O concurso da Receita Federal do Brasil (RFB) é historicamente um dos mais disputados e valorizados do serviço público federal. Com salários iniciais que ultrapassam R$ 21 mil para o cargo de Auditor-Fiscal e R$ 12 mil para Analista-Tributário, além de benefícios robustos e plano de carreira sólido, o certame atrai centenas de milhares de candidatos a cada edição.
Este guia foi construído para ser o recurso mais completo e prático disponível sobre o concurso da Receita Federal. Aqui você encontrará a situação atual do concurso, o histórico detalhado das últimas edições, a estrutura das provas, as disciplinas cobradas com seus respectivos pesos, a análise aprofundada da banca FGV, estratégias de estudo validadas por aprovados, questões comentadas no estilo da banca e um cronograma realista para organizar seus estudos.
Não há especulação neste material. Cada informação é baseada em dados concretos dos editais publicados, nos relatórios do Ministério da Fazenda e nas tendências identificadas nas últimas edições da banca.
A Receita Federal atravessa um dos maiores déficits de pessoal de sua história. Os dados são contundentes e embasam a expectativa, bem fundamentada, de uma nova seleção nos próximos anos.
De acordo com os levantamentos do Sindifisco Nacional e do próprio Ministério da Fazenda, o quadro atual é crítico:
Esse contexto é inédito e cria uma pressão institucional e política por autorização de novas vagas que raramente ocorreu em períodos anteriores. A última seleção expressiva (2022/2023) autorizou apenas 699 vagas — número muito inferior à demanda real do órgão.
Com base no quadro de pessoal e nas negociações em curso, as perspectivas para novas seleções apontam para o período de 2026 a 2027. Algumas sinalizações importantes:
Posição deste guia: não há edital publicado ou confirmado até a data de atualização deste material (fevereiro de 2025). Qualquer informação sobre 'edital iminente' ou 'vagas confirmadas' circulando em grupos deve ser tratada com ceticismo. Este guia será atualizado imediatamente após publicação oficial.
Candidatos que aproveitam o período de espera para construir uma base sólida chegam ao edital com meses de vantagem. As disciplinas do concurso da Receita Federal são extensas e técnicas — especialmente Direito Tributário, Legislação Tributária e Contabilidade — e exigem tempo de maturação que não pode ser comprimido em poucos meses.
Dados das últimas edições mostram que a maioria dos aprovados em primeiro lugar no ranking acumulou entre 12 e 24 meses de estudo antes da prova. Quem começa após a publicação do edital raramente tem tempo suficiente para o nível de profundidade exigido.
O concurso da Receita Federal abre vagas para dois cargos principais, que possuem atribuições, requisitos e remunerações distintos. Entender as diferenças é fundamental para direcionar os estudos corretamente.
| Cargo | Escolaridade | Salário Inicial | Teto da Carreira | Gratificação PGPE |
| Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil | Nível Superior (qualquer área) | R$ 21.029,00 | R$ 25.376,00 | Incluída |
| Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil | Nível Superior (qualquer área) | R$ 12.135,00 | R$ 15.250,00 | Incluída |
Obs.: valores de referência com base na última tabela salarial publicada. Reajustes e reestruturações de carreira podem alterar esses números no próximo edital.
O cargo de Auditor-Fiscal é considerado um dos mais poderosos e bem remunerados do serviço público federal. Suas atribuições incluem:
O Auditor-Fiscal tem poder de lavrar autos de infração, instaurar procedimentos fiscais e acessar informações bancárias e fiscais de contribuintes. É um cargo com prerrogativas legais significativas e forte identidade corporativa.
O cargo de Analista-Tributário desempenha funções de suporte técnico e operacional às atividades da RFB:
Embora com salário inicial menor que o Auditor-Fiscal, o cargo de Analista oferece remuneração e estabilidade muito acima da média do mercado privado, além de perspectiva de progressão na carreira.
Além do salário-base, servidores da RFB têm direito a:
Conhecer o histórico do concurso é essencial para entender padrões de vagas, dificuldade, perfil dos aprovados e comportamento da banca ao longo do tempo.
O concurso de 2009, organizado pela ESAF, foi o último sob a gestão dessa banca. Foram abertas vagas para Auditor-Fiscal e Analista-Tributário, com provas que ficaram marcadas pela altíssima taxa de corte: candidatos relataram que era necessário acertar acima de 80% das questões para alcançar a lista de aprovados no cargo de Auditor.
