No Aprova Atualidades 89 os professores Guilherme Shibata e Cleuza Cecato buscam como ponto de convergência o valor da vida, considerando a mudança feita pelo Papa Francisco, sobre o entendimento da Igreja Católica a respeito da pena de morte. A mudança foi realizada no catecismo, um documento que rege o discurso de todos os representantes da Igreja Católica no mundo, caracterizando a pena capital como “inadmissível”.

O que isso pode ter a ver com um poema escrito por Carlos Drummond de Andrade, em meados do século XX no Brasil? É justamente este o ponto de convergência discutido pelos professores: qual é o valor da vida e como nos colocamos no direito de dispor sobre a vida do outro.

Nos links abaixo você fica ainda mais bem informado sobre o assunto falado pelos professores no Aprova Atualidades 89. Confira!

O valor da vida

Morte do leiteiro

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

Papa Francisco muda o parágrafo do Catecismo sobre a pena de morte

O novo Rescrito do Papa, ou seja, a decisão papal sobre a questão da pena de morte, foi publicado na manhã desta quinta-feira, no Vaticano:

“Durante muito tempo, o recurso à pena de morte, por parte da legítima autoridade, era considerada, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”.

Por que a Igreja Católica decidiu condenar a pena de morte – e por que não havia feito isso antes

Em decisão histórica, o papa Francisco declarou nesta quinta-feira que a pena de morte é inadmissível quaisquer que sejam as circunstâncias.

A medida foi histórica tanto pelo teor quanto pelo formato. Pelo teor, porque até então o Vaticano sempre procurou não interferir nessa espinhosa questão, entendendo que a decisão de adotá-la cabia aos governos dos países. Pelo formato, porque não foi uma simples declaração, mas uma alteração no catecismo da Igreja Católica, o compêndio que reúne a exposição da fé e da doutrina do catolicismo.

Pena de morte 2016: Fatos e números

Pelo menos 1.032 pessoas foram executadas em 23 países, em 2016. Em 2015, a Anistia Internacional registrou 1.634 execuções em 25 países em todo o mundo – um pico histórico inigualável desde 1989.

A maioria das execuções ocorreu na China, seguida pelo Irã, Arábia Saudita, Iraque e Paquistão – nesta ordem. A China continua sendo o país que mais executa pessoas no mundo – mas a verdadeira extensão do uso da pena de morte na China é desconhecida, pois esses dados são considerados um segredo de Estado. O número global de pelo menos 1.032 execuções exclui outras milhares que podem ter sido realizadas no país.

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Tem sugestão de temas? Gostaria de ver algum assunto específico sendo abordado? Então escreve nos comentários! Quem sabe a Profª. Cleuza Cecato e o Prof. Guilherme Shibata usam o tema que você sugeriu nas próximas edições?

Semana que vem tem mais Aprova Atualidades, sempre com os assuntos mais comentados no Brasil e no mundo, para te deixar muito bem informado.

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Publicado em 07/08/2018 | Atualizado em 12/09/2018 às 08:35

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