1

   Chamando o repórter de “cidadão”, em 1904, o preto acapoeirado justificava a revolta: erapara “não andarem dizendo que o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada mostrar que sabe morrer como homem!”. Para ele, a vacinação em si não era importante —embora não admitisse de modo algum deixar os homens da higiene meter o tal ferro em suasvirilhas. O mais importante era “mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço dopovo”.

CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi.
São Paulo: Cia. das Letras, 1987 (adaptado).

A referida Revolta, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no início da República, caracterizou-se por ser uma
2
No contexto político-econômico da época, esse tratado teve como consequência para os britânicos a
3

A imagem da relação patrão-empregado geralmente

veiculada pelas classes dominantes brasileiras na

República Velha era de que esta relação se assemelhava

em muitos aspectos á relação entre pais e filhos. O patrão

era uma espécie de “juiz doméstico" que procurava guiar

e aconselhar o trabalhador, que, em troca, devia realizar

suas tarefas com dedicação e respeitar o seu patrão.

CHALHOUB, S. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores do

Rio de Janeiro da Belle Époque. Campinas: Unicamp, 2001.

No contexto da transição do trabalho escravo para o

trabalho livre, a construção da imagem descrita no texto

tinha por objetivo

4

   Com tanta espionagem à solta, governantes sofrem para ter um smartphone, acessívelaos cidadãos comuns, mas problemático para líderes políticos. O aparelho é também um potencial rastreador preciso, capaz de localizar o chefe de Estado no mapa e gravar as conversas mesmo sem estar fazendo uma chamada. Tentação e risco na forma de um smartphone.

O Globo, 26 out. 2013 (adaptado).

A situação retratada problematiza o uso dessa tecnologia em relação ao(à)
5

   Os seringueiros amazônicos eram invisíveis no cenário nacional nos anos 1970. Começaram a se articular como um movimento agrário no início dos anos 1980, e na década seguinte conseguiram reconhecimento nacional, obtendo a implantação das primeiras reservas
extrativas após o assassinato de Chico Mendes. Assim, em vinte anos, os camponeses da floresta passaram da invisibilidade à posição de paradigma de desenvolvimento sustentável com participação popular.

ALMEIDA, M. W. B. Direitos à floresta e ambientalismo: seringueiros e suas lu tas.
Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 55, 2004.

De acordo com o texto, a visibilidade dos seringueiros amazônicos foi estabelecida pela relação entre
6

Cada um dos três séculos anteriores foi dominado por uma (mica tecnologia. O século XVIII foi a época dos grandes sistemas mecânicos que acompanharam a Revolução Industrial. 0 século XIX foi a era das maquinas a vapor. As principais conquistas do século XX se deram no campo da aquisição, do processamento e da distribuição de informações. Entre outros desenvolvimentos, vimos a instalação das redes de telefonia ern escala mundial, a invenção do radio e da televisão, o nascimento e crescimento sem precedentes da industria de informática e o lançamento de satélites de comunicação.

TANEMBAUM, Andrew S. Redes de computadores. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

A fusão dos computadores e das comunicações teve profunda influencia na organização da sociedade, conforme se verifica pela afirmação:

7


Na imagem, encontram-se referências a um momento de intensa agitação estudantil no país. Tal mobilização se explica pela

8

Considerando o contexto mencionado, a criação dessa política patrimonial objetivou a

9

Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da

palavra “restaurante". Desde o final da Idade Média, a palavra restaurant designava caldos ricos, com carne de aves e de boi,

legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças

dos trabalhadores. Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos restaurateurs, que serviam

pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais

e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou

guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a

utilização da palavra restaurante com o sentido atual.

A mudança do significado da palavra restaurante ilustra

10

    Nos romances clássicos do século XIX, sobretudo de Balzac ou Jane Austen, a equivalência entre capital e rendimento anual, por intermédio de uma taxa de rendimento de 5% (ou, mais raramente, de 4%), era uma evidência absoluta. Por esse motivo, com frequência os escritores omitiam a natureza do capital e se contentavam em indicar apenas o montante da renda anual produzida. Informavam-nos, por exemplo, que um personagem dispunha de 50 000 francos ou de 2 000 libras esterlinas de renda, sem precisar se eram rendimentos da terra ou de juros sobre a dívida pública. Pouco importava, já que a renda era segura e sistemática nos dois casos, permitindo reproduzir, ao longo do tempo, uma estratificação social conhecida.

PIKETTY, T. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014 (adaptado).

A equivalência destacada nas obras desses romancistas remete aos seguintes aspectos da dinâmica europeia naquele período:
11

TEXTO I

TEXTO II

   A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era geralmente destinada ao único escravo da família ou ao de menor status ou valor. Todas as noites, depois das dez horas, os escravos conhecidos popularmente como “tigres” levavam tubos ou barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio.

KARASCH, M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2000.

A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela
12

Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que

13

Arrependimentos terminais

Em Antes de partir, uma cuidadora especializada em

doentes terminais fala do que eles mais se arrependem

na hora de morrer. “Não deveria ter trabalhado tanto", diz

um dos pacientes. "Desejaria ter ficado em contato com

meus amigos", lembra outro. “Desejaria ter coragem de

expressar meus sentimentos." “Não deveria ter levado a

vida baseando-me no que esperavam de mim", diz um

terceiro. Há cem anos ou cinquenta, quem sabe, sem

dúvida seriam outros os arrependimentos terminais.