A ESAF tinha um estilo reconhecível: questões elaboradas com alta precisão conceitual, enunciados longos e alternativas muito próximas entre si. A prova de Português era notória por sua dificuldade e exigência de conhecimento profundo de gramática normativa.
Em 2012, foram abertas 750 vagas para Analista-Tributário, uma das maiores oferta para esse cargo. A edição ficou marcada pelo volume de inscrições — mais de 130.000 candidatos — e pela competitividade extrema. A banca manteve o padrão ESAF, com questões de alta precisão e muita interpretação legislativa.
Com 278 vagas para Auditor-Fiscal, o concurso de 2014 foi o mais disputado em termos de relação candidato/vaga até aquele momento. A seleção ficou marcada pela prova de Direito Tributário extremamente técnica, com questões envolvendo simulações de casos concretos de planejamento fiscal — algo inovador para a época.
A última edição publicou edital em setembro de 2022, com provas realizadas em 2023. Esta foi a primeira vez que a FGV organizou o concurso da Receita Federal, marcando uma mudança significativa de perfil de prova.
| Item | Auditor-Fiscal | Analista-Tributário |
| Vagas | 230 | 469 |
| Inscritos | aprox. 83.000 | aprox. 73.000 |
| Relação candidato/vaga | ~361:1 | ~156:1 |
| Banca organizadora | FGV | FGV |
| Tipo de prova objetiva | 140 questões (2 turnos) | 100 questões (1 turno) |
| Prova discursiva | Sim (2 questões) | Sim (1 questão) |
A transição da ESAF para a FGV foi um divisor de águas na preparação. Candidatos que estudaram com foco no estilo ESAF precisaram ajustar significativamente a abordagem para se adaptar à lógica da FGV, que privilegia aplicação prática em detrimento de memorização literal.
A estrutura da prova da Receita Federal é uma das mais complexas entre os concursos federais. Compreendê-la em detalhes é essencial para montar uma estratégia de estudo eficaz.
A prova objetiva do Auditor é dividida em dois turnos no mesmo dia:
Total: 140 questões objetivas, todas de múltipla escolha com 5 alternativas. A prova dura aproximadamente 5 horas por turno.
A prova do Analista é realizada em um único turno, com 100 questões distribuídas entre as disciplinas do cargo, com menor volume em disciplinas avançadas como Auditoria e sem Economia e Direito do Trabalho. A profundidade exigida, contudo, é elevada.
A prova discursiva é um dos fatores mais determinantes para aprovação, especialmente no cargo de Auditor-Fiscal. Muitos candidatos que passam na objetiva são eliminados ou perdem posições significativas no ranking por desempenho fraco na discursiva.
O candidato que não se prepara para a discursiva está literalmente abrindo mão de um quinto da prova. A diferença entre o 1º e o 50º colocado, em diversas edições, foi dada pelo desempenho nas questões dissertativas.
O processo seletivo da Receita Federal é altamente competitivo. Os critérios gerais seguem o padrão das últimas edições:
As notas de corte efetivas costumam ser muito superiores ao mínimo obrigatório. No concurso de 2022/2023, candidatos que acertaram menos de 75-78% da prova objetiva raramente alcançaram a lista de aprovados dentro do número de vagas, especialmente para o cargo de Auditor.
Este é o coração do guia. Conhecer não apenas quais disciplinas são cobradas, mas com que frequência, profundidade e de que forma a FGV as aborda, é a diferença entre um estudo eficiente e anos perdidos em conteúdo de baixo retorno.
| Disciplina | Peso Estimado (%) | Nível de Dificuldade | Prioridade |
| Direito Tributário | 15–18% | Muito Alto | Máxima |
| Legislação Tributária | 13–16% | Muito Alto | Máxima |
| Contabilidade Geral | 10–13% | Alto | Máxima |
| Contabilidade Pública | 6–8% | Alto | Alta |
| Auditoria Fiscal e Governamental | 6–8% | Alto | Alta |
| Fluência de Dados | 5–7% | Médio | Alta |
| Tecnologia da Informação | 5–6% | Médio | Alta |
| Administração Financeira e Orçamentária | 5–6% | Médio | Alta |
| Direito Constitucional | 4–6% | Médio | Média |
| Direito Administrativo | 4–5% | Médio | Média |
| Economia | 4–5% | Médio | Média |
| Estatística | 3–5% | Médio | Média |
| Direito Processual Civil | 3–4% | Médio | Média |
| Direito Penal | 2–3% | Médio | Baixa |
| Direito do Trabalho | 2–3% | Médio | Baixa |
| Português | 4–6% | Alto | Alta |
O Analista tem um conjunto similar de disciplinas, com algumas diferenças:
Nenhuma outra disciplina define tanto o sucesso ou fracasso de um candidato quanto Direito Tributário. Não existe aprovação no cargo de Auditor sem domínio sólido dessa matéria. A FGV cobra Tributário de forma aplicada, com enunciados que descrevem situações concretas e exigem interpretação sistemática da legislação.
