
Em tempos de respostas prontas, será que ainda sabemos fazer as perguntas certas? Nesta edição de Atualidades para Concursos, ciência, infância e tecnologia se cruzam em torno dessa reflexão.
Nesta última segunda-feira do mês de agosto, há notícias sobre vários caminhos, inclusive de esperança em saúde. Neste tempo de dividir o mundo com IA, já falamos que o mais importante continua sendo saber fazer as perguntas certas em todas as ocasiões, em lugar de ter pressa para dar respostas. No entanto, no tempo de cada um, os relógios podem, de fato, parecer andar mais depressa.
Por isso, para hoje, separamos um conjunto de fatos que tem relação entre si e com nossa necessidade de compreender melhor o mundo que nos cerca. Vamos a eles:
FDA e pílula contra câncer de pâncreas
O órgão norte-americano que equivale à Anvisa aprovou o uso de uma pílula que provocou aplausos calorosos da plateia do maior congresso mundial de oncologia, realizado em junho. Trata-se de uma substância capaz de dar mais sobrevida com maior qualidade a pessoas que tenham câncer de pâncreas metastático.
Os resultados do medicamento têm sido festejados porque, pela primeira vez, houve sucesso em atacar a proteína RAS, que participa do crescimento dos tumores e está alterada na grande maioria dos casos de adenocarcinoma de pâncreas.
Esperamos e torcemos sempre pela boa ciência, pesquisa e avanços na qualidade de vida, principalmente para quem enfrenta problemas sérios de saúde.
Por que essa aprovação é histórica
Vale dimensionar o avanço. Segundo a FDA, em ensaio de fase 3 com 500 pacientes, o remédio (daraxonrasib, marca Rasonque) praticamente dobrou a sobrevida mediana: 13,2 meses, contra 6,7 meses da quimioterapia padrão. O câncer de pâncreas é um dos mais letais, o que torna o resultado especialmente relevante.
O feito científico está em atacar a proteína RAS/KRAS, considerada por décadas “indrogável”. Para provas, o tema conecta ciência, saúde pública e inovação, e ilustra como a pesquisa transforma a qualidade de vida.
Crianças e adolescentes – mundo virtual
Seguindo a linha de fazer boas perguntas, será que estamos dando tempo suficiente de atenção a nossas crianças e adolescentes? Será que estamos ensinando a eles o valor do percurso e não apenas do resultado? Principalmente em relação a esta última pergunta, surge exatamente um conjunto de imagens, cenas e lembranças ligadas a resultados escolares em avaliações ou na resolução de problemas, desde os mais simples aos mais complexos. Pois é, nossa sociedade valoriza mesmo o resultado, a nota, a resposta certa, a escolha da alternativa correta na questão objetiva… e esse comportamento tão arraigado parece potencializar o que a IA pode fazer: oferecer as respostas prontas sem esforço, sem os obstáculos do caminho, sem permitir ao humano que tome caminhos errados e aprenda com eles.
Esse é um primeiro ponto (não inédito) para falarmos da relação das novas gerações (e não só) com o universo virtual. Outro ponto é a notícia que desejamos abordar: a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e outras mídias, admitiu juridicamente, na última semana, que as redes fazem mal para crianças e adolescentes e irá pagar uma indenização a 47 estados norte-americanos.
Essa ação abre as portas e chama a atenção do público em geral para a necessidade de olhar com mais cuidado o que as crianças e os adolescentes estão fazendo quando conectados. É preciso observar se há redução de rendimento escolar, isolamento, queda de interesse em atividades que antes eram prazerosas e dificuldade na interrupção do uso de telas e respeito a horários estabelecidos.
Tudo isso também está relacionado com a notícia de que os dinamarqueses estão voltando a um hábito bastante conhecido em avaliações escolares: a sustentação oral. Além disso, vem surgindo na Espanha um movimento de saturação de influenciadores e alguns estabelecimentos têm colocado placas com proibição da entrada desses profissionais.
O valor do percurso na era da IA
Por que aprender com o erro ainda importa? Porque o esforço é parte do aprendizado. Ao entregar respostas prontas, a IA pode encurtar o caminho que, justamente, constrói raciocínio e autonomia. A volta das provas orais na Dinamarca é uma resposta a isso: avaliar o pensamento, não só o resultado.
O tema rende ótimos argumentos para redação sobre educação, autonomia e regulação das big techs. A admissão da Meta reforça o debate global sobre a responsabilidade das plataformas com o público infantojuvenil, algo que dialoga diretamente com discussões em curso no Brasil.
Sugestão de filmes
Duas indicações ajudam a pensar essas questões com sensibilidade.
Pequenas Coisas Como Essas (2024) traz uma simbologia muito forte sobre “lavar as mãos”. Seguindo ainda as boas perguntas: quanto custa fazer a coisa certa? É um convite a refletir sobre coragem moral e responsabilidade individual.
Como você quer viver até o fim? (2025) propõe uma importante conversa entre um filósofo e um médico paliativista, ilustrada por exemplos que podem acontecer em qualquer lugar. O que realmente importa para você? São obras que estimulam o senso crítico e o repertório para temas sobre ética e finitude.
Como usar esses temas em prova
Reunir os assuntos por área facilita o estudo: Ciência e Saúde (avanços no tratamento do câncer); Educação e Tecnologia (crianças, telas e o valor do percurso); Direito e Sociedade (regulação das big techs); e Ética e Cultura (as reflexões trazidas pelos filmes).
O segredo é sempre conectar o fato ao conceito. Não basta citar a aprovação da nova pílula; é preciso relacioná-la ao papel da ciência na sociedade.
Retomando o fio da meada, esta edição de Atualidades para Concursos mostra que perguntar bem vale mais do que responder rápido. Do avanço contra o câncer de pâncreas à relação das crianças com as telas, cada fato pode virar ponto na sua prova.
Gostou dessas reflexões? Compartilhe com seus colegas de estudo e comente qual tema você acha que mais deve cair nas próximas provas!
Grande abraço e bons estudos!