital cobra nominalmente
Uma parcela expressiva do conteúdo específico é legislação e norma técnica citada com número. Não é “noções de direito ambiental”: é o dispositivo, pelo nome.
Ênfases ambientais
O programa de 2023 nomeou, entre outras, a Lei nº 6.938/1981, da Política Nacional do Meio Ambiente; a Lei nº 12.305/2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos; e a Lei nº 9.966/2000, que trata da prevenção, controle e fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo em águas sob jurisdição nacional.
Somam-se resoluções do CONAMA identificadas uma a uma — sobre licenciamento ambiental, classificação de águas superficiais, descarte de efluentes, áreas contaminadas, padrões de qualidade do ar, plano de emergência individual, uso de dispersantes químicos e queima controlada emergencial em incidentes com óleo no mar.
Ênfases de manutenção e segurança
O eixo normativo muda para as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. A NR-10, de segurança em instalações e serviços em eletricidade, foi citada nominalmente no programa de Manutenção – Elétrica.
Cargos embarcados
O eixo é a legislação marítima: a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário, o regulamento que a detalha, as Normas da Autoridade Marítima e a Convenção do Trabalho Marítimo, referida no edital de Mar de 2023 junto com a NR-30.
A armadilha da norma desatualizada
Aqui está o erro mais caro da preparação técnica. Normas mudam, e o PDF que circula pela internet raramente é a versão vigente.
A NR-10 é o exemplo do momento: passou por sua revisão mais profunda em duas décadas, aprovada em dezembro de 2025 e formalizada pela Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, com prazo de adequação até junho de 2027. A revisão reestruturou a norma, padronizou conceitos operacionais, criou obrigatoriedade de procedimentos para atividades rotineiras e incluiu explicitamente o gerenciamento do risco de arco elétrico ao lado do choque elétrico.
Quem estudar por material anterior a essa revisão estuda uma norma que não existe mais. E os editais são expressos: legislação com entrada em vigor após a publicação do edital não é objeto de avaliação, salvo se listada no programa. A leitura inversa também vale — o que já estava vigente na data do edital é cobrável.
A regra prática é simples: para toda norma nomeada no programa, confira a versão vigente na fonte oficial e verifique se houve alteração posterior. Marque a data da consulta ao lado do arquivo.
O custo de garimpar material solto
Descreva a rotina de quem monta sozinho o conteúdo específico de uma ênfase técnica. Baixa PDFs de origens diversas, sem saber qual está atualizado. Encontra apostilas compiladas por terceiros, com trechos de normas revogadas.
Procura questões sobre instrumentação industrial no padrão da organizadora e acha meia dúzia. Faz resumos sem referência de importância — trata com o mesmo peso um tópico que apareceu em três provas e outro que nunca apareceu.
Três semanas depois, descobre que uma portaria alterou justamente o item que decorou. Não tem revisão organizada, não tem flashcard, não tem mapa mental. Tem uma pasta de arquivos.
O que muda quando o conteúdo já vem reunido em um só lugar não é o volume de informação — é a ordem. Teoria, texto normativo atualizado e questões da mesma banca organizados por importância, com revisão programada. O candidato deixa de gastar tempo decidindo o que estudar e passa a gastar tempo estudando.
Essa diferença aparece muito nas seleções do grupo, e o gargalo é sempre parecido: candidatos tecnicamente sólidos que trataram a parte normativa como decoreba de última hora. Vale ler como isso se manifesta nas provas de legislação das estatais do setor, porque a lógica de cobrança é a mesma.
O que priorizar dentro do programa
Se o programa nomeia uma norma inteira, comece pelos capítulos de aplicação prática. Se nomeia dispositivos específicos, esses vêm primeiro e são revisados com o dobro da frequência.
Dentro dos conteúdos técnicos, priorize nesta sequência:
- fundamentos que atravessam vários itens (unidades e conversões, mecânica dos fluidos, eletricidade básica);
- equipamentos e processos;
- normas e legislação aplicada;
- tópicos periféricos citados uma única vez no programa.