Os principais blocos temáticos cobrados são:
Dica estratégica: não adianta memorizar o CTN artigo por artigo. A FGV testa se você sabe APLICAR a norma. Resolva questões contextualizadas desde o início do estudo.
Enquanto Direito Tributário foca nos princípios e normas gerais, Legislação Tributária desce ao nível das leis específicas que regulam cada tributo. São conteúdos distintos, mas profundamente interligados.
Os temas mais relevantes por incidência histórica:
Atenção à Reforma Tributária (EC 132/2023 e lei complementar do IBS/CBS): embora a implementação seja gradual (2026-2033), é provável que a próxima edição do concurso já inclua questões sobre o novo sistema tributário, especialmente sobre a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) que substituirá PIS e COFINS no âmbito federal.
Contabilidade é a disciplina que mais elimina candidatos que não têm formação na área. O volume de conteúdo é imenso e a FGV cobra do nível básico ao avançado em uma única prova. Para candidatos sem formação contábil, é a disciplina que exige mais tempo de estudo.
Dica: a FGV frequentemente apresenta um balanço ou DRE com erros de classificação e pede que você os identifique. Treine muito nesse tipo de questão — ela exige visão holística das demonstrações, não apenas decorar fórmulas.
Fluência de Dados surgiu formalmente como disciplina no concurso de 2022/2023 e representa uma das maiores novidades em comparação com editais anteriores. É uma disciplina que combina Estatística aplicada, Análise de Dados e noções de Business Intelligence.
Candidatos que ignoram Fluência de Dados estão perdendo uma disciplina de peso crescente — e onde a concorrência ainda não está bem preparada, o que cria uma vantagem competitiva significativa.
Contabilidade Pública é uma disciplina técnica específica para o setor governamental, com lógica própria diferente da contabilidade societária. Muitos candidatos cometem o erro de estudar apenas a parte teórica sem treinar a aplicação prática nas demonstrações públicas.
A prova de Português da FGV tem características bem distintas do que candidatos esperam ao ouvir 'concurso federal'. A banca privilegia amplamente a interpretação de texto em detrimento de questões gramaticais puras.
Estratégia: faça pelo menos 3 leituras semanais de textos longos e complexos (revistas como Piauí, Valor Econômico, textos do IBGE e do Tesouro Nacional). Essa prática melhora tanto a interpretação quanto o vocabulário técnico que aparece nos textos da prova.
Conhecer a banca é tão importante quanto conhecer as disciplinas. A FGV tem um estilo de elaboração de questões muito característico, e candidatos que o identificam têm uma vantagem significativa na hora da prova.
A diferença fundamental entre a FGV e bancas como a ESAF ou o CESPE é a ênfase em situações aplicadas. Uma questão FGV típica apresenta um cenário concreto — uma empresa, uma operação comercial, um contribuinte — e pede que você aplique a norma àquele caso específico.
Isso significa que decorar o artigo de lei não é suficiente. Você precisa entender o PORQUÊ da norma, como ela funciona na prática e como se relaciona com outras normas do sistema tributário. O candidato que estuda exclusivamente por esquemas e resumos tem dificuldade com questões FGV.
A prova discursiva da FGV tem critérios de correção bem definidos. Conhecê-los é fundamental:
Exercício prático recomendado: escreva pelo menos 2 questões discursivas por semana durante os últimos 3 meses de preparação. Peça a um colega que também estuda para revisar ou compare com gabaritos comentados por professores.
| Característica | FGV | ESAF | CESPE/Cebraspe |
| Foco principal | Aplicação prática | Precisão conceitual | Memorização direta |
| Enunciados | Longos, contextualizados | Longos, precisos | Curtos, diretos |
| Distratores | Sofisticados e plausíveis | Muito precisos | Simples (C/E) |
| Legislação recente | Alta frequência | Média frequência | Alta frequência |
| Discursiva | Fundamentação legal rigorosa | Técnica aplicada | Redação gerencial |
| Melhor estudo | Questões em contexto | Norma + exceções | Volume de questões |
Este mapeamento foi construído com base nas provas de 2022/2023 (FGV) e nas edições anteriores (ESAF 2009, 2012, 2014), identificando os temas com maior recorrência histórica.