“Gostaria de ter sido mais útil à minha pátria." “Deveria

ter sido mais obediente a Deus." “Gostaria de ter deixado

mais patrimônio aos meus descendentes."

COELHO, M. Folha de São Paulo, 2 jan. 2013.

O texto compara hipoteticamente dois padrões morais

que divergem por se basearem respectivamente em

14

Imagem 068.jpg

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania

15

O brasileiro tem noção clara dos comportamentos éticos e morais adequados, mas vive sob o espectro da corrupção, revela pesquisa. Se o país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictídia de Lima Barreto).



FRAGA, P. Ninguém é inocente. Folha de S. Paulo. 4 out. 2009 (adaptado).



O distanciamento entre “reconhecer" e “cumprir" efetivamente o que é moral constitui uma ambiguidade inerente ao humano, porque as normas morais são

16

A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto à vida do cidadão.

ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985

O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristotélica, como

17

    Sócrates: “Quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber de que tipo de coisa ela é? Ou te parece ser possível alguém que não conhece absolutamente quem é Mênon, esse alguém saber se ele é belo, se é rico e ainda se é nobre? Parece-te ser isso possível? Assim, Mênon, que coisa afirmas ser a virtude?”.

PLATÃO. Mênon. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2001 (adaptado).

A atitude apresentada na interlocução do filósofo com Mênon é um exemplo da utilização do(a)
18

   Polemizando contra a tradicional tese aristotélica, que via na sociedade o resultado de um instinto primordial, Hobbes sustenta que no gênero humano, diferentemente do animal, não existe sociabilidade instintiva. Entre os indivíduos não existe um amor natural, mas somente uma
explosiva mistura de temor e necessidade recíprocos que, se não fosse disciplinada pelo Estado, originaria uma incontrolável sucessão de violências e excessos.

NICOLAU, U. Antologia ilustrada de filosofia: das origens à Idade Moderna.
São Paulo: Globo, 2005 (adaptado).

Referente à constituição da sociedade civil, considere, respectivamente, o correto posicionamento de Aristóteles e Hobbes:
19
A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a
20

Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no inicio da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques.
Scientlase Studia, São Paulo, v. 2 n, 4, 2004 (adaptado).



Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação cientifica consiste em:

21

    Os verdadeiros filósofos, tornados senhores da cidade, sejam eles muitos ou um só, desprezam as honras como as de hoje, por julgá-las indignas de um homem livre e sem valor algum, mas, ao contrário, têm em alta conta a retidão e as honras que dela decorrem e, julgando a justiça como algo muito importante e necessário, pondo-se a serviço dela e fazendo-a crescer, administram sua cidade.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2006 (adaptado).

No contexto da filosofia platônica, o texto expressa uma perspectiva aristocrática acerca do exercício do poder, uma vez que este é legitimado pelo(a)
22
O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filosofia socrática, presente em sua ação dialógica:
23

    Com direitos civis, mas sem direitos políticos, além das mulheres, milhões de camponeses iletrados, em sua maioria não brancos, num contexto altamente racista e racializado, milhares de imigrantes estrangeiros recém-chegados e de ex-escravos recém-libertos não
deixaram, apesar disso, de agir politicamente e de influir decisivamente no devir da república em formação.

MATTOS, H. A vida política. In: SCHWARCZ, L. M. (Org.). A abertura para o mundo:
1889-1930. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Um meio pelo qual esses grupos exerceram a cidadania, nas primeiras décadas do regime político mencionado, foi o(a)
24

A memória recuperada pela autora apresenta a relação entre

25

Ações de educação patrimonial são realizadas

em diferentes contextos e localidades e têm mostrado

resultados surpreendentes ao trazer à tona a autoestima

das comunidades. Em alguns casos, promovem o

desenvolvimento local e indicam soluções inovadoras

de reconhecimento e salvaguarda do patrimônio cultural

para muitas populações.

PELEGRINI, S. C. A.; PINHEIRO, A. P. (Orgs.). Tempo, memória e

patrimônio cultural. Piauí: Edupi, 2010.

A valorização dos bens mencionados encontra-se

correlacionada a ações educativas que promovem a(s)

26


27
Considerando o argumento apresentado, a discriminação racial no Brasil tem como origem
28

A cada 80 dias, 20 mil gravatas chegam a uma lojinhado Brás, bairro comercial de São Paulo. É o fim de uma viagem e tanto para elas ― navegam por um mês desde Shengzhou, uma cidade no leste chinês. Mas a parada no Brás não deve demorar. Pelo menos se depender de Márcio, o dono da loja. Ele costuma vender todo o estoque até a chegada da carga seguinte. Márcio não conhece muito de Shengzhou, mas sabe de algo importante: “Lá estão as gravatas mais baratas do mundo. Na Índia, são 15% mais caras. Na Europa, 300%". Superinteressante. Nº 271, nov. 2009. A coesão é uma estratégia espacial adotada pelas indústrias para reduzir o custo de comercialização.

No caso chinês, a interação socio espacial ocorre com diversas partes do mundo, inclusive com São Paulo. De acordo com as informações da reportagem, é possível identificar essa coesão na

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Em conflitos regionais e na guerra entre nações tem sido observada a ocorrência de seqüestros, execuções sumárias, torturas e

outras violações de direitos.