Como estudar o conteúdo específico do cargo
A primeira decisão não é o material. É a ênfase.
Escolha a ênfase antes de comprar qualquer coisa
Escolher pelo número de vagas é o erro clássico. A ênfase precisa combinar com a sua formação, porque o requisito de admissão é documental e inegociável: curso técnico ou superior na lista, registro no conselho, em alguns casos CNH categoria B.
Vagas de Manutenção – Mecânica e Dutos e Terminais concentram os maiores quantitativos no quadro de Terra. Mas concorrer a elas sem o curso técnico correspondente é gastar seis meses para ser eliminado na comprovação de requisitos — razão pela qual todo plano de estudos para a Transpetro começa pela escolha da ênfase, não pela grade de horários.
Trabalhe a partir do programa, não do sumário do livro
Transcreva o programa da sua ênfase item por item e transforme em checklist. Cada item recebe três marcações: estudei, resolvi questões, revisei. Essa planilha é o seu mapa de cobertura — e ela expõe rapidamente os tópicos que você vem evitando.
Estude do fundamento para a aplicação
Nas ênfases técnicas, muitos itens do programa se apoiam nos mesmos fundamentos. Metrologia, Sistema Internacional de Unidades e conversão aparecem em Dutos e Terminais, em Inspeção e em Instrumentação. Resistência dos materiais reaparece em três ênfases diferentes.
Estudar esses fundamentos primeiro reduz o tempo dos tópicos seguintes. Estudar de cima para baixo, começando pelos equipamentos, obriga a voltar atrás.
Resolva questões desde a primeira semana
Não espere terminar a teoria. Estude o tópico, resolva questões daquele tópico no mesmo dia e registre os erros em um caderno separado. A prática de estudar por questões desde o início antecipa a percepção de como a banca cobra e evita o acúmulo de teoria não testada.
Priorize itens da própria organizadora. Se o volume de questões da sua ênfase for pequeno, amplie para provas de outras empresas do mesmo grupo e para bancas com formato semelhante de múltipla escolha em cinco alternativas.
Não trate as básicas como secundárias
Por causa da regra de aproveitamento mínimo por bloco e da eliminação por grau zero, Português, Matemática e Inglês não saem da rotina. Reduza a fatia, jamais elimine. Um candidato com 45 de 50 no específico e nota zero em Inglês está fora.
Como transformar o conteúdo específico em acertos
Saber o conteúdo e pontuar são coisas diferentes. Esta seção trata da conversão.
Leia o texto normativo por blocos temáticos
Norma e lei não se leem de ponta a ponta como se lê um capítulo de livro. Leem-se por blocos: definições, obrigações, procedimentos, prazos, penalidades. Cada bloco pede um tipo de memória diferente e um tipo de questão diferente.
Comece pelas definições. Elas são a base de tudo e a banca cobra muito. Depois vão os procedimentos e as competências. Prazos e penalidades ficam para o fim, porque são os itens que mais se perdem sem revisão.
Grife por hierarquia, não por importância percebida
Use marcações diferentes para artigo, parágrafo, inciso e alínea. Quando a questão citar “conforme o art. 4º, inciso III”, você localiza a estrutura de cabeça. Grifar tudo da mesma cor produz uma página colorida e nenhuma hierarquia.
Monte quatro tabelas
Essas quatro estruturas resolvem a maior parte das questões de norma:
- Prazos — recursos, validade de certificados, períodos de adequação;
- Competências — quem faz o quê, em qual órgão;
- Penalidades — infração, sanção correspondente e gradação;
- Classificações — grupos, categorias, tipos e níveis.
Uma tabela de classificação dos grupos de aquaviários, por exemplo, responde sozinha a várias questões possíveis do quadro de Mar. Faça as tabelas você mesmo, com o texto aberto, e depois refaça com o texto fechado. O esforço de reconstruir é o que fixa.
