Concurso Transpetro: Guia completo
Concurso Transpetro: Guia completo.

Vale a pena estudar para o concurso Transpetro antes de o edital sair? A resposta honesta é que quem espera a publicação para começar costuma disputar o cadastro de reserva, não as vagas imediatas — e o motivo é o formato da prova, não a concorrência.

A Petrobras Transporte S.A. é a maior subsidiária do Sistema Petrobras e a responsável pela logística de petróleo, derivados, gás natural e biocombustíveis no país. Segundo o perfil institucional da companhia, ela opera aproximadamente 8,5 mil quilômetros de oleodutos e gasodutos, 46 terminais (21 terrestres e 25 aquaviários) e uma frota de 33 navios, com um quadro de 5.729 empregados.

Essa estrutura explica por que a seleção da empresa é dividida em dois universos completamente diferentes: o quadro de Terra, com cargos técnicos e de nível superior lotados em dutos, terminais e escritórios, e o quadro de Mar, com funções embarcadas que exigem registro na Marinha Mercante.

Este guia reúne tudo o que define a preparação: histórico das edições anteriores, etapas do processo seletivo, cargos e requisitos, remuneração, o comportamento da banca, o conteúdo programático real com o peso de cada disciplina, os temas mais cobrados, questões comentadas no padrão da organizadora e um plano de estudo por fases.

Por que o concurso Transpetro atrai tantos candidatos

Três fatores explicam o volume de inscrições. O primeiro é a remuneração. A companhia informou que as remunerações mínimas iniciais da próxima seleção podem chegar a R$ 15.034,81, além dos benefícios previstos em acordo coletivo.

O segundo é a amplitude de perfis aceitos. A seleção mais recente abriu vagas para nível médio técnico, nível superior e cargos embarcados, cobrindo desde Manutenção Mecânica e Química do Petróleo até Advocacia, Ciência de Dados, Medicina do Trabalho e Serviço Social.

O terceiro é a estabilidade prática do vínculo. O empregado é contratado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, e não pelo regime estatutário — mas atua em uma empresa de capital estatal, com plano de carreira formalizado, previdência complementar e programas de desenvolvimento profissional.

Há um quarto elemento, menos comentado e mais decisivo: a intermitência dos certames. Entre a edição de 2018 e a de 2023 passaram-se cinco anos. Entre a de 2023 e a próxima, mais dois. Quem não aproveita a janela espera muito.

Por outro lado, a disputa é real. A seleção de 2023 recebeu 71.799 inscrições para 1.656 oportunidades entre vagas imediatas e cadastro de reserva. A relação bruta, porém, engana: a competição efetiva acontece dentro de cada ênfase e de cada polo de trabalho, o que muda completamente a conta.

Uma ênfase de nível médio com uma vaga imediata no polo do Rio de Janeiro não é disputada por 71 mil pessoas. É disputada por quem tem o curso técnico exigido, o registro no conselho de classe e disponibilidade para aquela região. É por isso que a escolha da ênfase pesa mais do que a média de horas estudadas.

Histórico e cronologia do concurso Transpetro: as edições anteriores

A companhia foi criada em 12 de junho de 1998, por determinação do art. 65 da Lei nº 9.478/1997, a Lei do Petróleo, que obrigou a Petrobras a constituir uma subsidiária para operar e construir seus dutos, terminais marítimos e embarcações. Os primeiros ativos incorporados foram os navios da Frota Nacional de Petroleiros.

Desde então, os processos seletivos públicos seguiram um padrão reconhecível: organização pela Fundação Cesgranrio, divisão entre quadros de Terra e de Mar, publicação no Diário Oficial da União e validade curta.

A edição de 2018

Voltada ao quadro de Terra, ofertou 1.650 vagas, sendo 156 imediatas e 1.494 para cadastro de reserva. As inscrições ficaram abertas por cerca de um mês, com taxas de R$ 47,00 para nível médio e R$ 67,00 para nível superior. O destaque foi Técnico de Administração e Controle Júnior, com 150 oportunidades.

A edição de 2023

Foi organizada em três editais, com taxas de R$ 70,00 (nível médio) e R$ 100,00 (nível superior). As provas objetivas foram aplicadas em 10 de dezembro de 2023, em treze cidades.

O Edital nº 01 tratou do quadro de Terra, nível médio, com 13 ênfases e 512 oportunidades. O Edital nº 02 cuidou do nível superior, com 28 ênfases e 720 oportunidades no cargo de Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. O Edital nº 03 reuniu o quadro de Mar, com dez cargos e 424 oportunidades.

O total somou 1.656 oportunidades — 207 vagas imediatas e 1.449 de cadastro de reserva. A seleção recebeu 71.834 inscrições, e o cargo mais procurado foi Engenharia de Produção, no polo do Rio de Janeiro, com 4.089 candidatos.

O dado mais útil dessa edição, porém, é o de admissões. Ao longo da vigência, a companhia registrou 744 admissões: 327 no nível superior do quadro de Terra, 281 no nível médio e 136 no quadro de Mar. Houve ainda 61 convocações de suplentes e 241 eliminações ou desistências.

Guarde esse número. As vagas imediatas eram 207, e as admissões passaram de 700. Ou seja: mais de dois terços dos admitidos vieram do cadastro de reserva — o que muda completamente a leitura de quem descarta a seleção por achar poucas as vagas de provimento imediato.

Quando as validades venceram — primeiro a do nível médio, depois as do nível superior e do quadro de Mar —, a empresa perdeu o instrumento legal para novas contratações e precisou abrir outra seleção.

O ciclo atual de contratações

A edição mais recente rompe com o modelo anterior em um ponto importante: são quatro editais, não três. O quadro de Mar foi desdobrado em dois documentos — um para oficiais, outro para suboficiais e guarnição —, o que separa perfis com exigências e etapas bem distintas.

Os números também são bem maiores: 281 vagas imediatas e 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades. É quase o dobro do volume da edição de 2023 e o maior quantitativo já registrado pela companhia.

Edital Área Vagas imediatas Cadastro de reserva
Nº 01 Mar – Suboficiais e Guarnição 89 1.780
Nº 02 Mar – Oficiais 91 910
Nº 03 Terra – Nível Médio 44 570
Nº 04 Terra – Nível Superior 57 630
Total Mar e Terra 281 3.890

Repare na distribuição: o quadro de Mar concentra 64% das vagas imediatas e mais de dois terços do cadastro de reserva. Os maiores quantitativos individuais estão em Segundo Oficial de Máquinas, Moço de Máquinas e Segundo Oficial de Náutica.

Uma mudança estrutural favorece quem fica no cadastro: a validade passou a ser de 18 meses, prorrogáveis uma única vez por igual período. Na edição de 2023, o prazo era de um ano, também prorrogável — ou seja, o novo ciclo pode chegar a três anos de convocações.

As taxas de inscrição são de R$ 81,50 para nível médio do quadro de Terra e para suboficiais e guarnição, e de R$ 117,00 para nível superior e oficiais. Há isenção para inscritos no CadÚnico, membros de família de baixa renda e doadores de medula óssea.

