Confira o gabarito não oficial do concurso do Ibama, comentado pelo professor Odilei França, de Língua Portuguesa:

A ordem das questões pode variar de acordo com o seu tipo de prova.

 

A sociedade atual não pode passar sem as indústrias. Talvez fosse possível, porém, conter o ritmo descontrolado de seu crescimento, se o homem moderno conseguisse abandonar o consumismo que o caracteriza.

O consumismo é um processo eticamente condenável, pois faz que as pessoas comprem mais coisas do que realmente necessitam. Com sistemas complexos de propaganda, que envolvem sutilezas psicológicas e recursos espetaculares, industriais e produtores em geral convencem a população a adquirir sempre os novos modelos de carros, geladeiras, relógios, calculadoras e outras utilidades, levando-a a lançar fora o que já possui. Esse processo garante aos fabricantes uma venda muito maior de seus produtos, o que permite a ampliação contínua das instalações industriais.

O consumismo não gera apenas os impactos ambientais decorrentes da necessidade crescente de energia e ado próprio processo industrial, mas é causa de outro grave problema: o esgotamento de recursos naturais não renováveis,. Isto é, daqueles que, uma vez consumidos, não podem ser novamente repostos, como, por exemplo, o petróleo e os minérios em geral.

Samul M. Branco. O meio ambiente em debate. São Paulo: Moderna, 1998, p 42-3 (com adaptações)


A respeito das ideias e estruturas linguísticas desse texto, julgue os itens de 1 a 8.

1. O referente do sujeito da forma verbal “levando” (l. 11) é a expressão “industriais e produtores em geral” (l.9), que exerce a função de sujeito da forma verbal “convencem” (l.9).

POSSÍVEL RECURSO. Considerando que o sujeito de “levando” está oculto, porque “levando” está em outra oração, então seu referente textual é “industriais e produtores em geral”.
Por outro lado, considerando-se o entendimento do texto, poder-se-ia considerar ERRADA, pois se poderia afirmar que o sujeito de ambos é “industriais e produtores em geral”.

2. Mantendo-se a coerência do texto, a expressão “o que” (l.13) poderia ser substituída por qualquer uma das seguintes: fato que, procedimento que, artifício que.

CERTO. Pois a expressão “o que” retoma “ uma venda muito maior de seus produtos” e posso considerar isso um fato, procedimento ou artifício, portanto mantém a coerência do texto.

3. De acordo com o texto, o vertente do capitalismo que justifica o desenvolvimento econômico a qualquer preço contrapõem-se à que defendo o consumo continuado de bens e produtos para manter a indústria aquecida e o emprego em alta.

ERRADO. Pois o texto fala de consumismo e não de capitalismo. Fala de uma sociedade que não pode viver sem indústrias pois consome descontroladamente.

4. O segundo período do primeiro parágrafo do texto poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: Quando for possível, porém, o homem moderno contiver o ritmo descontrolado de seu crescimento, ele conseguirá abandonar o consumismo que o caracteriza.

CERTO. Pois é proposta apenas a reescrita correta desse período. Talvez o que possa confundir o candidato  é o fato de a conjunção “porém” estar deslocada no período e a mudança dos tempos e modos verbais. Vejam: Porém quando for possível o homem moderno contiver o ritmo descontrolado de seu crescimento, ele conseguirá abandonar o consumismo que o caracteriza.

5. Sem prejuízo para o sentido original do período, o trecho “pois faz que as pessoas comprem mais coisas do que realmente necessitam” (l.6-7) poderia ser corretamente reescrito da seguinte maneira: pois faz as pessoas comprarem mais coisas que elas realmente necessitam.

ERRADO. Reparem que não pode mudar o sentido original do texto, e a reescrita proposta altera o sentido original do texto criando uma incoerência.

6. Não acarretaria prejuízo para a correção gramatical do texto a inserção de vírgula imediatamente após a forma verbal “gera”, na linha 15, tendo o sinal de pontuação, nesse caso, a função de realçar o advérbio “apenas”.

ERRADO. A forma correta de realçar a função do advérbio seria inserir uma vírgula antes e outra depois de “apenas” pois encontra-se no meio da oração, portanto inserir apenas uma das vírgulas acarreta erro de pontuação.

7. O termo “daqueles” (l.9), que retoma a expressão “dos recursos naturais não renováveis (l.18), exerce a função de sujeito do predicado “não podem ser novamente repostos” (l.19-20).

ERRADO. A palavra “daqueles”  é  apenas referente do sujeito de “não podem ser novamente repostos”.

8. Sem prejuízo para os sentidos do texto, na linha 12, o vocábulo “fabricantes” poderia ser substituído por fábricas, sendo, nesse caso, necessário substituir “aos”, em “garante aos fabricantes”, por às.

(Retificada) CERTO. Pois o verbo “garantir” é no texto transitivo direto e indireto e rege preposição “a” para seu objeto indireto. A palavra “fábricas” é seu objeto indireto, provocando assim a ocorrência de crase: preposição a mais  o artigo as de fábricas.

 

Poluição

No meio da mata
o monstro soltando
seus uivos de raiva
veneno e poeira.

Em volta, os arbustos
cobertos de cinza,
virando farrapos
sem eira nem beira.

Mais longe, as moradas
com pele do pó,
cadeias do homem,
fazendo-o mais só.

No céu, cabisbaixo,
o sol a dizer:
“as leis do progresso,
Quem pode entender?!”

Maria Dinorah, In: Ver de ver. São Paulo, FTP, 1992, p.10

Em relação aos sentidos e aspectos gramaticais do poema acima, julgue os próximos itens.

9. As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.

ERRADO. As palavras “pó” e “só” pertencem à regra dos monossílabos tônicos e a palavra “céu” dos ditongos abertos.

10. As palavras do texto são escolhidas e organizadas para transmitir, além dos sentidos referenciais, o ritmo, a sonoridade, as imagens.

CERTO. As palavras escolhidas e aplicadas em uma poesia tem essa função.

11. O monstro é, no texto, aquilo que, em nome do progresso, pode destruir ou fazer grande mal ao meio ambiente.

CERTO. A última estrofe deixa isso claro.

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