Compare normas parecidas
Quando duas normas tratam do mesmo instituto, estude-as em paralelo e registre as diferenças. A banca gosta de trocar um requisito de uma pelo requisito de outra. Quem estudou separadamente confunde; quem comparou reconhece o distrator na hora.
Produza suas próprias questões
Pegue um artigo e escreva três itens: um verdadeiro, um com o número alterado, um com a competência trocada de órgão. Você acabou de reproduzir os três distratores mais comuns da banca — e vai reconhecê-los na prova.
Traduza a teoria técnica em comportamento
Nas disciplinas de engenharia e manutenção, a banca não pede definição: pede consequência. Aumentei a vazão, o que acontece com a perda de carga? Reduzi o diâmetro, o que acontece com a velocidade? Mudei o tipo de bomba, o que muda na curva?
Para cada conceito estudado, escreva uma frase de comportamento: “se X aumenta, Y varia assim, porque…”. Um caderno com cinquenta frases dessas vale mais do que cinquenta páginas de fórmulas.
Faça simulados no tempo real
As provas têm entre 40 e 70 questões e duração de quatro horas ou mais. Um simulado completo a cada duas ou três semanas, cronometrado e sem pausas, revela o que nenhum exercício isolado revela: onde o seu ritmo quebra.
O valor está na correção comentada, não na nota. Cada erro precisa ser classificado em uma de três categorias: não sabia, sabia e errei por leitura, sabia e errei por tempo. As três pedem tratamentos diferentes.
Registre e reaproveite os erros
Caderno de erros não é lista de questões erradas. É lista de motivos. Ao lado de cada item, escreva o conceito que faltou. Revise esse caderno a cada duas semanas e resolva novamente as questões que motivaram o registro.
Se o mesmo motivo aparecer três vezes, o problema não é a questão — é o tópico. Volte à teoria daquele item específico, não do capítulo inteiro.
Estudar em seis formatos: o que muda na retenção
Estudar o mesmo conteúdo cinco vezes pelo mesmo caminho não é revisão: é releitura. O ganho aparece quando o mesmo assunto entra por vias diferentes, porque cada via cobra um tipo distinto de recuperação da memória.
Questões
O formato que revela o que você realmente sabe, e o único que reproduz a situação da prova. Use desde o primeiro dia, não como etapa final. Rende em qualquer conteúdo, mas rende especialmente em legislação e em conceitos técnicos de aplicação, porque expõe o distrator que você não tinha percebido.
Um exemplo prático: depois de estudar bombas centrífugas, resolva itens sobre curva característica antes de avançar para compressores. O erro de hoje custa menos que o erro no dia da prova.
PDF interativo
Leitura ativa, com marcação, anotação e navegação por tópicos. É o formato mais produtivo para texto normativo e para conteúdo específico denso, porque permite grifar por hierarquia, escrever a paráfrase ao lado do artigo e voltar ao ponto exato semanas depois.
Funciona bem para a legislação ambiental cobrada nas ênfases de meio ambiente e para as normas técnicas das ênfases de manutenção.
Videoaula
Serve ao primeiro contato com assunto difícil e para desatar nós conceituais. A explicação conduz o raciocínio, o que ajuda quando você trava em um tema.
Termodinâmica, transmissão de calor, teoremas de Thévenin e Norton, controle em malha fechada: são tópicos em que assistir antes de ler economiza horas. O erro comum é acumular videoaula e PDF sobre o mesmo assunto e nunca chegar às questões.
Flashcards
O formato certo para o que precisa vir automático: prazos, números, competências, classificações, definições e valores de referência. Frente com a pergunta, verso com a resposta e a fonte.
Exemplos que rendem: distâncias mínimas do exame de capacitação física; grupos de aquaviários; percentuais de reserva de vagas; medidas de tendência central; escalas de temperatura e conversões. Revise em intervalos crescentes, não em blocos.