As provas objetivas são aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, independentemente do polo escolhido — uma diferença relevante em relação a 2023, quando a aplicação se concentrou em treze cidades vinculadas aos polos de trabalho.

Duas novidades merecem atenção. A primeira é a aplicação da Lei nº 15.142/2025, que elevou de 20% para 30% a reserva destinada a pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas na administração federal direta e indireta, incluindo empresas públicas e sociedades de economia mista. Nos editais, o percentual aparece dividido em 25% para pessoas negras, 3% para indígenas e 2% para quilombolas, além da reserva para pessoas com deficiência.

A segunda é o mecanismo de paridade de gênero na composição da segunda fase, aplicado quando o percentual de mulheres classificadas em um cargo ou ênfase fica abaixo de 50% em relação ao grupo masculino. A medida não afasta a nota mínima da primeira fase e não desclassifica candidato já habilitado.

Não há garantia: o edital fala em mera expectativa de direito, e a convocação depende de desistência, eliminação ou abertura de nova vaga. Mas o histórico ajuda. Na edição de 2023, as vagas imediatas eram 207 e foram registradas 744 admissões — a maior parte delas vinda do cadastro de reserva.

Como funciona o concurso Transpetro: as etapas do processo seletivo

A primeira etapa é composta por prova objetiva para todos os cargos e, na ênfase Advocacia, também por prova discursiva. Ambas têm caráter eliminatório e classificatório e são aplicadas no mesmo dia e horário.

A prova objetiva se divide em dois blocos: Conhecimentos Gerais e Conhecimentos Específicos. Cada questão apresenta cinco alternativas, de A a E, com uma única resposta correta, e não há pontuação negativa.

O detalhe que elimina mais gente é a regra de aproveitamento. É eliminado quem obtiver aproveitamento inferior a 50% na prova de Conhecimentos Específicos, inferior a 50% na de Conhecimentos Gerais, ou ainda nota zero em qualquer uma das disciplinas gerais.

Não existe compensação entre blocos. Gabaritar o específico não salva quem zerou uma disciplina do bloco geral. E a classificação considera apenas os pontos dos Conhecimentos Específicos — os gerais servem para eliminar e, no máximo, para desempate.

Prova discursiva da ênfase Advocacia

Exclusiva de quem concorre a Advocacia e aplicada junto com a objetiva. São duas questões, valendo 10 pontos cada, totalizando 20 pontos, sobre situações hipotéticas de Direito.

A avaliação considera clareza, concisão, precisão e domínio técnico. Também aqui vale o corte: é preciso aproveitamento mínimo de 50% na pontuação discursiva para não ser eliminado.

Exame de aptidão física

Segunda etapa, de caráter eliminatório, aplicada aos cargos do Quadro de Mar. Avalia se o candidato suporta fisicamente as exigências das rotinas operacionais e de segurança a bordo.

São dois testes. Na corrida de 12 minutos, a distância mínima é de 1.800 metros para candidatos do sexo masculino e 1.500 metros para o feminino. Na natação, é preciso percorrer 25 metros em estilo livre, sem limite de tempo.

Cotas e mecanismo de paridade de gênero

A reserva para ações afirmativas alcança 30% das vagas, distribuídas em 25% para pessoas negras, 3% para indígenas e 2% para quilombolas, além da reserva destinada a pessoas com deficiência.

O mecanismo de paridade de gênero incide apenas na transição entre as fases: quando o percentual de mulheres classificadas para a segunda fase de um cargo ou ênfase fica abaixo de 50% em relação ao grupo masculino, o equilíbrio é buscado ali.

Dois pontos importam para entender o alcance da medida: ela não afasta a nota mínima técnica exigida na primeira fase, e nenhum candidato do sexo masculino previamente classificado é desclassificado por causa dela.

Terra – nível médio/técnico e Mar – suboficiais e guarnição

Prova com 50 questões: 30 de Conhecimentos Específicos e 20 de Conhecimentos Gerais, que reúnem Língua Portuguesa e idioma — Inglês Técnico nos cargos embarcados. A duração é de 4 horas.

É uma mudança relevante em relação à edição de 2023, quando o nível médio do Quadro de Terra fez 60 questões, com Matemática no bloco básico. O específico segue concentrando a maior fatia, mas o bloco geral ganhou peso proporcional: passou de um terço para 40% da prova.

Terra – nível superior e Mar – oficiais

Prova com 70 questões: 50 de Conhecimentos Específicos e 20 de Conhecimentos Gerais, com Língua Portuguesa e Língua Inglesa. A duração é de 4 horas e 30 minutos.

O conteúdo específico responde por mais de 70% da prova. É a estrutura mais desequilibrada do certame — e a que mais recompensa quem estudou a ênfase a fundo.

Ênfase Advocacia

São 70 questões objetivas mais duas questões discursivas, em 5 horas e 30 minutos. É a prova mais longa do certame e a única com produção de texto.

A composição exata de cada disciplina do bloco geral e o programa completo por ênfase constam dos anexos, publicados pela organizadora separadamente do texto do edital. É neles que está o que você vai estudar.

Repare no que essa distribuição diz. O específico decide a classificação em todos os editais, sem exceção. Mas o bloco geral decide a permanência — e uma disciplina zerada anula todo o resto. É o único bloco em que a nota que importa não é a média, e sim o piso.

Há um segundo recado, menos óbvio: idioma virou item obrigatório em todos os editais, inclusive nos de nível médio e nos cargos embarcados de apoio, onde antes não aparecia. Quem tratava inglês como matéria opcional precisa recolocá-lo na rotina.

Uma proporção que funciona na prática para dividir a semana: 60% em Conhecimentos Específicos, 25% em Língua Portuguesa e 15% em idioma. Se você domina uma disciplina do bloco geral, reduza a fatia dela — nunca a zere.

Como a companhia calcula a remuneração

A empresa aplica a todos os empregados a Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), um piso que combina o nível do cargo com o regime de trabalho e considera o conceito de remuneração regional, a partir do agrupamento de cidades onde a companhia atua e das microrregiões geográficas definidas pelo IBGE.

É esse mecanismo que explica a diferença entre salário básico — chamado de soldada no Quadro de Mar — e remuneração mínima garantida. O primeiro é a base da tabela de carreira; o segundo já incorpora os adicionais e é o valor que efetivamente entra na conta.

A distância entre os dois é grande. No edital de 2023, o nível médio do Quadro de Terra tinha salário básico de R$ 3.294,36 e garantia mínima de R$ 5.563,90. O Auxiliar de Saúde partia de soldada de R$ 3.198,10, com mínimo garantido de R$ 7.765,59.

A consequência prática: comparar o básico de um cargo com a garantia mínima de outro produz conclusões erradas. Quando você vê dois valores muito diferentes para funções parecidas, quase sempre está comparando bases distintas — e não salários distintos.

Quanto ganha um empregado da Transpetro: salário, benefícios e regime jurídico

No Quadro de Terra, o nível médio/técnico parte de remuneração inicial de R$ 5.563,90 e o nível superior, de R$ 12.739,70. Os valores são reajustados na data-base do acordo coletivo, com correção pelo IPCA acumulado no período mais um acréscimo pactuado.