A estratégia apresentada aqui não é genérica. É construída especificamente para o concurso da Receita Federal, com base nas características da FGV e na experiência de candidatos aprovados nas últimas edições.
Antes de montar qualquer cronograma, faça um diagnóstico honesto das suas condições:
Objetivo: construir compreensão sólida dos fundamentos de cada disciplina antes de avançar para conteúdos avançados.
Objetivo: dominar os temas mais avançados e começar a integrar o conhecimento das disciplinas.
Objetivo: integrar todo o conhecimento, identificar lacunas e simular as condições reais de prova.
Objetivo: consolidar o que sabe, zerar pontos cegos identificados nos simulados e chegar à prova em pico de rendimento.
Estas questões foram elaboradas no padrão e estilo FGV para ilustrar como a banca aborda os temas mais cobrados. Não são questões de provas anteriores, mas construídas para fins pedagógicos com o mesmo nível de complexidade e formato.
João era sócio administrador da empresa Alfa Ltda., com participação de 35% no capital social. A empresa encerrou suas atividades de fato em março de 2020, sem baixa formal na Junta Comercial e sem quitar débitos de IRPJ referentes aos anos de 2018 e 2019. Em 2023, a Receita Federal iniciou execução fiscal contra a empresa e, diante da dissolução irregular, redirecionou a cobrança para João pessoalmente. Com base no Código Tributário Nacional e na jurisprudência consolidada do STJ, assinale a alternativa correta:
Gabarito: B | Comentário: O art. 135 do CTN prevê responsabilidade pessoal dos administradores por atos praticados com excesso de poderes, infração de lei ou contrato. O STJ consolidou (Súmulas 430 e 435) que a simples dissolução irregular da empresa configura infração à lei e autoriza o redirecionamento da execução fiscal para os sócios administradores, independentemente do percentual de participação. O requisito é a condição de administrador na época do fato gerador, não o percentual societário.
A empresa Beta S.A. adquiriu, em 02/01/2024, 40% das ações ordinárias da empresa Gama Ltda. por R$ 800.000. Nessa data, o Patrimônio Líquido da Gama era de R$ 1.800.000. Durante o ano de 2024, a Gama apurou lucro líquido de R$ 200.000 e distribuiu dividendos de R$ 80.000. Qual o valor do investimento de Beta em Gama no Balanço Patrimonial de 31/12/2024, avaliado pelo Método de Equivalência Patrimonial?
Gabarito: B | Resolução: Custo de aquisição: R$ 800.000. % no PL inicial: 40% x R$ 1.800.000 = R$ 720.000. Goodwill implícito: R$ 800.000 - R$ 720.000 = R$ 80.000 (não amortizável pelo CPC 15). Ajuste pelo MEP no lucro: 40% x R$ 200.000 = +R$ 80.000. Ajuste pelos dividendos: 40% x R$ 80.000 = -R$ 32.000. Saldo final: R$ 800.000 + R$ 80.000 - R$ 32.000 = R$ 848.000.
A Receita Federal implementou um modelo de análise de risco baseado em aprendizado de máquina para priorizar fiscalizações de pessoas jurídicas. O modelo utiliza variáveis como faturamento declarado, folha de pagamento, operações de crédito e histórico de inconsistências declaratórias para calcular um score de risco. Um analista observou que, após o treinamento do modelo, contribuintes com certas combinações de variáveis eram sistematicamente classificados como alto risco, mesmo quando suas declarações eram consistentes. Qual fenômeno estatístico melhor explica esse comportamento do modelo?
Gabarito: B | Comentário: O overfitting ocorre quando um modelo de machine learning aprende com excessivo detalhe os dados de treinamento, incluindo ruídos e especificidades, e perde capacidade de generalizar para novos dados. O comportamento descrito — classificação consistente como alto risco mesmo sem inconsistências — sugere que o modelo aprendeu padrões espúrios do conjunto de treinamento. A solução envolve técnicas de regularização, validação cruzada e ampliação do conjunto de treinamento.