Audiocast
Reaproveitamento de tempo morto. Trânsito, caminhada, tarefas domésticas, academia. Não substitui estudo ativo, mas transforma quarenta minutos perdidos em uma passada de revisão auditiva.
Rende mais com conteúdo que você já estudou e com temas de natureza descritiva: atribuições de cargos, princípios de gestão ambiental, procedimentos de segurança. Rende pouco com cálculo.
Mapas mentais
Visão de conjunto e hierarquia entre institutos. É o formato de revisão de véspera e o melhor recurso para programas longos, porque mostra em uma página a estrutura que o PDF mostra em quarenta.
Um mapa dos dez blocos de Manutenção – Elétrica, com os subitens de cada um, faz o candidato perceber de imediato quais ramos ainda estão vazios.
A amarração dos seis
O mesmo artigo lido no PDF, ouvido no audiocast, visto no mapa mental, testado no flashcard e cobrado na questão produz retenção muito superior à quinta leitura do mesmo resumo. Não é questão de gosto pessoal por um formato: é o efeito de recuperar a informação de maneiras diferentes.
Aplique aos conteúdos que mais pesam. Para o seu bloco de Conhecimentos Específicos, use todos os seis. Para as disciplinas básicas, dois ou três bastam.
Plano de estudo por fases e cronograma para o concurso Transpetro
Um plano funciona quando espelha o peso dos blocos e admite semanas irregulares. Se você nunca montou um, os modelos de cronograma de estudos por ciclo servem de ponto de partida.
Fase 1 — Diagnóstico e escolha (1 semana)
Defina a ênfase e confirme que você atende ao requisito documental. Baixe o programa da ênfase correspondente na seleção anterior. Resolva uma prova completa da banca, cronometrada, sem ter estudado nada. A nota não importa; o mapa de lacunas, sim.
Fase 2 — Fundamentos (6 a 8 semanas)
Cubra os fundamentos que atravessam vários itens do programa e estabeleça a rotina das básicas. Aqui a proporção pode ser mais equilibrada: 50% específico, 30% Português, 20% idioma.
Comece a resolver questões no mesmo dia do estudo. Abra o caderno de erros. Monte as primeiras tabelas.
Fase 3 — Cobertura do programa (10 a 14 semanas)
O bloco mais longo. Avance item por item do programa da ênfase, marcando o checklist. Proporção: 60% específico, 25% Português, 15% idioma.
Prefira um ciclo a uma grade fixa por dia da semana. No ciclo, você lista as matérias em sequência e avança de onde parou; perder um dia atrasa o ciclo, mas não desmonta o plano. Grade fixa quebra na primeira semana atípica.
Modelo de ciclo semanal (cerca de 20 horas)
- Conhecimentos Específicos — 6 sessões de 1h30, com teoria e questões no mesmo bloco;
- Língua Portuguesa — 3 sessões de 1h, com interpretação e norma aplicada em texto;
- Idioma — 4 sessões de 30 minutos, com leitura de texto técnico e vocabulário;
- Revisão ativa — 3 sessões de 45 minutos, refazendo questões erradas;
- Simulado — 1 a cada duas semanas, em tempo integral.
Fase 4 — Legislação, normas e aprofundamento (4 a 6 semanas)
Feche a parte normativa com a versão vigente conferida na fonte oficial. Complete as quatro tabelas. Produza as próprias questões a partir dos dispositivos que o programa nomeia.
Aumente o volume de questões: 60% do tempo resolvendo, 40% revisando o que os erros apontaram.
Fase 5 — Simulados e ajuste fino (3 a 4 semanas)
Dois simulados completos por semana, no tempo real do seu edital. Se você concorre a cargo embarcado, o preparo físico entra aqui com prioridade — corrida e natação não se improvisam em duas semanas.
Fase 6 — Reta final (2 semanas)
Nada de conteúdo novo. Revise apenas quatro coisas: as tabelas de prazos, competências, penalidades e classificações; os mapas mentais; os flashcards; e o caderno de erros. Resolva questões só dos temas em que ainda erra.