No Quadro de Mar, a variação é maior e acompanha a responsabilidade a bordo:

  • Moço de Convés e Moço de Máquinas: R$ 4.636,99
  • Cozinheiro e Taifeiro: R$ 5.622,18
  • Auxiliar de Saúde: R$ 7.765,59
  • Condutor Bombeador, Condutor Mecânico e Eletricista: R$ 8.268,02
  • Segundo Oficial de Máquinas e Segundo Oficial de Náutica: R$ 12.731,70

A remuneração inicial mais alta do certame chega a R$ 15.034,81, considerando cargo, regime e localidade de lotação.

Benefícios

O pacote é definido em acordo coletivo e vai muito além do salário. Os principais:

  • Plano de Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS), com cobertura médica, hospitalar, odontológica e psicológica
  • Auxílio-refeição de R$ 2.083,85 e auxílio-alimentação de R$ 400,00
  • Vale-ceia de R$ 1.006,91, creditado em dezembro
  • Vale-transporte, com desconto de 2% em folha
  • Plano de previdência complementar
  • Participação nos Lucros e Resultados (PLR), negociada com as entidades sindicais
  • Auxílio-creche, auxílio-ensino fundamental e médio, e Programa Jovem Universitário para filhos e enteados de empregados
  • Auxílio cuidador para o empregado com deficiência
  • Benefício farmácia, auxílio-doença e programa de bem-estar físico
  • Licenças maternidade e paternidade estendidas e salas de apoio à amamentação em várias unidades

Dois pontos interessam a quem vai concorrer a cargo administrativo no Quadro de Terra: há possibilidade de trabalho híbrido, com até três dias de home office por semana, e trabalho remoto integral para pessoas com deficiência, ambos mediante aprovação gerencial.

Vale a ressalva: o admitido faz jus à remuneração, às vantagens e aos benefícios vigentes na época da sua admissão, não aos que constavam no edital.

O total somou 1.656 oportunidades — 207 vagas imediatas e 1.449 de cadastro de reserva. A seleção recebeu 71.834 inscrições. O cargo mais procurado foi Engenharia de Produção, no polo do Rio de Janeiro, com 4.089 candidatos.

O dado mais útil dessa edição, porém, é o de admissões. Ao longo da vigência, a companhia registrou 744 admissões: 327 no nível superior do Quadro de Terra, 281 no nível médio e 136 no Quadro de Mar. Houve ainda 61 convocações de suplentes e 241 eliminações ou desistências.

Guarde esse número: as vagas imediatas eram 207, e as admissões passaram de 700. Ou seja, mais de dois terços dos admitidos vieram do cadastro de reserva — o que muda completamente a leitura de quem descarta a seleção por achar poucas as vagas de provimento imediato.

A validade do certame de nível médio venceu em 5 de março de 2026. As seleções de nível superior e do Quadro de Mar expiraram em 2 de abril de 2026. Com os prazos encerrados, a empresa perdeu o instrumento legal para novas contratações e precisou abrir outra seleção.

Não há garantia: o edital fala em mera expectativa de direito, e a convocação depende de desistência, eliminação ou abertura de nova vaga. Mas o histórico ajuda. Na edição de 2023, as vagas imediatas eram 207 e foram registradas 744 admissões — a maior parte delas vinda do cadastro de reserva.

Regime jurídico, jornada e plano de carreira

O contratado é celetista. Sujeita-se ao Plano de Carreira e Remuneração da companhia, às Normas de Recursos Humanos, ao Código de Conduta Ética e aos planos de Desenvolvimento de Recursos Humanos, que abrangem programa de formação, cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação.

A remuneração é regida por acordo coletivo de trabalho, com data-base anual e correção pelo IPCA acumulado no período mais um acréscimo pactuado. O reajuste não retroage, o que significa que a tabela vigente na sua admissão vale até a data-base seguinte.

Duas cláusulas contratuais costumam surpreender. A primeira: havendo necessidade, o empregado pode ser transferido para qualquer unidade da Federação, independentemente do local de admissão. A segunda: o custo da mudança para localidade diversa do domicílio é do próprio candidato.

A contratação é experimental nos primeiros 90 dias. Se o desempenho for satisfatório, o contrato se converte automaticamente em prazo indeterminado.

Nos cargos administrativos do Quadro de Terra há possibilidade de jornada híbrida, com até três dias de trabalho remoto por semana, e trabalho remoto integral para pessoas com deficiência, ambos condicionados a aprovação gerencial.

No Quadro de Mar, a lógica é outra. O polo é nacional, a lotação é em qualquer navio da frota, e o admitido pode ser convocado imediatamente para tripular. O regime de embarque é compensado por folgas prolongadas.

Como sociedade sob controle estatal, a companhia observa a Lei nº 13.303/2016, a Lei das Estatais, que rege licitações, governança e o próprio dever de selecionar pessoal por processo seletivo público.

A banca Cesgranrio e o modo como ela cobra no concurso Transpetro

A Fundação Cesgranrio é a organizadora histórica das seleções do Sistema Petrobras. Conhecer o comportamento dela vale tanto quanto conhecer o conteúdo, e a preparação melhora bastante quando o candidato entende o perfil da banca Cesgranrio antes de escolher o material.

O formato

Múltipla escolha com cinco alternativas (A a E) e resposta única. Não há Certo/Errado. Não há pontuação negativa: questão errada não anula questão certa. Questão anulada tem o ponto atribuído a todos os candidatos que fizeram a prova.

A distribuição de assuntos

A característica mais marcante é a amplitude. A banca costuma distribuir as questões por todo o programa, em vez de concentrar em três ou quatro tópicos. Deixar 20% do edital de fora, com essa organizadora, custa mais caro do que com bancas que repetem os mesmos temas.

Em Língua Portuguesa há uma previsibilidade útil: a ordem dos assuntos tende a se repetir de prova para prova. Interpretação abre o bloco; itens de gramática aplicada aparecem em posições parecidas. Isso permite treinar a sequência, não só o conteúdo.

O estilo do enunciado

Os enunciados são objetivos, mas as alternativas são próximas entre si. A banca não constrói pegadinhas de linguagem — constrói distratores tecnicamente plausíveis, que só caem quando o candidato domina o conceito. Trabalha com doutrina majoritária e evita ambiguidade, o que reduz o volume de anulações.

Nas disciplinas técnicas, o padrão é a aplicação. Em vez de perguntar a definição de perda de carga, a banca descreve uma linha de bombeamento e pede a consequência de alterar a vazão. Quem decorou fórmulas sem entender comportamento erra.

Outro ponto: a organizadora reaproveita a lógica do próprio banco de itens. Questões muito semelhantes reaparecem em certames diferentes do mesmo grupo de empresas. Resolver provas anteriores da casa rende mais aqui do que em qualquer outro lugar — e é por isso que vale mapear o estilo de cobrança da banca nas provas da companhia desde a primeira semana de estudo.

