Gabarito comentado da prova do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para o cargo de prova Técnico de Laboratório. Prova Tipo 03 – amarelo.

CARGO: TÉCNICO DE LABORATÓRIO

Daniela Tatarin (1 a 10)

Texto para responder às questões de 01 a 07:

E se o Brasil ainda fosse uma monarquia?

        Dom Luiz de Orleans e Bragança estrelaria os desfiles de Sete de Setembro, data que teria muito mais pompa, já que não haveria o Quinze de Novembro para rivalizar como dia mais importante da nação. E, sem a Proclamação da República em 1889, o governo Getúlio, a ditadura militar e a redemocratização do País, as seis constituições que tivemos em cem anos não existiriam ou seriam diferentes. Nosso rei de hoje, então, seguraria as rédeas do governo com o Poder Moderador, herança da Constituição de 1824 que o coloca acima dos três poderes. “Se um partido fosse contra o que o rei queria, ele colocava a oposição no lugar”, diz Eduardo Afonso, professor de história da Unesp.

          A capital seria Brasília do mesmo jeito, por se tratar de um plano da monarquia. Em 1823, o patriarca da
independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, apresentou o projeto de levar a capital ao Centro-Oeste, distante de ataques de corsários no litoral. E seria nessa região que o governo teria seu maior apoio. Os produtores de soja e outros grãos seriam a base da política imperial, assim como os cafeicultores foram no século 19. “O império nunca formulou uma política econômica, só seguiu o projeto de uma colônia que sobrevive de seu reservatório”, explica Estevão Martins, professor de história da UnB. Assim, agricultura, mineração e petróleo seriam ainda mais importantes para a economia do que são hoje.

        Nos anos 60, para combater a “ameaça comunista” dos movimentos da época, o imperador D. Pedro Henrique
diminuiria o poder do Parlamento. Nessa ditadura, a MPB faria barulho com letras cheias de metáforas contra o
império, driblando a censura.

        Essa não seria a única ameaça, já que houve um racha na linhagem real em 1908, quando D. Pedro de Alcântara
renunciou ao direito dinástico ao se casar com uma reles condessa (e não uma princesa), passando a coroa ao irmão
Luis Maria. A situação não ficou tensa porque, bem, já não havia um trono a disputar. Mas, se ainda fôssemos um reino, as relações familiares ficariam ruins. Os descendentes de D. Luis Maria, do chamado ramo de Vassouras, teriam de lidar com a oposição dos primos do ramo de Petrópolis. Isso ficaria claro em 2013. Durante as manifestações de junho, D. Luiz (neto de Luis Maria) recomendou a seus seguidores que não fossem às ruas, temendo “envolvimento em atos de anarquismo”. Se fosse rei, a declaração o deixaria no alvo dos protestos. E o nome do liberal D. João, do ramo de Petrópolis, ganharia força. Empresário, fotógrafo e surfista, ele defende as monarquias parlamentaristas e representaria um sopro de mudança – pelo menos até que a república fosse declarada.

(Nathan Fernandes. Disponível em: http://super.abril.com.br/historia/se-brasil-ainda-fosse-monarquia-769935.shtml.)

01) Em relação ao universo construído no texto, é correto afirmar que se trata de um universo

A) factual.

B) evidente.

C) hipotético.

D) supersticioso.

RESPOSTA: C

A ideia hipotética fica evidente na conjunção se e no uso dos verbos no futuro do pretérito.

02
No decorrer do texto, o autor apresenta os possíveis desdobramentos caso o Brasil ainda fosse uma monarquia. Só
NÃO pode ser enquadrado como uma das consequências desses desdobramentos a afirmação de que
A) Brasília ainda seria a sede do poder central.

B) os artistas populares se engajariam na luta política.

C) vários dos eventos políticos mais relevantes no Brasil não teriam ocorrido.

D) as atividades que hoje desempenham papel chave na economia do país teriam igual relevância.

RESPOSTA: D. O texto menciona a troca do café pela soja.

03 A oração destacada em “Durante as manifestações de junho, D. Luiz (neto de Luis Maria) recomendou a seus seguidores que não fossem às ruas […]” (4º§), classifica-se como

A) oração subordinada adjetiva restritiva.

B) oração subordinada substantiva objetiva direta.

C) oração subordinada substantiva objetiva indireta.

D) oração subordinada substantiva completiva nominal.

RESPOSTA: B.  

A oração é subordinada objetiva direta pois completa o sentido do verbo recomendou (vtd).

04) No trecho “Dom Luiz de Orleans e Bragança estrelaria os desfiles de Sete de Setembro,…” (1º§), o termo destacado poderia ser intercambiado, sem que houvesse alteração do sentido originalmente proposto, por 

A) brilharia.

B) adornaria.

C) interpretaria.

D) protagonizaria.