Em 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Declaração Universal dos Direitos do Homem,

que, em seu artigo 5º, afirma:

Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Assim, entre nações que assinaram essa Declaração, é coerente esperar que

30
Os textos referem-se à integração do índio à chamada civilização brasileira.
I - “Mais uma vez, nós, os povos indígenas, somos vítimas de um pensamento que separa e que tenta nos eliminar cultural, social e até fisicamente. A justificativa é a de que somos apenas 250 mil pessoas e o Brasil não pode suportar esse ônus.(...) É preciso congelar essas idéias colonizadoras, porque elas são irreais e hipócritas e também genocidas.(...) Nós, índios, queremos falar, mas queremos ser escutados na nossa língua, nos nossos costumes.”
Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal Articulador dos Direitos Indígenas na ONU e fundador das Nações Indígenas, Folha de S. Paulo, 31 de agosto de 1994
II - “O Brasil não terá índios no final do século XXI (...) E por que isso? Pela razão muito simples que consiste no fato de o índio brasileiro não ser distinto das demais comunidades primitivas que existiram no mundo. A história não é outra coisa senão um processo civilizatório, que conduz o homem, por conta própria ou por difusão da cultura, a passar do paleolítico ao neolítico e do neolítico a um estágio civilizatório.”
Hélio Jaguaribe, cientista político, Folha de S. Paulo, 2 de setembro de 1994 Pode-se afirmar, segundo os textos, que
31

Só num sentido muito restrito, o indivíduo cria com

seus próprios recursos o modo de falar e de pensar que

lhe são atribuídos. Fala o idioma de seu grupo; pensa

à maneira de seu grupo. Encontra a sua disposição

apenas determinadas palavras e significados. Estas não

só determinam, em grau considerável, as vias de acesso

mental ao mundo circundante, mas também mostram,

ao mesmo tempo, sob que ângulo e em que contexto

de atividade os objetos foram até agora perceptíveis ao

grupo ou ao indivíduo.

MANNHEIM, K. Ideologia e utopia. Porto Alegre: Globo, 1950 (adaptado).

Ilustrando uma proposição básica da sociologia do

conhecimento, o argumento de Karl Mannheim defende

que o(a)

32

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum

destino biológico, psíquico, econômico define a forma

que a fêmea humana assume no seio da sociedade;

é o conjunto da civilização que elabora esse produto

intermediário entre o macho e o castrado que qualificam

o feminino.

BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980

Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir

contribuiu para estruturar um movimento social que teve

como marca o(a)

33


O gráfico divulgado pela Associação por Vias

Seguras traça objetivamente, a partir de dados

do Ministério da Saúde, um histórico do número

de vítimas fatais em decorrência de acidentes de

trânsito no Brasil ao longo de catorze anos. As

informações nele dispostas demonstram que o número

de vítimas fatais

34

Na introdução do romance, o narrador resgata lembranças de Plácida Linero relacionadas a seu filho Santiago Nasar. Nessa introdução, o uso da expressão augurio aciago remete ao(à)

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Canción con todos
Salgo a caminar
Por la cintura cósmica del sur
Piso en la región
Más vegetal del tiempo y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de América en mi piel
Y anda en mi sangre un río
Que libera en mi voz
Su caudal.
Sol de alto Perú
Rostro Bolivia, estaño y soledad
Un verde Brasil besa a mi Chile
Cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña América y total
Pura raíz de un grito
Destinado a crecer
Y a estallar.
Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento.
¡Canta conmigo, canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz!
GÓMEZ, A. T. Mercedes Sosa: 30 años. Buenos Aires: Polygram, 1994
Canción con todos é uma canção latino-americana muito
difundida e consagrada pela voz da cantora argentina
Mercedes Sosa. Com relação à América Latina, seus
versos expressam
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La violencia como bella arte

    Pues bien, ‘Relatos Salvajes’, de Damián Szifrón, es sobre todo un brillante esfuerzo por poner rostro, por fotografiar, a la parte de la violencia que tanto cuesta ver en el cine. De repente, el director argentino coloca al espectador ante el espectáculo, digamos putrefacto,
de una sociedad enferma de su propia indolencia, anestesiada por su ira, incapaz de entender el origen de la insatisfacción que la habita. ¿Cómo se quedan? Sí, estamos delante de la una película vocacionalmente violenta, obligadamente salvaje, pero, y sobre todo, deslumbrante en su claridad.
   Más allá del esplendor sabio de una producción perfecta, lo que más duele, lo que más divierte, lo que más conmueve es la sensación de reconocimiento. Cada uno de los damnificados, pese a su acento marcadamente argentino, somos nosotros. O, mejor, cada insulto
proferido, y no siempre entendido, es nuestro, en algún momento ha salido de nuestra boca. O saldrá.

    La violencia no es sólo eso que tanto desagrada a los profesionales del buen gusto, a los programadores de ópera o a los filósofos de la nada; la violencia, la realmente
insoportable, es también una cuestión de actitud, un simple gesto. Y esa violencia está por todas partes, está dentro. Y Szifrón acierta a retratarla tan fielmente que no queda otra cosa que romper a reír. Aunque sólo sea de simple desesperación. Brillante, magistral incluso.

MARTÍNEZ, L. Disponível em: www.elmundo.es. Acesso em: 13 abr. 2015 (adaptado).

