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STF: Crime fiscal e prisão civil por dívida.

Publicado em 21 de março de 2017 por - Comentar

ATUALIZAÇÃO: Veja nossos comentários a respeito da notícia que o STF veiculou ontem (20/03/2017) sobre “crime fiscal” e “prisão civil por dívida”.

“O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a jurisprudência no sentido de que a criminalização de sonegação fiscal (prevista na Lei 8.137/1990) não viola o artigo 5°, inciso LXVII, da Constituição Federal (CF), em virtude de ter caráter penal e não se relacionar com a prisão civil por dívida.

 

A decisão foi tomada pelo Plenário Virtual na análise do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 999425, que teve repercussão geral reconhecida.

 

O artigo 2°, inciso II, da lei, prevê que constitui crime contra a ordem tributária deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos.

 

O ministro Ricardo Lewandowski, relator do recurso, citou em sua manifestação que o Plenário do Supremo, no julgamento do Habeas Corpus (HC) 81611, assentou que a lei se volta contra sonegação fiscal e fraude, realizadas mediante omissão de informações ou declaração falsa às autoridades fazendárias, praticadas com o escopo de suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório (resultado). “Assim, ainda que seja possível a extinção da punibilidade mediante o pagamento do débito verificado (Lei 10.684/2003, artigo 9º), a Lei 8.137/1990 não disciplina uma espécie de execução fiscal sui generis nem uma cobrança de débito fiscal. Ela apenas dispõe que a incriminação da prática de fraude em documentação tributária fica sujeita à fiscalização pela autoridade fazendária, sem, no entanto, estatuir ou prever a possibilidade de prisão civil em razão de débito fiscal”, assinalou.

 

Assim, as condutas tipificadas na norma de 1990 não se referem simplesmente ao não pagamento de tributos, mas aos atos praticados pelo contribuinte com o fim de sonegar o tributo devido, consubstanciados em fraude, omissão, prestação de informações falsas às autoridades fazendárias e outras estratégias. “Não se trata de punir a inadimplência do contribuinte, ou seja, apenas a dívida com o Fisco”, sustentou o ministro Lewandowski.

 

Para o relator, o tema apresenta relevância jurídica, econômica e social, pois trata da constitucionalidade de delito que visa combater a sonegação fiscal, com reflexos diretos na arrecadação de recursos para a manutenção do Estado e para promoção do bem-estar social. Além disso, transcende os limites subjetivos da causa, na medida em que é de interesse das Fazendas Públicas e dos contribuintes.

 

Seguindo a manifestação do relator, por unanimidade, o STF reconheceu a existência de repercussão geral do tema. Por maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria e negou provimento ao recurso extraordinário.

 

Caso

 

O recurso foi interposto por empresários condenados por terem deixado de recolher R$ 77 mil de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) contra decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), que negou seguimento a recurso extraordinário que buscava a declaração de inconstitucionalidade do inciso II do artigo 2º da Lei 8.137/1990.

 

Os condenados alegavam que o dispositivo ofende o artigo 5°, LXVII, da Constituição, porque os crimes tributários não têm relevância penal, mas patrimonial, sendo inconstitucional a criminalização do contribuinte em virtude do não pagamento de tributos.”

FONTE: STF NOTÍCIAS em 20/03/2017, que você pode ler aqui.

Comentários

Os TRF´s desde um bom tempo já tem se manisfestado em conformidade com o STF toda a vez que a inconstitucionalidade dos tipos em exame (crimes contra a ordem Tributária) é arguida.

A prisão civil é medida de caráter residual e excepcional e não se confunde com os crimes contra a Ordem tributária onde temos verdadeira prisão penal decorrente do cometimento de um crime que envolve a supressão ou redução do recolhimento de tributo.

DICAS DE ESTUDO

Aproveitando o espaço, também vale lembrar outros pontos importantes e correlatos já decididos pelos Tribunais e que vale a pena você se aprofundar, pois tem sido cobrados em provas:

a) “dificuldades financeiras” não podem, em princípio, ser alegadas para fins de reconhecimento de causa de exclusão da antijuridicidade/justificação (estado de necessidade) prevista no art. 24 do Código Penal porque tal situação exigiria conflito entre sujeitos de direitos legítimos.

b) não cabe pedido de desclassificação de crime contra a ordem tributária para exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 – CP).

c) a suspensão da ação penal e até a extinção de punibilidade exigem comprovação inequívoca da regularidade fiscal, seja pelo parcelamento do débito (suspensão ação penal) ou quitação completa (extinção de punibilidade).

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Bons estudos! O Interesse é o maior educador!

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Prof. Pedro Luciano


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