Se o prazo for menor
Corte pela ordem inversa dos pesos, nunca pela ordem inversa da dificuldade. Reduza Matemática ao essencial — porcentagem, razão e proporção, matemática financeira e leitura de gráficos. Mantenha idioma, porque o piso de aproveitamento não perdoa. E preserve o específico integralmente: é o bloco que classifica.
Se você trabalha em tempo integral
Não precisa de outro plano, e sim do mesmo em escala menor. Reduza a duração das sessões, não a frequência: quatro sessões de 45 minutos rendem mais que uma de três horas no domingo.
O deslocamento vira bloco de questões no celular; o intervalo do almoço, revisão de flashcards. Vários dos ajustes descritos no guia de como estudar para concurso se aplicam direto aqui. O único item que não deve ser sacrificado é o simulado.
Revisão espaçada e memorização de longo prazo
Revisar não é reler. É tentar lembrar sem olhar.
A distinção tem base experimental. Grupos que continuam sendo testados sobre um conteúdo já aprendido retêm muito mais do que grupos que apenas reestudam o mesmo material — e reestudar depois de já ter aprendido praticamente não altera a lembrança posterior.
Um esquema simples e suficiente: primeira revisão em 24 horas, segunda em 7 dias, terceira em 30 dias e, a partir daí, manutenção por questões. Reserve cerca de 30% do tempo total de estudo para revisão.
O formato importa. Feche o material e escreva de memória o que consegue lembrar; depois confira. Isso é recuperação ativa, e é o que consolida. Reler o resumo produz sensação de domínio sem produzir domínio.
Dois cuidados finais. O primeiro: revisão precisa estar no cronograma desde a primeira semana, não no fim — quem deixa para depois perde o conteúdo do início. O segundo: sono e descanso fazem parte do plano, porque a consolidação da memória depende deles.
Três questões comentadas no padrão da banca
As questões a seguir foram elaboradas no formato exato da organizadora — múltipla escolha com cinco alternativas —, com o nível de dificuldade e o tipo de cobrança observados em provas anteriores da companhia.
Questão 1 — Legislação marítima: classificação dos aquaviários
De acordo com o Regulamento de Segurança do Tráfego Aquaviário em Águas sob Jurisdição Nacional, os tripulantes que operam embarcações classificadas para a navegação em mar aberto, apoio portuário e navegação interior em canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas marítimas consideradas abrigadas integram o grupo dos:
- fluviários
- marítimos
- pescadores
- mergulhadores
- agentes de manobra e docagem
Gabarito: B
Comentário: o regulamento abre justamente pela classificação do pessoal e define o 1º Grupo como o dos marítimos, com a descrição reproduzida no enunciado. Os fluviários compõem o 2º Grupo e operam embarcações classificadas para a navegação interior — o distrator mais atrativo, porque a definição dos marítimos também menciona navegação interior, mas apenas nas áreas abrigadas listadas. Pescadores, mergulhadores e agentes de manobra e docagem formam grupos próprios e distintos, sem relação com o critério de navegação em mar aberto. O erro mais comum é escolher “fluviários” pela presença da expressão “navegação interior” no enunciado, ignorando a delimitação. A banca repete esse padrão em toda cobrança de classificação normativa: transcreve quase literalmente a definição de um item e oferece, como distrator principal, o item vizinho da mesma lista. A defesa é montar a tabela completa da classificação e memorizar o critério que separa cada grupo, não apenas o nome de cada um.