Nessa resenha crítica acerca do filme Relatos Salvajes,  autor evidencia o

37

A partir das informações sobre as condições de saneamento básico na República Democrática do Congo e do gênero escolhido para veiculá-las, a função do texto é

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El idioma espahol en África subsahariana: aproximación y propuesta
La inexistencia de un imperio colonial espahol contemporáneo en África subsahariana durante los siglos XIX y XX es la causa de la ausencia actual de la lengua espahola en ese espacio como sena lingüística, con la excepción del Estado ecuatoguineano. En consecuencia, la lengua espahola es, en ese subcontinente, un idioma muy poco conocido y promovido. Por otro lado, la importante presencia colonial portuguesa en África tuvo como consecuencia el nacimiento de cinco Estados oficialmente lusófonos. Convendrá, en esos países del África subsahariana, la promoción del espahol a partir de la afinidad con el portugués, lengua consolidada ya en ese espacio. PRADOS, F.A. D. Disponível em: www.realinstitutoelcano.org. Acesso em: 20 jan. 2012 (adaptado).
No artigo, após um esboço sobre a presença do espanhol na África subsaariana, propõe-se
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Imagem 001.jpg



O texto de Luis Rogelio Nogueras faz uma crítica

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No texto, alguns dos benefícios de se utilizar estruturas pré-moldadas na construção de altos edifícios estão expressos por meio da palavra limpia. Essa expressão indica que, além de produzir menos resíduos, o uso desse tipo de estrutura

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Na região da Catalunha, Espanha, convivem duas línguas oficiais: o catalão e o espanhol. Além dessas, ensinam-se outras línguas nas escolas. De acordo com o texto, para administrar a variedade linguística nas aulas, é necessário

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43

Convergencia tecnológica y participación popular

Se están cumpliendo 20 años del “boom" de las radios comunitarias en Argentina, que entre 1985 y 1990

sorprendió al país con la creación de casi 3 mil radios de baja potencia. Estas emisoras lograron, en poco tiempo,

abrir los micrófonos a miles de radialistas populares, a la participación del vecindario y de la gente común e influir

sustancialmente en la programación radial comercial, con la creación de nuevos formatos en los que tenía un papel

central la opinión ciudadana, sin jerarquías ni condicionamientos. Siendo la radio en Argentina el medio más popular

y con un alto grado de credibilidad por parte del público, las emisoras comunitarias jugaron un rol fundamental para el

fortalecimiento del debate democrático en el país.

PLOU, D. S. América Latina en Movimiento, n. 421, jun. 2007. Disponível em: http://alainet.org. Acesso em: 23 fev. 2012 (adaptado).

O texto destaca a importância das emissoras de rádio comunitárias na Argentina. Considerando especificamente a

época do denominado boom, as emissoras populares

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Em uma escala de 01 a 10, o Brasil está entre 3 e 4 no quesito segurança da informação. “Estamos começando a acordar para o problema. Nessa história de espionagem corporativa, temos muita lição a fazer. Falta consciência institucional e um longo aprendizado. A sociedade caiu em si e viu que é uma coisa que nos afeta", diz S. P., pós–doutor em segurança da informação. Para ele, devem ser estabelecidos canais de denúncia para esse tipo de situação. De acordo com o conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI), o Brasil tem condições de desenvolver tecnologia própria para garantir a segurança dos dados do país, tanto do governo quanto da população. “Há uma massa de conhecimento dentro das universidades e em empresas inovadoras que podem contribuir propondo medidas para que possamos mudar isso [falta de segurança] no longo prazo". Ele acredita que o governo tem de usar o seu poder de compra de softwares e hardwares para a área de segurança cibernética, de forma a fomentar essas empresas, a produção de conhecimento na área e a construção de uma cadeia de produção nacional.

SARRES, C. Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 22 nov. 2013 (adaptado).



Considerando–se o surgimento da espionagem corporativa em decorrência do amplo uso da internet, o texto aponta uma necessidade advinda desse impacto, que se resume em

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A rapidez é destacada como uma das qualidades do

serviço anunciado, funcionando como estratégia de

persuasão em relação ao consumidor do mercado

gráfico. O recurso da linguagem verbal que contribui

para esse destaque é o emprego

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Retrato do artista quando coisa A menina apareceu grávida de um gavião. Veio falou para a mãe: o gavião me desmoçou. A mãe disse: Você vai parir uma árvore para a gente comer goiaba nela. E comeram goiaba. Naquele tempo de dantes não havia limites para ser. Se a gente encostava em ser ave ganhava o poder de alçar. Se a gente falasse a partir de um córrego a gente pegava murmúrios. Não havia comportamento de estar. Urubus conversavam sobre auroras. Pessoas viravam árvore. Pedras viravam rouxinóis. Depois veio a ordem das coisas e as pedras têm que rolar seu destino de pedra para o resto dos tempos. Só as palavras não foram castigadas com a ordem natural das coisas. As palavras continuam com seus deslimites. BARROS, M. Retrato do Artista Quando Coisa. Rio de Janeiro: Record, 1998

No poema, observam-se os itens lexicais desmoçou e deslimites.

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Era um dos meus primeiros dias na sala de música. A fim de descobrirmos o que deveríamos estar fazendo ali, propus à classe um problema. Inocentemente perguntei: — O que é música?

Passamos dois dias inteiros tateando em busca de uma definição. Descobrimos que tínhamos de rejeitar todas as definições costumeiras porque elas não eram suficientemente abrangentes.

O simples fato é que, à medida que a crescente margem a que chamamos de vanguarda continua suas explorações pelas fronteiras do som, qualquer definição se torna difícil. Quando John Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos a atravessar suas composições, ele ventila a arte da música com conceitos novos e aparentemente sem forma.