Duração e critérios de desempate

Na edição de 2023, o nível médio teve 4 horas de prova; o nível superior, 4h30, exceto Advocacia, com 5h30 por causa da prova discursiva. Os cargos de oficial tiveram 4h30; os demais cargos de Mar, 4 horas.

O desempate seguiu esta ordem: idade igual ou superior a 60 anos; maior pontuação em Conhecimentos Básicos; maior pontuação em Língua Portuguesa; maior idade; e exercício efetivo da função de jurado. Persistindo o empate, a banca chega a convocar o candidato para apresentar certidão de nascimento e conferir o horário do nascimento.

Esse último critério tem uma consequência prática ignorada: o comprovante de jurado precisa ser enviado no ato da inscrição. Quem lembra depois perde o critério.

Conteúdo programático e peso de cada disciplina

O peso não é uniforme entre os editais, e entender a distribuição é o primeiro passo para dividir o tempo. Montar um edital verticalizado com esses números na frente evita a armadilha de estudar tudo com a mesma intensidade.

Terra – nível médio

Etapa única com 60 questões: 20 de Conhecimentos Básicos e 40 de Conhecimentos Específicos. Os básicos se dividiram em Língua Portuguesa (10) e Matemática (10). Ou seja: dois terços da prova são conteúdo técnico da ênfase, e é só esse bloco que classifica.

Terra – nível superior

70 questões: 20 de Conhecimentos Básicos e 50 de Conhecimentos Específicos. O bloco básico trocou Matemática por idioma — Língua Portuguesa (10) e Língua Inglesa (10). O conteúdo específico responde por mais de 70% da prova.

Para a ênfase Advocacia houve, além da objetiva, prova discursiva.

Mar – oficiais

70 questões: 20 básicas — Língua Portuguesa (10) e Língua Inglesa (10) — e 50 específicas. É a prova mais longa do quadro embarcado e a de maior densidade técnica.

Mar – suboficiais e guarnição

Aqui houve duas configurações. Para Auxiliar de Saúde, Cozinheiro, Moço de Convés, Moço de Máquinas e Taifeiro: 40 questões, sendo 10 de Língua Portuguesa e 30 de Conhecimentos Específicos.

Para Condutor Bombeador, Condutor Mecânico e Eletricista: 50 questões, com 10 de Língua Portuguesa, 10 de Inglês Técnico Marítimo e 30 de Conhecimentos Específicos.

O que essa distribuição comunica

O específico decide a classificação em todos os editais, sem exceção. Mas o básico decide a permanência — e uma matéria zerada anula todo o resto. É a única disciplina em que a nota que importa não é a média, e sim o piso.

Uma proporção que funciona na prática para dividir a semana: 60% em Conhecimentos Específicos, 25% em Língua Portuguesa e 15% em idioma. Se você domina uma disciplina básica, reduza a fatia dela — nunca a zere.

Quais são os temas mais cobrados em cada disciplina

O programa publicado nos editais anteriores é a melhor fonte disponível, porque a banca cobre o edital inteiro e porque esses conteúdos são estáveis entre edições.

Língua Portuguesa

O programa de nível médio de 2023 listou oito itens: compreensão de textos de gêneros variados, ortografia oficial, mecanismos de coesão textual, emprego das classes de palavras, concordância nominal e verbal, emprego do sinal indicativo de crase, sinais de pontuação e significação das palavras.

Três deles concentram a maior parte dos pontos: compreensão de texto, coesão e crase. Coesão aparece com frequência na forma de substituição de conectivos e de identificação do referente de um pronome. Crase aparece em bateria de alternativas, cada uma com um contexto diferente.

A recomendação prática é estudar gramática dentro de texto, não em lista de regras. Quem trabalha Português para concurso partindo da interpretação chega mais rápido aos pontos de coesão e pontuação, que são justamente os mais cobrados.

Matemática

Dez blocos no programa de nível médio: conjuntos numéricos; razão e proporção com regra de três e porcentagem; funções polinomiais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas; equações; análise combinatória; probabilidade em espaços equiprováveis; estatística básica com medidas de tendência central e de dispersão; matemática financeira com juros simples e compostos; geometria plana; e geometria espacial.

Na prática, porcentagem, razão e proporção, matemática financeira e estatística básica rendem mais pontos por hora estudada. São temas de aplicação direta e alta recorrência. Trigonometria e análise combinatória aparecem, mas com menor frequência.

Quem tem base fraca ganha mais começando pelas operações e pela leitura de gráficos e tabelas — e o roteiro de como estudar Matemática para concurso ajuda a estabelecer essa ordem sem pular etapas.

Língua Inglesa

Cobrada no nível superior e nos cargos de oficial. O recorte é leitura de textos técnicos e vocabulário da área de energia, logística e segurança operacional. Não é prova de gramática avançada: é prova de compreensão.

É, também, o item que mais elimina candidato tecnicamente bem preparado. Responde melhor a frequência do que a volume: sessões curtas e diárias superam maratonas semanais.

Inglês Técnico Marítimo

Recorte específico dos cargos de Condutor Bombeador, Condutor Mecânico e Eletricista. Envolve terminologia de bordo, procedimentos de segurança, nomenclatura de equipamentos e comunicação operacional. Material genérico de inglês não cobre isso.

Conhecimentos Específicos

Aqui a variação é total, porque o programa muda por ênfase. Alguns exemplos concretos do edital de nível médio de 2023 mostram a profundidade exigida.

Dutos e Terminais

O programa listou 38 itens, incluindo instrumentação e simbologia, sistemas de malha aberta e fechada, medição de pressão, temperatura, nível e vazão, mecânica dos fluidos com perda de carga em tubulações, transmissão de calor, resistência dos materiais, termodinâmica básica, bombas centrífugas e alternativas, compressores, permutadores casco/tubo, química geral e orgânica, operações unitárias e noções de processos de refino.

Manutenção – Elétrica

Dez blocos: simbologia e diagramas, circuitos CC e CA com Kirchhoff, Thévenin e Norton, potência ativa/reativa/aparente e fator de potência, circuitos monofásicos e trifásicos, máquinas elétricas, segurança e higiene do trabalho, medidas elétricas, instalações de baixa e média tensão, automação com controladores lógicos programáveis, e normas — com menção nominal à ABNT NBR-5410 e à NR-10.

Ambiental e Inspeção de Equipamentos

Em Ambiental, onze blocos, com um capítulo inteiro dedicado a legislação aplicada, citando leis federais e resoluções do CONAMA uma a uma. Em Inspeção de Equipamentos e Instalações, 31 itens, de metrologia e conversão de unidades a diagrama de equilíbrio ferro-carbono, tratamentos térmicos e ensaios mecânicos destrutivos e não destrutivos.

O padrão é claro: o programa é longo, nomeado item por item, e a banca distribui questões por toda a extensão. Não há como escolher três tópicos e ignorar os outros trinta.

A legislação e o conteúdo específico decidem a prova

Este é o ponto que a maioria dos candidatos subestima, e é onde a aprovação se define.