Questão 2 — Dutos e Terminais: perda de carga em tubulações
Em um oleoduto de seção circular constante, com escoamento em regime turbulento de um líquido incompressível, a vazão bombeada é aumentada, mantidas as demais condições operacionais. Em relação à perda de carga distribuída ao longo da linha, esse aumento provoca:
- redução proporcional ao aumento da vazão
- aumento aproximadamente proporcional ao quadrado da vazão
- aumento proporcional à raiz quadrada da vazão
- nenhuma alteração, pois a seção permanece constante
- redução proporcional ao quadrado da vazão
Gabarito: B
Comentário: em regime turbulento, a perda de carga distribuída cresce aproximadamente com o quadrado da velocidade média do escoamento. Como a seção é constante, a velocidade é proporcional à vazão — logo, a perda de carga cresce aproximadamente com o quadrado da vazão. As alternativas A e E invertem o sentido físico: aumentar a vazão nunca reduz a perda de carga em linha de seção fixa. A alternativa C confunde a relação quadrática com a raiz, erro típico de quem memorizou a fórmula sem entender a dependência. A alternativa D é a mais escolhida por quem lê “seção constante” e conclui que nada muda: a seção fixa a área, não a velocidade. Este é o comportamento característico da banca nas disciplinas técnicas — em vez de pedir a definição de perda de carga, descreve uma operação e cobra a consequência. Estude cada conceito na forma “se X varia, Y responde assim, porque…”.
Questão 3 — Língua Portuguesa: emprego do sinal indicativo de crase
Assinale a opção em que o sinal indicativo de crase está empregado corretamente.
- O navio chegou à Santos com quatro horas de atraso.
- A carga foi entregue à distribuidora contratada pelo terminal.
- Os técnicos estão dispostos à colaborar com a inspeção.
- Refiro-me à qualquer terminal aquaviário da companhia.
- O relatório de inspeção foi enviado à ela ainda ontem.
Gabarito: B
Comentário: em B, ocorre a fusão da preposição “a”, exigida por “entregue a”, com o artigo definido feminino que acompanha “distribuidora” — contexto clássico de crase. Em A, o topônimo não admite artigo, o que se verifica pelo teste “voltei de Santos”; sem artigo, não há crase. Em C, o sinal aparece diante de verbo no infinitivo, posição em que a crase é sempre indevida. Em D, “qualquer” é pronome indefinido e não admite o artigo feminino. Em E, o sinal precede pronome pessoal, outra posição vedada. O erro mais comum é marcar A, por associar nome próprio feminino a crase automática. A organizadora repete esse desenho: cinco alternativas, cada uma testando uma regra diferente do mesmo tópico. Treinar por bateria de contextos, e não por lista de regras, é o que faz diferença nessa questão.
Os erros que mais eliminam candidatos
- Escolher a ênfase pelo número de vagas. O requisito documental é conferido e é eliminatório. Quantidade de vagas não compensa a ausência do curso técnico exigido ou do registro no conselho.
- Tratar as disciplinas básicas como secundárias. É o erro mais caro do certame, pela regra de aproveitamento mínimo por bloco e pela eliminação por grau zero em qualquer matéria dos básicos.
- Estudar por material desatualizado. Norma revisada torna obsoleto o resumo. Confira a versão vigente na fonte oficial e registre a data da consulta.
- Deixar a legislação e as normas técnicas para o fim. Prazos, competências e classificações precisam de repetição espaçada. Compactar tudo nas duas últimas semanas produz esquecimento no dia da prova.
- Começar pela teoria completa. Postergar as questões atrasa a percepção do que a banca cobra de verdade e cria a sensação falsa de progresso.
- Esquecer os detalhes operacionais da inscrição. Comprovante de jurado enviado fora do ato da inscrição não vale. Laudo de deficiência fora do prazo não vale. Pagamento após o vencimento cancela a inscrição.
- Subestimar o preparo físico, no quadro de Mar. O exame de capacitação física é eliminatório, tem tentativa única na natação e não admite segunda chamada.
Falta um item que merece parágrafo próprio: ignorar as provas anteriores da própria banca. A organizadora reaproveita a lógica do próprio banco de itens, e há um mapeamento útil dos erros que custam a aprovação nas estatais do setor que se aplica quase integralmente aqui.
O dia da prova: leitura do enunciado e uso do tempo
Chegue com uma hora de antecedência, com o cartão de confirmação impresso, o documento de identidade original com foto e caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Portões fechados não reabrem, e não há segunda chamada.