SCHAFER, R. M. O ouvido pensante. São Paulo. Unesp, 1991 (adaptado)



A frase “Quando John Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos a atravessar suas composições", na proposta de Schafer de formular uma nova conceituação de música, representa a

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TEXTO I



É evidente que a vitamina D é importante - mas como obte-la? Realmente, a vitamina D pode ser produzida naturalmente pela exposição à luz do sol, mas ela também existe em alguns alimentos comuns. Entretanto, como fonte dessa vitamina, certos alimentos são melhores do que outros.Alguns possuem uma quantidade significativa de vitamina D, naturalmente, e são alimentos que talvez você não queira exagerar: manteiga, nata, gema de ovo e fígado.
Disponível em :http//saúde.hsw.uol.com.br. Acesso em 31 jul.2012



TEXTO II



Todos nos sabemos que a vitamina D (colecalciferol) é crucial para sua saúde.Mas a vitamina D é realmente uma vitamina? Está presente nas comidas que os humanos normalmente consomem? Embora exista em algum percentual na gordura do peixe, a vitamina D não esta em nossas dietas, a não ser que os humanos artificialmente incrementem um produto alimentar, como o leite enriquecido com vitamina D. A natureza planejou que você a produzisse em sua pele, e não a colocasse direto em sua boca.
Então, seria a vitamina D realmente uma vitamina?
Disponível em: WWW.uma outravisao.com.br.Acesso em : 31 jul . 2012



Frequentemente circulam na midia textos de divulgaçao cientifica que apresentam informações divergentes sobre um mesmo tema. Comprando os dois textos, constata-se que o Texto II contrapõe –se ao I quando

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Texto 1

O Morcego

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela igneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."

Digo. Ergo-me a Verner. Fecho o ferrolho

E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços fago. Chego A toca-lo. Minha alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!

Por mais que a gente faça, a noite, ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto!

ANJOS, A. Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994.

Texto 2

0 lugar-comum em que se converteu a imagem de um poeta doentio, com o gosto do macabro e do horroroso, dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o olhar clinico, o comportamento analítico, ate mesmo certa frieza, certa impessoalidade cientifica.

CUNHA, F. Romantismo e modernidade na poesia. Rio de Janeiro:

Catedra, 1988 (adaptado).

Em consonância com os comentários do texto 2 acerca da poética de Augusto dos Anjos, o poema O morcego apresenta-se, enquanto percepção do mundo, como forma estética capaz de

50

A transparência na administração pública tem

um lado positivo, ao permitir o acompanhamento das

ações e das despesas dos governos por parte dos

cidadãos. Por outro lado, a divulgação indiscriminada de

informações, especialmente associadas a indivíduos,

pode levar a maledicências, chantagens e exposição da

privacidade em aspectos irrelevantes para o interesse

público.

Considerando–se as informações apresentadas,

defende–se a divulgação de dados referentes aos

indivíduos quando

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E se a água potável acabar? O que aconteceria se a água potável do mundo acabasse?

As teorias mais pessimistas dizem que a água potável deve acabar logo, em 2050. Nesse ano, ninguém mais tomará banho todo dia. Chuveiro com água só duas vezes por semana. Se alguém exceder 55 litros de consumo (metade do que a ONU recomenda), seu abastecimento será interrompido. Nos mercados, não haveria carne, pois, se não há água para você, imagine para o gado. Gastam–se 43 mil litros de água para produzir 1 kg de carne. Mas, não é só ela que faltará. A Região Centro–Oeste do Brasil, maior produtor de grãos da América Latina em 2012, não conseguiria manter a produção. Afinal, no país, a agricultura e a agropecuária são, hoje, as maiores consumidoras de água, com mais de 70% do uso. Faltariam arroz, feijão, soja, milho e outros grãos.



Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em 30 jul. 2012



A língua portuguesa dispõe de vários recursos para indicar a atitude do falante em relação ao conteúdo de seu enunciado. No início do texto, o verbo “dever" contribui para expressar

52


Os anúncios publicitários, em geral, utilizam as linguagens

verbal e não verbal com a intenção de influenciar

comportamentos. Os recursos linguísticos e imagéticos

presentes na propaganda da ABP convergem para

53

As modernas técnicas de comunicação estão associadas aos impactos da mensagem. Nesse texto, a intenção é

54

Qual a consequência socioambiental, no Brasil, da implementação da tecnologia exemplificada no texto?

55

Enchente no Rio está entre as mais fatais dos últimos 12 meses no mundo

As enchentes no Rio de Janeiro esta semana já causaram mais mortes do que qualquer outro incidente semelhante em 2010 em qualquer parte do mundo. Nos últimos 12 meses, a inundação no Rio foi a quinta mais fatal do mundo.

Disponível em: http://www.bbcbrasil.com. Acesso em: 16 abr. 2010.

Além do grande volume de chuva, um fator de ordem socioespacial que provoca a ocorrência de eventos como o citado no trecho da reportagem é

56


A figura representada por Charles Chaplin critica o

modelo de produção do início do século XX, nos Estados

Unidos da América, que se espalhou por diversos países

e setores da economia e teve como resultado

57

Três países — Etiópia, Sudão e Egito — usam grande quantidade da água que corre pelo Rio Nilo, na África. Para atender às necessidades de populações que crescem com rapidez, a Etiópia e o Sudão planejam desviar mais água do Nilo do que já desviam. Diante de dificuldades naturais que caracterizam o ciclo hidrológico nessa região, como baixa pluviosidade e altas taxas de evaporação, esses desvios feitos rio acima poderiam reduzir a quantidade de recursos hídricos disponíveis para o Egito, o último país ao longo da extensão do rio, que não pode sobreviver sem esses recursos naturais.