A prova discursiva é o maior diferencial entre candidatos com notas similares na prova objetiva. Muitos candidatos chegam bem preparados no conteúdo, mas falham na forma de apresentação das respostas.
Uma resposta discursiva de alto score na FGV segue este modelo:
Com base no histórico de discursivas das últimas edições da FGV em concursos da área fiscal:
Enunciado: A empresa Delta Comércio Ltda., optante pelo Lucro Real, realizou operação de leasing financeiro de equipamentos industriais em janeiro de 2024, com prazo de 60 meses e valor presente das prestações de R$ 500.000. O arrendador é uma empresa do mesmo grupo econômico. O auditor-fiscal identificou que a empresa não reconheceu o ativo de direito de uso e o passivo correspondente em suas demonstrações, tratando as prestações como despesa operacional. Elabore análise técnica da situação, identificando as irregularidades, os normativos aplicáveis e as providências cabíveis.
Resposta modelo:
A operação descrita configura arrendamento mercantil financeiro, nos termos do CPC 06 (R2) / IFRS 16, que exige o reconhecimento pelo arrendatário de um ativo de direito de uso e um passivo de arrendamento no momento do início do contrato, pelo valor presente dos pagamentos futuros. Trata-se de norma de observância obrigatória para empresas tributadas pelo Lucro Real (IN RFB 1.515/2014, arts. 45-50).
A irregularidade contábil identificada consiste no tratamento indevido de leasing financeiro como operacional, com reconhecimento das prestações diretamente como despesa operacional, em vez do reconhecimento do ativo e passivo e da despesa de depreciação do ativo de direito de uso e encargo financeiro do passivo, conforme exige o CPC 06 (R2).
Sob o aspecto fiscal, a dedutibilidade das parcelas de arrendamento financeiro para fins do IRPJ e CSLL segue regras específicas. Para operações entre partes relacionadas, aplicam-se as regras de preços de transferência (Lei 14.596/2023, que atualizou a legislação brasileira ao padrão OCDE/G20), exigindo que a taxa de juros implícita no contrato reflita condições de mercado entre partes independentes.
As providências cabíveis incluem: (i) auto de infração por omissão de receitas/dedução indevida de despesas na apuração do IRPJ e CSLL; (ii) exigência de ajuste nas demonstrações contábeis com elaboração de Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido retificadora; (iii) análise das condições do contrato à luz das regras de preços de transferência para verificar eventual excesso de encargos deduzidos.
Este cronograma assume dedicação de 5 a 6 horas diárias e é calibrado para quem parte de conhecimento básico a intermediário. Ajuste conforme sua situação atual.
| Mês | Disciplinas Foco | Meta de Questões | Atividade Especial |
| Mês 1 | Tributário (CTN fundamentos), Cont. Geral (escrituração) | 100 questões | Diagnóstico inicial — simulado zerado |
| Mês 2 | Tributário (crédito tributário, resp.), Cont. Geral (DRE, BP) | 150 questões | 1ª leitura completa do CTN |
| Mês 3 | Legislação Tributária (IRPJ/IRPF), Cont. Pública (base) | 200 questões | Simulado parcial (Tributário + Contabilidade) |
| Mês 4 | Legislação Tributária (Simples, PIS/COFINS), Auditoria | 200 questões | 2 questões discursivas por semana |
| Mês 5 | Fluência de Dados, TI, Estatística | 180 questões | Projeto prático de análise de dados |
| Mês 6 | Constitucional, Administrativo, Processo Civil | 200 questões | Simulado completo (1º + 2º turno) |
| Mês 7 | Cont. Pública (avançado), AFO, Economia | 200 questões | Revisão Tributário fundamentos |
| Mês 8 | Revisão geral + questões inéditas FGV | 300 questões | 2 simulados completos |
| Mês 9 | Aprofundamento discursiva — casos complexos | 250 questões | 4 discursivas/semana com revisão |
| Mês 10 | Legislação atualizada (leis recentes) | 300 questões | Leitura do Diário Oficial semanal |
| Mês 11 | Simulados intensivos + pontos fracos | 400 questões | 3 simulados completos |
| Mês 12 | Revisão final — apenas conteúdo consolidado | 200 questões | Parar novos temas 10 dias antes |
Não há data confirmada. Com base no histórico de intervalos entre concursos (3-4 anos) e no expressivo déficit de pessoal, o período mais provável para publicação de novo edital é 2026-2027. Este guia será atualizado imediatamente com qualquer confirmação oficial.
