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Questão: 492754 - FGV - 2013 - SUDENE-PE - Engenheiro da Computação , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Economista , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Geólogo , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Engenheiro de Produção , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Engenheiro Civil , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Contador , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Arquiteto , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Analista Técnico Administrativo - Ciência da Computação , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Sociólogo , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Engenheiro Químico , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Engenheiro Ambiental , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Analista Técnico Administrativo - Controle Interno , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Analista Técnico - Administrativo , FGV - 2013 - SUDENE-PE - Químico

Texto

Alternativa

Envelhecer é chato, mas consolemo‐nos: a alternativa é pior.

Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é

estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor

do que não existir. Há dúvidas, claro. Muitos acreditam que com

a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais

barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá.

Enquanto isso vamos envelhecendo com a dignidade possível,

sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.

Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão

é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem

como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos,

ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado.

Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela

precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia

corrupção? Havia, sim, não havia era investigação pra valer. Havia

prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência

passando de general para general sem consulta popular,

repressão criminosa à divergência, uma política econômica

subserviente a um "milagre" econômico enganador. Quem viveu

naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram

lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre

o "pensamento militar", que decidia nossas vidas.

Ao contrário da morte, de uma ditadura se volta,

preferencialmente com uma lição aprendida. E, para garantir‐se

que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não

desmoralizar demais a política e os políticos, que seja. Melhor

uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas

incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos

políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou

você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e

representantes que só representam seus interesses, e seus

bolsos, respire fundo e pense na alternativa.

Sequer pensar que a alternativa seria preferível – como tem

gente pensando – equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso

aí, prefira a vida – e o voto.

(Adaptado. Veríssimo, O Globo, 30/6/2013)

“Envelhecer é chato, mas consolemo‐nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir”. Nesse segmento há um reparo quanto à construção do texto,   que é

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