Português, Matemática e Inglês nivelam. Todo mundo estuda essas disciplinas, o material é abundante, e a diferença entre um candidato mediano e um candidato bom nessas matérias é de dois ou três pontos. O bloco de Conhecimentos Específicos, que vale 40 ou 50 pontos e é o único que classifica, produz diferenças de quinze, vinte pontos.

Por que o específico concentra a variação

Três razões. A primeira é aritmética: o bloco vale mais. A segunda é a amplitude do programa — quanto maior a lista de tópicos, maior o espaço entre quem cobriu tudo e quem cobriu parte. A terceira é a ausência de material padronizado.

Existe apostila nacional de Português. Não existe apostila nacional de “Química do Petróleo com foco em terminais aquaviários”. É nessa lacuna que a classificação se decide.

A legislação que o edital cobra nominalmente

Uma parcela expressiva do conteúdo específico é legislação e norma técnica citada com número. Não é “noções de direito ambiental”: é o dispositivo, pelo nome.

Ênfases ambientais

O programa de 2023 nomeou, entre outras, a Lei nº 6.938/1981, da Política Nacional do Meio Ambiente; a Lei nº 12.305/2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos; e a Lei nº 9.966/2000, que trata da prevenção, controle e fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo em águas sob jurisdição nacional.

Somam-se resoluções do CONAMA identificadas uma a uma — sobre licenciamento ambiental, classificação de águas superficiais, descarte de efluentes, áreas contaminadas, padrões de qualidade do ar, plano de emergência individual, uso de dispersantes químicos e queima controlada emergencial em incidentes com óleo no mar.

Ênfases de manutenção e segurança

O eixo normativo muda para as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. A NR-10, de segurança em instalações e serviços em eletricidade, foi citada nominalmente no programa de Manutenção – Elétrica.

Cargos embarcados

O eixo é a legislação marítima: a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário, o regulamento que a detalha, as Normas da Autoridade Marítima e a Convenção do Trabalho Marítimo, referida no edital de Mar de 2023 junto com a NR-30.

A armadilha da norma desatualizada

Aqui está o erro mais caro da preparação técnica. Normas mudam, e o PDF que circula pela internet raramente é a versão vigente.

A NR-10 é o exemplo do momento: passou por sua revisão mais profunda em duas décadas, aprovada em dezembro de 2025 e formalizada pela Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, com prazo de adequação até junho de 2027. A revisão reestruturou a norma, padronizou conceitos operacionais, criou obrigatoriedade de procedimentos para atividades rotineiras e incluiu explicitamente o gerenciamento do risco de arco elétrico ao lado do choque elétrico.

Quem estudar por material anterior a essa revisão estuda uma norma que não existe mais. E os editais são expressos: legislação com entrada em vigor após a publicação do edital não é objeto de avaliação, salvo se listada no programa. A leitura inversa também vale — o que já estava vigente na data do edital é cobrável.

A regra prática é simples: para toda norma nomeada no programa, confira a versão vigente na fonte oficial e verifique se houve alteração posterior. Marque a data da consulta ao lado do arquivo.

O custo de garimpar material solto

Descreva a rotina de quem monta sozinho o conteúdo específico de uma ênfase técnica. Baixa PDFs de origens diversas, sem saber qual está atualizado. Encontra apostilas compiladas por terceiros, com trechos de normas revogadas.

Procura questões sobre instrumentação industrial no padrão da organizadora e acha meia dúzia. Faz resumos sem referência de importância — trata com o mesmo peso um tópico que apareceu em três provas e outro que nunca apareceu.

Três semanas depois, descobre que uma portaria alterou justamente o item que decorou. Não tem revisão organizada, não tem flashcard, não tem mapa mental. Tem uma pasta de arquivos.

O que muda quando o conteúdo já vem reunido em um só lugar não é o volume de informação — é a ordem. Teoria, texto normativo atualizado e questões da mesma banca organizados por importância, com revisão programada. O candidato deixa de gastar tempo decidindo o que estudar e passa a gastar tempo estudando.

Essa diferença aparece muito nas seleções do grupo, e o gargalo é sempre parecido: candidatos tecnicamente sólidos que trataram a parte normativa como decoreba de última hora. Vale ler como isso se manifesta nas provas de legislação das estatais do setor, porque a lógica de cobrança é a mesma.

O que priorizar dentro do programa

Se o programa nomeia uma norma inteira, comece pelos capítulos de aplicação prática. Se nomeia dispositivos específicos, esses vêm primeiro e são revisados com o dobro da frequência.

Dentro dos conteúdos técnicos, priorize nesta sequência:

  • fundamentos que atravessam vários itens (unidades e conversões, mecânica dos fluidos, eletricidade básica);
  • equipamentos e processos;
  • normas e legislação aplicada;
  • tópicos periféricos citados uma única vez no programa.

Como estudar o conteúdo específico do cargo

A primeira decisão não é o material. É a ênfase.

Escolha a ênfase antes de comprar qualquer coisa

Escolher pelo número de vagas é o erro clássico. A ênfase precisa combinar com a sua formação, porque o requisito de admissão é documental e inegociável: curso técnico ou superior na lista, registro no conselho, em alguns casos CNH categoria B.

Vagas de Manutenção – Mecânica e Dutos e Terminais concentram os maiores quantitativos no quadro de Terra. Mas concorrer a elas sem o curso técnico correspondente é gastar seis meses para ser eliminado na comprovação de requisitos — razão pela qual todo plano de estudos para a Transpetro começa pela escolha da ênfase, não pela grade de horários.

Trabalhe a partir do programa, não do sumário do livro

Transcreva o programa da sua ênfase item por item e transforme em checklist. Cada item recebe três marcações: estudei, resolvi questões, revisei. Essa planilha é o seu mapa de cobertura — e ela expõe rapidamente os tópicos que você vem evitando.

Estude do fundamento para a aplicação

Nas ênfases técnicas, muitos itens do programa se apoiam nos mesmos fundamentos. Metrologia, Sistema Internacional de Unidades e conversão aparecem em Dutos e Terminais, em Inspeção e em Instrumentação. Resistência dos materiais reaparece em três ênfases diferentes.

Estudar esses fundamentos primeiro reduz o tempo dos tópicos seguintes. Estudar de cima para baixo, começando pelos equipamentos, obriga a voltar atrás.

Resolva questões desde a primeira semana

Não espere terminar a teoria. Estude o tópico, resolva questões daquele tópico no mesmo dia e registre os erros em um caderno separado. A prática de estudar por questões desde o início antecipa a percepção de como a banca cobra e evita o acúmulo de teoria não testada.

Priorize itens da própria organizadora. Se o volume de questões da sua ênfase for pequeno, amplie para provas de outras empresas do mesmo grupo e para bancas com formato semelhante de múltipla escolha em cinco alternativas.

Não trate as básicas como secundárias

Por causa da regra de aproveitamento mínimo por bloco e da eliminação por grau zero, Português, Matemática e Inglês não saem da rotina. Reduza a fatia, jamais elimine. Um candidato com 45 de 50 no específico e nota zero em Inglês está fora.