MILLER Jr., G.T. Ciência Ambiental. São Paulo: Thomson, 2007 (adaptado).

Diante dessa ameaça, qual seria a melhor opção para o Egito?

58

A água é um dos fatores determinantes para todos os seres vivos, mas a precipitação varia muito nos continentes,

como podemos observar no mapa abaixo.

Ao examinar a tabela da temperatura média anual em algumas latitudes, podemos concluir que as chuvas são mais

abundantes nas maiores latitudes próximas do Equador, porque

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Menino de engenho

   A minha mãe sempre me falava do engenho como de um recanto do céu. E uma negra que ela trouxera para criada contava histórias de lá, das moagens, dos banhos de rio, das frutas e dos brinquedos, que me acostumei a imaginar o engenho como qualquer coisa de um conto de fadas, de um reino fabuloso.

REGO, J. L. Menino de engenho. In:Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.

O conceito geográfico que define a relação descrita no texto entre indivíduo e espaço é:

60

Os movimentos de massa constituem-se no

deslocamento de material (solo e rocha) vertente

abaixo pela influência da gravidade. As condições

que favorecem os movimentos de massa dependem

principalmente da estrutura geológica, da declividade da

vertente, do regime de chuvas, da perda de vegetação e

da atividade antrópica.

BIGARELLA, J. J. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais.

Florianópolis: UFSC, 2003 (adaptado).

Em relação ao processo descrito, sua ocorrência é

minimizada em locais onde há

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Sabe-se o que era a mata do Nordeste, antes da monocultura da cana: um arvoredo tanto e tamanho e tão basto e de tantas prumagens que não podia homem dar conta. O canavial desvirginou todo esse mato grosso do modo mais cru: pela queimada. A fogo é que foram se abrindo no mato virgem os claros por onde se estendeu o canavial civilizador, mas ao mesmo tempo devastador. FREYRE, G. Nordeste. São Paulo: Global, 2004 (adaptado). Analisando os desdobramentos da atividade canavieira sobre o meio físico, o autor salienta um paradoxo, caracterizado pelo(a)

62


As trajetórias de participação das regiões Sudeste e Nordeste, apresentadas no mapa, estão, respectivamente, associadas ao(à)

63
A divisão representada do território alemão refletia um contexto geoestratégico de busca por
64

O Banco Mundial classifica os países de acordo

com a renda média per capita. Em 2005, 2,4 bilhões de

pessoas receberam 580 dólares anuais, em média, nos

países considerados em desenvolvimento, ao passo que

1 bilhão de pessoas em países de alta renda receberam

35.130 dólares anuais per capita.

Atlas of Global Development. Washington/DC, Collins, 2002, p. 8 (com adaptações).

A classificação utilizada pelo Banco Mundial, em

relação ao nível de desenvolvimento dos países,

permite concluir que

65

Comparando os dados das hidrelétricas, uma caracteristica territorial positiva de Belo Monte é o(a)

66

O negócio



Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abastecem de pão e banana:

— Como é o negócio?

De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:

— Deus me livre, não! Hoje não…

Abílio interpelou a velha:

— Como é o negócio?

Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:

— Como é o negócio?

Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ele trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada.

O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum–pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:

— Como é o negócio?

Diante da recusa, ele ameaçou:

— Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!

TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro. Record,1979 (fragmento)



Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa crônica tem um caráter

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Uma tuiteratura?

As novidades sobre o Twitter já não cabem em

140 toques. Informações vindas dos EUA dão conta de

que a marca de 100 milhões de adeptos acaba de ser

alcançada e que a biblioteca do Congresso, um dos

principais templos da palavra impressa, vai guardar em

seu arquivo todos os tweets, ou seja, as mensagens

do microblog. No Brasil o fenômeno não chega a tanto,

mas já somos o segundo país com o maior número de

tuiteiros. Também aqui o Twitter está sendo aceito em

territórios antes exclusivos do papel. A própria Academia

Brasileira de Letras abriu um concurso de microcontos

para textos com apenas 140 caracteres. Também se fala

das possibilidades literárias desse meio que se caracteriza

pela concisão. Já há até um neologismo, “tuiteratura",

para indicar os “enunciados telegráficos com criações

originais, citações ou resumos de obras impressas". Por

ora, pergunto como se estivesse tuitando: querer fazer

literatura com palavras de menos não é pretensão demais?

VENTURA, Z. O Globo, 17 abr. 2010 (adaptado).