RESPOSTA: D. O sentido de estrelar é o mesmo de protagonizar. 

05) Analise as seguintes afirmativas. 

I. Na palavra “quinze”, “qu” configura-se como um dígrafo.

II. Em “redemocratização”, há uma dígrafo na quarta sílaba.

III. No termo “cafeicultores”, há um ditongo na segunda sílaba.

IV. Há em “monarquia” um ditongo na sílaba final.

Estão corretas apenas as afirmativas

A) I e II.

B) I e III.

C) II e IV.

D) III e IV.

RESPOSTA: B

I verdadeira = qu é dígrafo pois são duas letras e um único som

II falsa = é um encontro consonantal próprio.

III verdadeira= a sílaba fei forma o ditongo.

IV falsa = é um hiato

06) As frases das seguintes alternativas foram extraídas do texto e alteradas. Assinale aquela que apresenta problema no que tange à regência e/ou uso do acento indicador de crase. 

A) D. Luiz passou a coroa a Luis Maria.

B) Durante as manifestações de junho, D. Luiz (neto de Luis Maria) recomendou a seguidores que não fossem às ruas.

C) Em 1823, o patriarca da independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, apresentou o projeto de levar a capital à Fortaleza, distante de ataques de corsários no litoral.

D) Essa não seria a única ameaça, já que houve um racha na linhagem real em 1908, quando D. Pedro de Alcântara
renunciou ao direito dinástico por se casar com uma reles condessa.

RESPOSTA C. Não ocorre crase diante da palavra Fortaleza, pois esta não se encontra especificada para admitir o artigo.

07) Assinale a alternativa em que todas as palavras foram formadas por derivação sufixal. 

A) Constituição – região – mineração.

C) Reservatório – relações – descendentes.

B) Manifestações – oposição – produtores.

D) Anarquismo – parlamentaristas – poderes.

RESPOSTA B. Interpretação de texto. 

Texto para responder às questões de 08 a 10.

Mito: Se fora do dicionário, a palavra não existe

Qualquer bom dicionário deve registrar como a língua está sendo usada, principalmente em sua forma escrita.
Acontece que ela está sempre em movimento, certos usos – palavras ou construções – tomam o lugar de outros, de tal forma que o dicionário está sempre para trás em relação ao uso real e atual. O dicionário não decide nada – quem
decide é quem fala.
O que o dicionário pode e deve fazer é orientar o uso no sentido da clareza, adequação e economia. Por isso, ele
seleciona aquilo que é mais adequado e condizente com o próprio espírito da língua, deixando de lado brincadeiras
verbais, construções francamente empasteladas, aberrações, enfim.
Quando as formas são equivalentes, o dicionário deve registrá-las, e, quando muito, assinalar qual está sendo a
preferência: a rigor/em rigor; às pressas/à pressa; a nível de/no nível de; sito à rua/na rua; ao invés de/em vez de;
entrega a domicílio/em domicílio; TV a cores/em cores etc.
Não se encontram nos dicionários todas as palavras usadas numa língua. Os dicionários registram as palavras que
são matrizes do idioma e só algumas das várias outras que podem ser delas derivadas. Por isso é que não se vê
dicionarizado nenhum advérbio em “mente”, pois se sabe que para formar “admiravelmente”, por exemplo, basta
conhecer o adjetivo “admirável”.
(Francisco da Silva Borba. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/100/mitos-gramaticais-304533-1.asp. Adaptado.)

08) Considerando suas características, é correto afirmar que o principal objetivo do texto é

A) explicar um tópico.

B) narrar uma história.

C) orientar um comportamento.

D) argumentar em favor de um ponto de vista.

 

09) Acerca do conteúdo do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Um dicionário só não armazena os termos de uma língua que surgiram depois de sua publicação.
( ) Os dicionários armazenam, prioritariamente, os termos que servem de base a outras palavras.
( ) Os dicionários, em alguns casos, orientam sobre as tendências no uso da língua.
( ) O dicionário deve servir de diretriz para o uso de uma língua.
A sequência está correta em
A) V, F, F, F.

B) F, V, V, F.

C) V, F, F, V.

D) F, V, V, V.

Passível de recurso. O texto não é narrativo.

10) Com base no período “Não se encontram nos dicionários todas as palavras usadas numa língua.” (4º§), analise as afirmativas.

I. A forma “se” tem a mesma função que possui no título do texto “E se o Brasil ainda fosse uma monarquia?”.
II. O trecho “todas as palavras usadas numa língua” atua sintaticamente como sujeito do verbo “encontrar”.
III. A expressão “nos dicionários” atua como adjunto adverbial.
IV. “numa língua” também funciona como adjunto adverbial.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) I e II.

B) I e IV.

C) II e III.

D) III e IV.

RESPOSTA:  C

I falsa = o se é pronome

II verdadeira

III verdadeira

IV falsa

 

 

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