Como transformar o conteúdo específico em acertos

Saber o conteúdo e pontuar são coisas diferentes. Esta seção trata da conversão.

Leia o texto normativo por blocos temáticos

Norma e lei não se leem de ponta a ponta como se lê um capítulo de livro. Leem-se por blocos: definições, obrigações, procedimentos, prazos, penalidades. Cada bloco pede um tipo de memória diferente e um tipo de questão diferente.

Comece pelas definições. Elas são a base de tudo e a banca cobra muito. Depois vão os procedimentos e as competências. Prazos e penalidades ficam para o fim, porque são os itens que mais se perdem sem revisão.

Grife por hierarquia, não por importância percebida

Use marcações diferentes para artigo, parágrafo, inciso e alínea. Quando a questão citar “conforme o art. 4º, inciso III”, você localiza a estrutura de cabeça. Grifar tudo da mesma cor produz uma página colorida e nenhuma hierarquia.

Monte quatro tabelas

Essas quatro estruturas resolvem a maior parte das questões de norma:

  • Prazos — recursos, validade de certificados, períodos de adequação;
  • Competências — quem faz o quê, em qual órgão;
  • Penalidades — infração, sanção correspondente e gradação;
  • Classificações — grupos, categorias, tipos e níveis.

Uma tabela de classificação dos grupos de aquaviários, por exemplo, responde sozinha a várias questões possíveis do quadro de Mar. Faça as tabelas você mesmo, com o texto aberto, e depois refaça com o texto fechado. O esforço de reconstruir é o que fixa.

Compare normas parecidas

Quando duas normas tratam do mesmo instituto, estude-as em paralelo e registre as diferenças. A banca gosta de trocar um requisito de uma pelo requisito de outra. Quem estudou separadamente confunde; quem comparou reconhece o distrator na hora.

Produza suas próprias questões

Pegue um artigo e escreva três itens: um verdadeiro, um com o número alterado, um com a competência trocada de órgão. Você acabou de reproduzir os três distratores mais comuns da banca — e vai reconhecê-los na prova.

Traduza a teoria técnica em comportamento

Nas disciplinas de engenharia e manutenção, a banca não pede definição: pede consequência. Aumentei a vazão, o que acontece com a perda de carga? Reduzi o diâmetro, o que acontece com a velocidade? Mudei o tipo de bomba, o que muda na curva?

Para cada conceito estudado, escreva uma frase de comportamento: “se X aumenta, Y varia assim, porque…”. Um caderno com cinquenta frases dessas vale mais do que cinquenta páginas de fórmulas.

Faça simulados no tempo real

As provas têm entre 40 e 70 questões e duração de quatro horas ou mais. Um simulado completo a cada duas ou três semanas, cronometrado e sem pausas, revela o que nenhum exercício isolado revela: onde o seu ritmo quebra.

O valor está na correção comentada, não na nota. Cada erro precisa ser classificado em uma de três categorias: não sabia, sabia e errei por leitura, sabia e errei por tempo. As três pedem tratamentos diferentes.

Registre e reaproveite os erros

Caderno de erros não é lista de questões erradas. É lista de motivos. Ao lado de cada item, escreva o conceito que faltou. Revise esse caderno a cada duas semanas e resolva novamente as questões que motivaram o registro.

Se o mesmo motivo aparecer três vezes, o problema não é a questão — é o tópico. Volte à teoria daquele item específico, não do capítulo inteiro.

Estudar em seis formatos: o que muda na retenção

Estudar o mesmo conteúdo cinco vezes pelo mesmo caminho não é revisão: é releitura. O ganho aparece quando o mesmo assunto entra por vias diferentes, porque cada via cobra um tipo distinto de recuperação da memória.

Questões

O formato que revela o que você realmente sabe, e o único que reproduz a situação da prova. Use desde o primeiro dia, não como etapa final. Rende em qualquer conteúdo, mas rende especialmente em legislação e em conceitos técnicos de aplicação, porque expõe o distrator que você não tinha percebido.

Um exemplo prático: depois de estudar bombas centrífugas, resolva itens sobre curva característica antes de avançar para compressores. O erro de hoje custa menos que o erro no dia da prova.

PDF interativo

Leitura ativa, com marcação, anotação e navegação por tópicos. É o formato mais produtivo para texto normativo e para conteúdo específico denso, porque permite grifar por hierarquia, escrever a paráfrase ao lado do artigo e voltar ao ponto exato semanas depois.

Funciona bem para a legislação ambiental cobrada nas ênfases de meio ambiente e para as normas técnicas das ênfases de manutenção.

Videoaula

Serve ao primeiro contato com assunto difícil e para desatar nós conceituais. A explicação conduz o raciocínio, o que ajuda quando você trava em um tema.

Termodinâmica, transmissão de calor, teoremas de Thévenin e Norton, controle em malha fechada: são tópicos em que assistir antes de ler economiza horas. O erro comum é acumular videoaula e PDF sobre o mesmo assunto e nunca chegar às questões.

Flashcards

O formato certo para o que precisa vir automático: prazos, números, competências, classificações, definições e valores de referência. Frente com a pergunta, verso com a resposta e a fonte.

Exemplos que rendem: distâncias mínimas do exame de capacitação física; grupos de aquaviários; percentuais de reserva de vagas; medidas de tendência central; escalas de temperatura e conversões. Revise em intervalos crescentes, não em blocos.

Audiocast

Reaproveitamento de tempo morto. Trânsito, caminhada, tarefas domésticas, academia. Não substitui estudo ativo, mas transforma quarenta minutos perdidos em uma passada de revisão auditiva.

Rende mais com conteúdo que você já estudou e com temas de natureza descritiva: atribuições de cargos, princípios de gestão ambiental, procedimentos de segurança. Rende pouco com cálculo.

Mapas mentais

Visão de conjunto e hierarquia entre institutos. É o formato de revisão de véspera e o melhor recurso para programas longos, porque mostra em uma página a estrutura que o PDF mostra em quarenta.

Um mapa dos dez blocos de Manutenção – Elétrica, com os subitens de cada um, faz o candidato perceber de imediato quais ramos ainda estão vazios.

A amarração dos seis

O mesmo artigo lido no PDF, ouvido no audiocast, visto no mapa mental, testado no flashcard e cobrado na questão produz retenção muito superior à quinta leitura do mesmo resumo. Não é questão de gosto pessoal por um formato: é o efeito de recuperar a informação de maneiras diferentes.

Aplique aos conteúdos que mais pesam. Para o seu bloco de Conhecimentos Específicos, use todos os seis. Para as disciplinas básicas, dois ou três bastam.

Plano de estudo por fases e cronograma para o concurso Transpetro

Um plano funciona quando espelha o peso dos blocos e admite semanas irregulares. Se você nunca montou um, os modelos de cronograma de estudos por ciclo servem de ponto de partida.

Fase 1 — Diagnóstico e escolha (1 semana)

Defina a ênfase e confirme que você atende ao requisito documental. Baixe o programa da ênfase correspondente na seleção anterior. Resolva uma prova completa da banca, cronometrada, sem ter estudado nada. A nota não importa; o mapa de lacunas, sim.