As novas tecnologias estão presentes na sociedade

moderna, transformando a comunicação por meio de

inovadoras linguagens. O texto de Zuenir Ventura mostra

que o Twitter tem sido acessado por um número cada vez

maior de internautas e já se insere até na literatura. Neste

contexto de inovações linguísticas, a linguagem do Twitter

apresenta como característica relevante

68
No poema Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação.
(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo.
Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14
Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:
69

Todo bom escritor tem o seu instante de graça, possui

a sua obra–prima, aquela que congrega numa estrutura

perfeita os seus dons mais pessoais. Para Dias Gomes

essa hora de inspiração veio–lhe no dia que escreveu

O pagador de promessas. Em torno de Zé–do–Burro —

herói ideal, por unir o máximo de caráter ao mínimo de

inteligência, naquela zona fronteiriça entre o idiota e o

santo — o enredo espalha a malícia e a maldade de uma

capital como Salvador, mitificada pela música popular

e pela literatura, na qual o explorador de mulheres se

chama inevitavelmente Bonitão, o poeta popular, Dedé

Cospe–Rima, e o mestre de capoeira, Manuelzinho Sua

Mãe. O colorido do quadro contrasta fortemente com a

simplicidade da ação, que caminha numa linha reta da

chegada de Zé–do–Burro à sua entrada trágica e triunfal na

igreja — não sob a cruz, conforme prometera, mas sobre

ela, carregado pelos capoeiras, “como um crucifixado".

PRADO, D. A. O teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2008 (fragmento).

A avaliação crítica de Décio de Almeida Prado destaca as

qualidades de O pagador de promessas. Com base nas

ideias defendidas por ele, uma boa obra teatral deve

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A viagem

Que coisas devo levar
nesta viagem em que partes?
As cartas de navegação só servem
a quem fica.
Com que mapas desvendar
um continente
que falta?
Estrangeira do teu corpo
tão comum
quantas línguas aprender
para calar-me?
Também quem fica
procura
um oriente.
Também
a quem fica
cabe uma paisagem nova
e a travessia insone do desconhecido
e a alegria difícil da descoberta.
O que levas do que fica,
o que, do que levas, retiro?

MARQUES, A. M. In: SANT’ANNA, A. (Org.). Rua Aribau.
Porto Alegre: Tag, 2018.

A viagem e a ausência remetem a um repertório poético tradicional. No poema, a voz lírica dialoga com essa tradição, repercutindo a

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No trecho, retirado do conto Retábulo de Santa Joana Carolina, de Osman Lins, a fim de expressar uma ideia relativa

à literatura, o autor emprega um procedimento singular de escrita, que consiste em

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A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu lírico que

73


O contexto histórico e literário do período barroco-árcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que

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Ed Mort só vai

   Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o essencial, um telefone mudo e um cinzeiro. Mas insisto numa mesa e numa cadeira. Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei um jogo de máscaras.
No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia entrei na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando
as máscaras. Espisoteei meia dúzia. As outras atacaram a mesa. Consegui salvar a minha Bic e o jornal. O jornal era novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a
agenda. Saí ganhando. A agenda estava em branco. Meu último caso fora com a funcionária do Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless. Acabara mal. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort: todas as histórias. 
Porto Alegre: L&PM, 1997 (adaptado).

Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma

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João Antõnio de Barros (Jota Barros) nasceu aos 24 de junho de 1935, em Glória de Goitá (PE). Marceneiro, entalhador, xilógrafo, poeta repentista e escritor de literatura de cordel, já publicou 33 folhetos e ainda tem vários inéditos. Reside em São Paulo desde 1973, vivendo exclusivamente da venda de livretos de cordel e das cantigas de improviso, ao som da viola. Grande divulgador da poesia popular nordestina no Sul, tem dado frequentemente entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto. EVARISTO, M. C. O cordel em sala de aula. In: BRANDÃO, H. N. (Coord.). Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político, divulgação científica. São Paulo: Cortez, 2000

A biografia é um gênero textual que descreve a trajetória de determinado indivíduo, evidenciando sua singularidade. No caso específico de uma biografia como a de João Antõnio de Barros, um dos principais elementos que a constitui é

76


O artesanato traz as marcas de cada cultura e, desse modo, atesta a ligação do homem com o meio social em que vive. Os artefatos são produzidos manualmente e costumam revelar uma integração entre homem e meio ambiente, identificável no tipo de matéria-prima utilizada. Pela matéria-prima (o barro) utilizada e pelos tipos humanos representados, em qual região do Brasil o artefato acima foi produzido?

77


O surrealismo configurou-se como uma das vanguardas

artísticas europeias do início do século XX. René Magritte,

pintor belga, apresenta elementos dessa vanguarda em

suas produções. Um traço do Surrealismo presente nessa

pintura é o(a)

78

Observe a tirinha da personagem Mafalda, de Quino.

O efeito de humor foi um recurso utilizado pelo autor da tirinha para mostrar que o pai de Mafalda

79

Em 1956, o artista Flávio de Resende Carvalho desfilou pela Avenida Paulista com o traje New Look uma proposta tropical para o guarda-roupa masculino. Suas obras mais conhecidas são relacionadas às performances. A imagem permite relacionar como características dessa manifestação artística o uso

80

Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.



COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 (adaptado)



Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que

81

Em 1958, a seleção brasileira foi campeã mundial pela primeira vez. O texto foi extraído da crônica "A alegria de ser brasileiro",

do dramaturgo Nelson Rodrigues, publicada naquele ano pelo jornal Última Hora.

"Agora, com a chegada da equipe imortal, as lágrimas rolam. Convenhamos que a seleção as merece. Merece por tudo: não só

pelo futebol, que foi o mais belo que os olhos mortais já contemplaram, como também pelo seu maravilhoso índice disciplinar.