Celular e demais eletrônicos vão para o envelope porta-objetos, desligados, lacrados sob a carteira. Relógio de qualquer natureza também. O descumprimento elimina.
Sobre o uso do tempo: comece pelo bloco de Conhecimentos Específicos. É o que classifica e o que exige mais lucidez. Deixe as básicas para a segunda metade, quando o cansaço já apareceu e a exigência cognitiva é menor.
Leia o enunciado até o fim antes de olhar as alternativas. Com essa banca, as opções são próximas entre si, e quem lê o enunciado pela metade escolhe a alternativa que “parece” certa.
Reserve os últimos vinte minutos exclusivamente para o cartão-resposta. Marcação rasurada, emendada, dupla ou preenchida parcialmente invalida a questão, e não há substituição do cartão por erro do candidato.
Você só pode deixar a sala depois de duas horas do início, e não pode levar o caderno de questões. Anote as respostas apenas no cartão de confirmação de inscrição — qualquer outra anotação nesse documento é tratada como tentativa de fraude.
Depois da aprovação: nomeação, posse e período de experiência
A homologação é publicada no Diário Oficial da União e nos sites da banca e da companhia. As convocações seguem rigorosamente a ordem de classificação por cargo, ênfase e polo, com os critérios de alternância e proporcionalidade das cotas.
Vêm então a comprovação de requisitos e a qualificação biopsicossocial, com exame médico e odontológico admissional, exames complementares e — no quadro de Mar — teste toxicológico. Não atender a uma convocação elimina.
A contratação é de caráter experimental nos primeiros 90 dias. Se o desempenho for satisfatório, o contrato se converte automaticamente em prazo indeterminado.
Mantenha o endereço atualizado junto à banca e, depois, junto à companhia. As convocações são enviadas por via postal com aviso de recebimento, e a empresa não responde por correspondência não entregue.
Concurso Transpetro: o que decide a aprovação
Três coisas, e não a quantidade de horas. A ênfase certa, escolhida pela sua formação e não pelo número de vagas. O bloco de Conhecimentos Específicos, que responde por dois terços ou mais da prova e é o único que classifica. A legislação e as normas técnicas na versão vigente, tratadas com revisão espaçada desde o início e não nas duas últimas semanas.
Somado a isso: disciplinas básicas nunca zeradas, por causa do piso de aproveitamento por bloco, e questões da própria banca desde a primeira semana. Constância vale mais que intensidade.
Quer estudar todo o conteúdo específico da sua ênfase e toda a legislação exigida pela companhia num só lugar? Conheça o curso completo do Aprova Concursos para o Concurso Transpetro.
Perguntas frequentes
Qual é a validade do processo seletivo da Transpetro?
Um ano, contado da publicação do edital de homologação dos resultados finais, prorrogável uma única vez por igual período, a critério da companhia. Foi o que ocorreu na edição de 2023: o nível médio teve validade até 5 de março de 2026 e as demais seleções, até 2 de abril de 2026.
Ser aprovado no cadastro de reserva garante a contratação?
Não. O edital é expresso: aprovados classificados no cadastro de reserva podem ser convocados na condição de suplentes, o que configura mera expectativa de direito. A admissão depende de eliminação ou desistência de candidato melhor colocado, ou de abertura de nova vaga, dentro do prazo de validade.
Onde as provas são aplicadas?
Na próxima seleção, as provas objetivas serão aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, independentemente do polo de trabalho escolhido. O candidato indica a cidade de prova de sua preferência entre as opções disponibilizadas pela organizadora, no ato da inscrição.
Preciso ter experiência prévia para concorrer?
Não. O que se exige é a formação indicada para a ênfase — curso técnico ou superior na área — e, quando aplicável, registro no conselho de classe, CNH ou certificados da Autoridade Marítima. Experiência profissional não é requisito nem pontua na classificação, que considera apenas a prova.