Qualquer diploma de nível superior é aceito para ambos os cargos — Auditor-Fiscal e Analista-Tributário. Não há exigência de graduação específica. Profissionais formados em Direito, Administração, Ciências Contábeis, Economia e Sistemas de Informação estão entre os mais bem posicionados, mas aprovados de todas as áreas são registrados em cada edição.
As provas são similares em estrutura, mas a do Auditor exige maior profundidade em praticamente todas as disciplinas — especialmente Tributário e Contabilidade — além de incluir disciplinas adicionais (Economia, Direito do Trabalho) e cobrar 2 questões discursivas em vez de 1. O tempo de preparação necessário é, em média, 30 a 40% maior para o Auditor. Candidatos que já estudam para o Analista podem migrar para o Auditor com 3 a 6 meses adicionais de aprofundamento nas disciplinas extras.
Sim, e é altamente recomendável. As disciplinas são extensas e técnicas — especialmente Tributário e Contabilidade — e exigem maturação de conhecimento que não se constrói em poucos meses. Candidatos que chegam ao edital já preparados chegam com vantagem real sobre quem começou do zero após a publicação. Dados das últimas edições mostram que a maioria dos primeiros colocados acumulou mais de 12 meses de estudo antes da prova.
É possível, mas exige gestão rigorosa do tempo. A preparação recomendada é de 4 a 6 horas diárias. Candidatos que trabalham em tempo integral geralmente precisam de 18 a 24 meses de preparação, contra 12 a 16 meses para quem estuda em tempo integral. O foco deve ser na qualidade do estudo — 4 horas concentradas superam 8 horas dispersas.
Notas de corte históricas são indicativas, não garantidas. No concurso de 2022/2023, candidatos que aproveitaram abaixo de 73-76% da prova objetiva raramente atingiram a lista de aprovados para o cargo de Auditor dentro do número de vagas. Para Analista, o corte efetivo ficou em torno de 68-72%. Esses percentuais tendem a subir com maior número de vagas (mais candidatos passam na objetiva mas ainda precisam da discursiva).
A Reforma Tributária (EC 132/2023) é um conteúdo que as próximas edições certamente cobrarão, especialmente as regras sobre CBS (que substitui PIS e COFINS federais), IBS e o período de transição. O CTN e as bases do Direito Tributário não mudam com a reforma — o que muda são as leis específicas de tributação do consumo. Candidatos que dominam a legislação atual terão facilidade de absorver as mudanças quando os textos complementares forem consolidados.
A fonte oficial é o Diário Oficial da União (www.in.gov.br) e o site da própria Receita Federal (www.gov.br/receitafederal). Este guia é atualizado regularmente com informações verificadas. Desconfie de grupos de WhatsApp e Telegram que anunciam editais antes de publicação oficial — boatos são comuns e podem causar preparação precipitada ou inadequada.
Nas últimas edições, as dificuldades mais relatadas por aprovados foram: (1) manter consistência nos estudos por mais de 12 meses, (2) dominar Contabilidade para candidatos sem formação na área, (3) adaptar-se ao estilo FGV de questões contextualizadas após estudar muito por resolução de questões de outras bancas, e (4) a prova discursiva — especialmente a citação precisa de artigos de lei sob pressão de tempo.
Nenhum curso é indispensável, mas bons professores nas disciplinas técnicas fazem diferença real. Para Direito Tributário, a obra de Ricardo Alexandre é a referência mais usada entre aprovados. Para Contabilidade, os CPCs e as Normas Brasileiras de Contabilidade são leitura obrigatória. O mais importante é a resolução sistemática de questões — não existe substituto para o volume de questões resolvidas e analisadas.
O concurso da Receita Federal é difícil. Essa afirmação não é para desanimar — é para preparar você para o que está à frente. Candidatos que entram na preparação com expectativas irrealistas (aprovação em 3 meses, estudo de 2 horas por dia) são os primeiros a desistir ou a decepcionarem-se com os resultados.
Candidatos que chegam ao edital já preparados, com domínio real de Tributário, Contabilidade e Legislação, entendendo o estilo da FGV, sabendo escrever discursivas sólidas — esses candidatos aprovam. E essa preparação começa hoje, independentemente de quando o edital sair.
Use este guia como referência ao longo da sua preparação. Ele será atualizado com novas informações assim que disponíveis. Bons estudos!