Até este Campeonato, o brasileiro julgava-se um cafajeste nato e hereditário. Olhava o inglês e tinha-lhe inveja. Achava o

inglês o sujeito mais fino, mais sóbrio, de uma polidez e de uma cerimônia inenarráveis. E, súbito, há o Mundial. Todo mundo

baixou o sarrafo no Brasil. Suecos, britânicos, alemães, franceses, checos, russos, davam botinadas em penca. Só o brasileiro

se mantinha ferozmente dentro dos limites rígidos da esportividade. Então, se verificou o seguinte: o inglês, tal como o

concebíamos, não existe. O único inglês que apareceu no Mundial foi o brasileiro. Por tantos motivos, vamos perder a

vergonha (...), vamos sentar no meio-fio e chorar. Porque é uma alegria ser brasileiro, amigos".

Além de destacar a beleza do futebol brasileiro, Nelson Rodrigues quis dizer que o comportamento dos jogadores dentro do

campo

82

Ao abordar o fato de, no Brasil, muitos jovens depositarem suas esperanças de futuro no futebol, o texto critica o(a)

83

Nas ultimas décadas, a capoeira esta cada vez mais presente no ambiente escolar, seja por intermédio de estudantes que a praticam nos intervalos

das aulas, seja como parte das propostas curriculares de diversas instituições de ensino.

Disponível em: http://crv.educacao.mg.gov.br (adaptado).

Cada vez mais reconhecida, a capoeira a considerada a 14ª expressão artística do país, registrada como patrimônio imaterial pelo IPHAN.

Sua pratica representa nas escolas um(a)

84

É possível considerar as modalidades esportivas

coletivas dentro de uma mesma lógica, pois possuem uma

estrutura comum: seis princípios operacionais divididos

em dois grupos, o ataque e a defesa. Os três princípios

operacionais de ataque são: conservação individual

e coletiva da bola, progressão da equipe com a posse

da bola em direção ao alvo adversário e finalização

jogada, visando a obtenção de ponto. Os três princípios

operacionais da defesa são: recuperação da bola,

impedimento do avanço da equipe contrária com a posse

da bola e proteção do alvo para impedir a finalização da

equipe adversária.

DAOLIO, J. Jogos esportivos coletivos: dos princípios operacionais aos gestos técnicos —

modelo pendular a partir das ideias de Claude Bayer. Revista Brasileira

de Ciência e Movimento, out. 2002 (adaptado).

Considerando os princípios expostos no texto, o drible no

handebol caracteriza o princípio de

85
Em relação aos aspectos do padrão corporal dos brasileiros, compreende-se que esta população
86

Como a ideia de gênero está fundada nas diferenças biológicas entre os sexos, ela aponta para o caráter implicitamente relacional do feminino e do masculino. Assim, gênero é uma categoria relacional porque leva em conta o outro sexo, em presença ou ausência. Além disso, relaciona-se com outras categorias, pois não somos vistos(as ) de acordo apenas com nosso sexo ou com o que a cultura fez dele, mas de uma maneira muito mais ampla: somos classificados(as ) de acordo com nossa idade, raça, etnia, classe social, altura e peso corporal, habilidades motoras, entre muitas outras.

SOUSA, E. S.; ALTMANN, H. Meninos e meninas: expectativas corporais e implicações na educação física escolar. Cadernos Cedes. Ano XIX, nº 48, ago.1999.

Diante do exposto, é possível perceber que as diferenças entre sexo masculino e feminino se encontram em todos os campos de atividades. Atualmente, no campo da prática de atividades físicas, percebe-se

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O esporte de alto rendimento envolve atividades físicas de caráter competitivo, no qual os atletas competem consigo mesmos ou com outros, sujeitando-se a regras preestabelecidas aprovadas pelos organismos internacionais ou nacionais de cada modalidade.

As grandes competições são reservadas aos grandes talentos e possibilitam a promoção de espetáculos que

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A dança moderna propõe em primeiro lugar o conhecimento de si e o autodomínio. Minha proposta é esta: através do conhecimento e do autodomínio chego à forma, à minha forma — e não o contrário. É uma inversão que muda toda a estética, toda a razão do movimento. A técnica na dança tem apenas uma finalidade: preparar o corpo para responder à exigência do espírito artístico.

VIANNA, K.; CARVALHO, M.A. A dança. São Paulo: Siciliano, 1990

Na abordagem dos autores, a técnica, o autodomínio e o conhecimento do bailarino estão a serviço da

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Liberada, judoca árabe faz história nos Jogos Olímpicos de Londres Aos 16 anos de idade, a judoca Wojdan Ali Seraj Shaherkani, da categoria pesado (acima de 78 kg), fez história nos Jogos Olímpicos de Londres. Ela se tornou a primeira mulher da Arábia Saudita a disputar uma Olimpíada. Isso depois de superar não só o preconceito em seu país como também o quase veto da Federação Internacional de Judõ (FIJ), que não queria permitir que a atleta competisse vestindo o hijab, o tradicional véu islâmico.

Disponível em: www.lancenet.com.br. Acesso em: 8 ago. 2012 (adaptado).

No âmbito do esporte de alto rendimento, o uso do véu pela lutadora saudita durante os Jogos Olímpicos de Londres 2012 representa o(a)

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A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar. Neste mundo do fim do século, o futebol profissional condena o que é inútil, o que não é rentável, ninguém ganha nada com esta loucura que faz com que o homem seja menino por um momento, jogando como menino que brinca com o balão de gás e como o gato que brinca com o novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem juiz. O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.

GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM, 1995

As transformações que marcam a trajetória histórica do futebol, especialmente aquelas identificadas no texto, se caracterizam pelo(a)