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Q456060

No poema,

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Q456057

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 11,

leia o texto abaixo.



Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e,

muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu

quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu

caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó.

Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela

aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear

à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de

pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar

mulungu.

Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta,

bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca

lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu

vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho

à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir

encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir

de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâ-

minas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro

bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para

tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma

aparência que a mim lembrava vagamente um olho.

Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era

como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das

coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos

mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade

de mulungus que me restava na palma da mão na hora de

ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras

vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido

ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam

aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam

no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região

do Jardim Botânico.

Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de

mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu

é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome

de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas,

originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores

vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes

do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas

com mácula preta (isto, sim)'', dizia.

Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me

lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De

algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me

pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a

despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não

estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las.

O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam,

talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável.

Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memó-

ria mínima.

(Adaptado de: SEIXAS, Heloísa. Semente da Memória. Disponível

em: http://heloisaseixas.com.br)

Está correto o que se afirma em:

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Q456049

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 11,

leia o texto abaixo.



Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e,

muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu

quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu

caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó.

Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela

aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear

à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de

pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar

mulungu.

Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta,

bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca

lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu

vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho

à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir

encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir

de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâ-

minas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro

bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para

tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma

aparência que a mim lembrava vagamente um olho.

Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era

como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das

coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos

mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade

de mulungus que me restava na palma da mão na hora de

ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras

vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido

ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam

aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam

no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região

do Jardim Botânico.

Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de

mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu

é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome

de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas,

originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores

vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes

do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas

com mácula preta (isto, sim)'', dizia.

Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me

lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De

algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me

pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a

despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não

estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las.

O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam,

talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável.

Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memó-

ria mínima.

(Adaptado de: SEIXAS, Heloísa. Semente da Memória. Disponível

em: http://heloisaseixas.com.br)

De acordo com o texto,

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Q456050

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 11,

leia o texto abaixo.



Nasci na Rua Faro, a poucos metros do Bar Joia, e,

muito antes de ir morar no Leblon, o Jardim Botânico foi meu

quintal. Era ali, por suas aleias de areia cor de creme, que eu

caminhava todas as manhãs de mãos dadas com minha avó.

Entrávamos pelo portão principal e seguíamos primeiro pela

aleia imponente que vai dar no chafariz. Depois, íamos passear

à beira do lago, ver as vitórias-régias, subir as escadarias de

pedra, observar o relógio de sol. Mas íamos, sobretudo, catar

mulungu.

Mulungu é uma semente vermelha com a pontinha preta,

bem pequena, menor do que um grão de ervilha. Tem a casca

lisa, encerada, e em contraste com a pontinha preta seu

vermelho é um vermelho vivo, tão vivo que parece quase estranho

à natureza. É bonita. Era um verdadeiro prêmio conseguir

encontrar um mulungu em meio à vegetação, descobrir

de repente a casca vermelha e viva cintilando por entre as lâ-

minas de grama ou no seio úmido de uma bromélia. Lembro

bem com que alegria eu me abaixava e estendia a mão para

tocar o pequeno grão, que por causa da ponta preta tinha uma

aparência que a mim lembrava vagamente um olho.

Disse isso à minha avó e ela riu, comentando que eu era

como meu pai, sempre prestava atenção nos detalhes das

coisas. Acho que já nessa época eu olhava em torno com olhos

mínimos. Mas a grandeza das manhãs se media pela quantidade

de mulungus que me restava na palma da mão na hora de

ir para casa. Conseguia às vezes juntar um punhado, outras

vezes apenas dois ou três. E é curioso que nunca tenha sabido

ao certo de onde eles vinham, de que árvore ou arbusto caíam

aquelas sementes vermelhas. Apenas sabíamos que surgiam

no chão ou por entre as folhas e sempre numa determinada região

do Jardim Botânico.

Mas eu jamais seria capaz de reconhecer uma árvore de

mulungu. Um dia, procurei no dicionário e descobri que mulungu

é o mesmo que corticeira e que também é conhecido pelo nome

de flor-de-coral. ''Árvore regular, ornamental, da família das leguminosas,

originária da Amazônia e de Mato Grosso, de flores

vermelhas, dispostas em racimos multifloros, sendo as sementes

do fruto do tamanho de um feijão (mentira!), e vermelhas

com mácula preta (isto, sim)'', dizia.

Mas há ainda um outro detalhe estranho – é que não me

lembro de jamais ter visto uma dessas sementes lá em casa. De

algum modo, depois de catadas elas desapareciam e hoje me

pergunto se não era minha avó que as guardava e tornava a

despejá-las nas folhagens todas as manhãs, sempre que não

estávamos olhando, só para que tivéssemos o prazer de encontrá-las.

O fato é que não me sobrou nenhuma e elas ganharam,

talvez por isso, uma aura de magia, uma natureza impalpável.

Dos mulungus, só me ficou a memória − essa memó-

ria mínima.

(Adaptado de: SEIXAS, Heloísa. Semente da Memória. Disponível

em: http://heloisaseixas.com.br)

A expressão olhos mínimos (3º parágrafo)

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GABARITO:

  • 1) A
  • 2) B
  • 3) E
  • 4) C
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