Fase 2 — Fundamentos (6 a 8 semanas)

Cubra os fundamentos que atravessam vários itens do programa e estabeleça a rotina das básicas. Aqui a proporção pode ser mais equilibrada: 50% específico, 30% Português, 20% idioma.

Comece a resolver questões no mesmo dia do estudo. Abra o caderno de erros. Monte as primeiras tabelas.

Fase 3 — Cobertura do programa (10 a 14 semanas)

O bloco mais longo. Avance item por item do programa da ênfase, marcando o checklist. Proporção: 60% específico, 25% Português, 15% idioma.

Prefira um ciclo a uma grade fixa por dia da semana. No ciclo, você lista as matérias em sequência e avança de onde parou; perder um dia atrasa o ciclo, mas não desmonta o plano. Grade fixa quebra na primeira semana atípica.

Modelo de ciclo semanal (cerca de 20 horas)

  • Conhecimentos Específicos — 6 sessões de 1h30, com teoria e questões no mesmo bloco;
  • Língua Portuguesa — 3 sessões de 1h, com interpretação e norma aplicada em texto;
  • Idioma — 4 sessões de 30 minutos, com leitura de texto técnico e vocabulário;
  • Revisão ativa — 3 sessões de 45 minutos, refazendo questões erradas;
  • Simulado — 1 a cada duas semanas, em tempo integral.

Fase 4 — Legislação, normas e aprofundamento (4 a 6 semanas)

Feche a parte normativa com a versão vigente conferida na fonte oficial. Complete as quatro tabelas. Produza as próprias questões a partir dos dispositivos que o programa nomeia.

Aumente o volume de questões: 60% do tempo resolvendo, 40% revisando o que os erros apontaram.

Fase 5 — Simulados e ajuste fino (3 a 4 semanas)

Dois simulados completos por semana, no tempo real do seu edital. Se você concorre a cargo embarcado, o preparo físico entra aqui com prioridade — corrida e natação não se improvisam em duas semanas.

Fase 6 — Reta final (2 semanas)

Nada de conteúdo novo. Revise apenas quatro coisas: as tabelas de prazos, competências, penalidades e classificações; os mapas mentais; os flashcards; e o caderno de erros. Resolva questões só dos temas em que ainda erra.

Se o prazo for menor

Corte pela ordem inversa dos pesos, nunca pela ordem inversa da dificuldade. Reduza Matemática ao essencial — porcentagem, razão e proporção, matemática financeira e leitura de gráficos. Mantenha idioma, porque o piso de aproveitamento não perdoa. E preserve o específico integralmente: é o bloco que classifica.

Se você trabalha em tempo integral

Não precisa de outro plano, e sim do mesmo em escala menor. Reduza a duração das sessões, não a frequência: quatro sessões de 45 minutos rendem mais que uma de três horas no domingo.

O deslocamento vira bloco de questões no celular; o intervalo do almoço, revisão de flashcards. Vários dos ajustes descritos no guia de como estudar para concurso se aplicam direto aqui. O único item que não deve ser sacrificado é o simulado.

Revisão espaçada e memorização de longo prazo

Revisar não é reler. É tentar lembrar sem olhar.

A distinção tem base experimental. Grupos que continuam sendo testados sobre um conteúdo já aprendido retêm muito mais do que grupos que apenas reestudam o mesmo material — e reestudar depois de já ter aprendido praticamente não altera a lembrança posterior.

Um esquema simples e suficiente: primeira revisão em 24 horas, segunda em 7 dias, terceira em 30 dias e, a partir daí, manutenção por questões. Reserve cerca de 30% do tempo total de estudo para revisão.

O formato importa. Feche o material e escreva de memória o que consegue lembrar; depois confira. Isso é recuperação ativa, e é o que consolida. Reler o resumo produz sensação de domínio sem produzir domínio.

Dois cuidados finais. O primeiro: revisão precisa estar no cronograma desde a primeira semana, não no fim — quem deixa para depois perde o conteúdo do início. O segundo: sono e descanso fazem parte do plano, porque a consolidação da memória depende deles.

Três questões comentadas no padrão da banca

As questões a seguir foram elaboradas no formato exato da organizadora — múltipla escolha com cinco alternativas —, com o nível de dificuldade e o tipo de cobrança observados em provas anteriores da companhia.

Questão 1 — Legislação marítima: classificação dos aquaviários

De acordo com o Regulamento de Segurança do Tráfego Aquaviário em Águas sob Jurisdição Nacional, os tripulantes que operam embarcações classificadas para a navegação em mar aberto, apoio portuário e navegação interior em canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas marítimas consideradas abrigadas integram o grupo dos:

  1. fluviários
  2. marítimos
  3. pescadores
  4. mergulhadores
  5. agentes de manobra e docagem

Gabarito: B

Comentário: o regulamento abre justamente pela classificação do pessoal e define o 1º Grupo como o dos marítimos, com a descrição reproduzida no enunciado. Os fluviários compõem o 2º Grupo e operam embarcações classificadas para a navegação interior — o distrator mais atrativo, porque a definição dos marítimos também menciona navegação interior, mas apenas nas áreas abrigadas listadas. Pescadores, mergulhadores e agentes de manobra e docagem formam grupos próprios e distintos, sem relação com o critério de navegação em mar aberto. O erro mais comum é escolher “fluviários” pela presença da expressão “navegação interior” no enunciado, ignorando a delimitação. A banca repete esse padrão em toda cobrança de classificação normativa: transcreve quase literalmente a definição de um item e oferece, como distrator principal, o item vizinho da mesma lista. A defesa é montar a tabela completa da classificação e memorizar o critério que separa cada grupo, não apenas o nome de cada um.

Questão 2 — Dutos e Terminais: perda de carga em tubulações

Em um oleoduto de seção circular constante, com escoamento em regime turbulento de um líquido incompressível, a vazão bombeada é aumentada, mantidas as demais condições operacionais. Em relação à perda de carga distribuída ao longo da linha, esse aumento provoca:

  1. redução proporcional ao aumento da vazão
  2. aumento aproximadamente proporcional ao quadrado da vazão
  3. aumento proporcional à raiz quadrada da vazão
  4. nenhuma alteração, pois a seção permanece constante
  5. redução proporcional ao quadrado da vazão

Gabarito: B

Comentário: em regime turbulento, a perda de carga distribuída cresce aproximadamente com o quadrado da velocidade média do escoamento. Como a seção é constante, a velocidade é proporcional à vazão — logo, a perda de carga cresce aproximadamente com o quadrado da vazão. As alternativas A e E invertem o sentido físico: aumentar a vazão nunca reduz a perda de carga em linha de seção fixa. A alternativa C confunde a relação quadrática com a raiz, erro típico de quem memorizou a fórmula sem entender a dependência. A alternativa D é a mais escolhida por quem lê “seção constante” e conclui que nada muda: a seção fixa a área, não a velocidade. Este é o comportamento característico da banca nas disciplinas técnicas — em vez de pedir a definição de perda de carga, descreve uma operação e cobra a consequência. Estude cada conceito na forma “se X varia, Y responde assim, porque…”.

Questão 3 — Língua Portuguesa: emprego do sinal indicativo de crase

Assinale a opção em que o sinal indicativo de crase está empregado corretamente.

  1. O navio chegou à Santos com quatro horas de atraso.
  2. A carga foi entregue à distribuidora contratada pelo terminal.
  3. Os técnicos estão dispostos à colaborar com a inspeção.
  4. Refiro-me à qualquer terminal aquaviário da companhia.
  5. O relatório de inspeção foi enviado à ela ainda ontem.

Gabarito: B

Comentário: em B, ocorre a fusão da preposição “a”, exigida por “entregue a”, com o artigo definido feminino que acompanha “distribuidora” — contexto clássico de crase. Em A, o topônimo não admite artigo, o que se verifica pelo teste “voltei de Santos”; sem artigo, não há crase. Em C, o sinal aparece diante de verbo no infinitivo, posição em que a crase é sempre indevida. Em D, “qualquer” é pronome indefinido e não admite o artigo feminino. Em E, o sinal precede pronome pessoal, outra posição vedada. O erro mais comum é marcar A, por associar nome próprio feminino a crase automática. A organizadora repete esse desenho: cinco alternativas, cada uma testando uma regra diferente do mesmo tópico. Treinar por bateria de contextos, e não por lista de regras, é o que faz diferença nessa questão.

Os erros que mais eliminam candidatos

  • Escolher a ênfase pelo número de vagas. O requisito documental é conferido e é eliminatório. Quantidade de vagas não compensa a ausência do curso técnico exigido ou do registro no conselho.
  • Tratar as disciplinas básicas como secundárias. É o erro mais caro do certame, pela regra de aproveitamento mínimo por bloco e pela eliminação por grau zero em qualquer matéria dos básicos.
  • Estudar por material desatualizado. Norma revisada torna obsoleto o resumo. Confira a versão vigente na fonte oficial e registre a data da consulta.
  • Deixar a legislação e as normas técnicas para o fim. Prazos, competências e classificações precisam de repetição espaçada. Compactar tudo nas duas últimas semanas produz esquecimento no dia da prova.
  • Começar pela teoria completa. Postergar as questões atrasa a percepção do que a banca cobra de verdade e cria a sensação falsa de progresso.
  • Esquecer os detalhes operacionais da inscrição. Comprovante de jurado enviado fora do ato da inscrição não vale. Laudo de deficiência fora do prazo não vale. Pagamento após o vencimento cancela a inscrição.
  • Subestimar o preparo físico, no quadro de Mar. O exame de capacitação física é eliminatório, tem tentativa única na natação e não admite segunda chamada.

Falta um item que merece parágrafo próprio: ignorar as provas anteriores da própria banca. A organizadora reaproveita a lógica do próprio banco de itens, e há um mapeamento útil dos erros que custam a aprovação nas estatais do setor que se aplica quase integralmente aqui.

O dia da prova: leitura do enunciado e uso do tempo

Chegue com uma hora de antecedência, com o cartão de confirmação impresso, o documento de identidade original com foto e caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Portões fechados não reabrem, e não há segunda chamada.

Celular e demais eletrônicos vão para o envelope porta-objetos, desligados, lacrados sob a carteira. Relógio de qualquer natureza também. O descumprimento elimina.

Sobre o uso do tempo: comece pelo bloco de Conhecimentos Específicos. É o que classifica e o que exige mais lucidez. Deixe as básicas para a segunda metade, quando o cansaço já apareceu e a exigência cognitiva é menor.

Leia o enunciado até o fim antes de olhar as alternativas. Com essa banca, as opções são próximas entre si, e quem lê o enunciado pela metade escolhe a alternativa que “parece” certa.

Reserve os últimos vinte minutos exclusivamente para o cartão-resposta. Marcação rasurada, emendada, dupla ou preenchida parcialmente invalida a questão, e não há substituição do cartão por erro do candidato.

Você só pode deixar a sala depois de duas horas do início, e não pode levar o caderno de questões. Anote as respostas apenas no cartão de confirmação de inscrição — qualquer outra anotação nesse documento é tratada como tentativa de fraude.

Depois da aprovação: nomeação, posse e período de experiência

A homologação é publicada no Diário Oficial da União e nos sites da banca e da companhia. As convocações seguem rigorosamente a ordem de classificação por cargo, ênfase e polo, com os critérios de alternância e proporcionalidade das cotas.

Vêm então a comprovação de requisitos e a qualificação biopsicossocial, com exame médico e odontológico admissional, exames complementares e — no quadro de Mar — teste toxicológico. Não atender a uma convocação elimina.

A contratação é de caráter experimental nos primeiros 90 dias. Se o desempenho for satisfatório, o contrato se converte automaticamente em prazo indeterminado.

Mantenha o endereço atualizado junto à banca e, depois, junto à companhia. As convocações são enviadas por via postal com aviso de recebimento, e a empresa não responde por correspondência não entregue.

Concurso Transpetro: o que decide a aprovação

Três coisas, e não a quantidade de horas. A ênfase certa, escolhida pela sua formação e não pelo número de vagas. O bloco de Conhecimentos Específicos, que responde por dois terços ou mais da prova e é o único que classifica. A legislação e as normas técnicas na versão vigente, tratadas com revisão espaçada desde o início e não nas duas últimas semanas.

Somado a isso: disciplinas básicas nunca zeradas, por causa do piso de aproveitamento por bloco, e questões da própria banca desde a primeira semana. Constância vale mais que intensidade.

Quer estudar todo o conteúdo específico da sua ênfase e toda a legislação exigida pela companhia num só lugar? Conheça o curso completo do Aprova Concursos para o Concurso Transpetro.

Perguntas frequentes

Qual é a validade do processo seletivo da Transpetro?

Um ano, contado da publicação do edital de homologação dos resultados finais, prorrogável uma única vez por igual período, a critério da companhia. Foi o que ocorreu na edição de 2023: o nível médio teve validade até 5 de março de 2026 e as demais seleções, até 2 de abril de 2026.

Ser aprovado no cadastro de reserva garante a contratação?

Não. O edital é expresso: aprovados classificados no cadastro de reserva podem ser convocados na condição de suplentes, o que configura mera expectativa de direito. A admissão depende de eliminação ou desistência de candidato melhor colocado, ou de abertura de nova vaga, dentro do prazo de validade.

Onde as provas são aplicadas?

Na próxima seleção, as provas objetivas serão aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, independentemente do polo de trabalho escolhido. O candidato indica a cidade de prova de sua preferência entre as opções disponibilizadas pela organizadora, no ato da inscrição.

Preciso ter experiência prévia para concorrer?

Não. O que se exige é a formação indicada para a ênfase — curso técnico ou superior na área — e, quando aplicável, registro no conselho de classe, CNH ou certificados da Autoridade Marítima. Experiência profissional não é requisito nem pontua na classificação, que considera apenas a prova.