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Gabarito Comentado – Concurso PC DF – Língua Portuguesa

Publicado em 12 de novembro de 2013 por - 5 Comentários

Professora Daniela Tatarin

Professora Daniela Tatarin

Confira o gabarito comentado da prova de Língua Portuguesa do concurso da Polícia Civil do Distrito Federal (PC DF) 2013, corrigida pela Professora Daniela Tatarin do Aprova Concursos.

 

Pavio do destino

Sérgio Sampaio

O bandido e o mocinho
São os dois do mesmo ninho
Correm nos estreitos trilhos
Lá no morro dos aflitos
Na Favela do Esqueleto
São filhos do primo pobre
A parcela do silêncio
Que encobre todos s gritos
E vão caminhando juntos
O mocinho e o bandido
De revólver de brinquedo
Porque ainda são meninos

Quem viu o pavio aceso do destino?

Com um pouco mais de idade
E já não são como antes
Depois que uma autoridade
Inventou-lhes um flagrante
Quanto mais escapa o tempo
Dos falsos educandários
Mais a dor é o documento
Que os agride e os separa
Não são mais dois inocentes
Não se falam cara a cara
Quem pode escapar ileso
Do medo e do desatino

Quem viu o pavio aceso do destino?

O tempo é pai de tudo
E surpresa não tem dia
Pode se que haja no mundo
Outra maior ironia
O bandido veste a farda
Da suprema segurança
O mocinho agora amarga
Um bando, uma quadrilha
São os dois da mesma safra
Dois meninos pelo avesso
Dois perdidos Valentinos

Quem viu o pavio aceso do destino?

 

A respeito dos sentidos do texto de Sérgio Sampaio, que constitui a letra de uma música, julgue os itens seguintes.

1 Os termos “ninho” (v.2) e “safra” (v.35) foram empregados em sentido denotativo e correspondem, respectivamente, ao local e à época de nascimento dos meninos.
1 ERRADO
A palavra ninho retoma e ideia de espaço e a palavra safra retoma a ideia de época, portanto, os termos correspondem ao local e época de nascimento dos meninos. Porém, não se trata do sentido denotativo, mas sim conotativo.

2 O trecho “Quanto mais escapa o tempo / Dos falsos educandários / Mais a dor é o documento / Que os agride e os separa” (v. 18-21) poderia, sem prejuízo para a correção gramatical, ser reescrito da seguinte forma: À medida que escapa o tempo dos falsos educandários, a dor vai se tornando o documento que os agride e os separa.
2 CERTO
A ideia presente na sentença é de proporcionalidade, portanto, à medida que pode ser utilizado na reescrita que há manutenção de sentido.

3 O termo “ileso” (v. 24) está empregado como sinônimo de incólume.
3 CERTO
Incólume significa intacto, livre de perigo. No contexto, assume o mesmo sentido de ileso.

4 Infere-se da leitura dos versos “O bandido veste a farda / Da suprema segurança / O mocinho agora amarga / Um bando, uma quadrilha” (v. 31/34) que houve uma inversão: o menino eu fazia o papel de mocinho na brincadeira virou bandido quando adulto, e o que fazia o papel de bandido se tornou policial. Na mesma estrofe, os termos “surpresa” (v. 28), “ironia” (v. 30) e “avesso” (v.37) ratificam essa interpretação.
4 CERTO
Interpretação textual. Ao que parece, a relação estabelecida na brincadeira de infância se manteve na vida adulta, mas com inversão de papéis.

5 O texto, pertencente a um gênero poético, faz um relato biográfico sobre duas crianças em uma localidade periférica, contrastando a inocência e o ludismo da infância com a aspereza e a ironia do destino na vida adulta.
5 CERTO
Partindo do pressuposto que na vida adulta as relações estabelecidas na infância, na brincadeira inocente, inverteram-se, pode-se afirmar que há sim o contraste apresentado na afirmativa.

 

Acerca de aspectos linguísticos do texto, julgue os itens a seguir.

6 O antecedente a que se referem os termos “lhes” (v. 17) e “os” (v.. 21) é recuperado na primeira estrofe do texto.
6 CERTO
Na primeira estrofe do texto têm-se presente os dois meninos, referentes dos pronomes citados na afirmativa.

7 Nos versos 25 e 26, os termos “Do medo”, “do desatino” e “do destino” exercem a mesma função sintática.
7 ERRADO
Do medo e do desatino são complementos verbais, exercendo a função de objeto indireto do verbo escapar. Do destino relaciona-se ao substantivo pavio.

8 O sentido original do texto seria alterado, mas a sua correção gramatical seria preservada caso o trecho “Pode ser que haja no mundo / Outra maior ironia” (v. 29-30) fosse assim reescrito no plural. Podem ser que hajam no mundo / Outras maiores ironias.
8 ERRADO
Perde-se a correção com a flexão do verbo haja. Haver, no sentido de existir, é impessoal e deve permanecer no singular.

9 O termo “amarga” (v. 33) corresponde a uma característica que no texto, qualifica “quadrilha” (v. 34).
9 ERRADO
O termo amarga é verbo, não adjetivo, portanto, não corresponde à característica, e sim à ação de amargar, sofrer.

10 O sujeito da forma verbal “viu” nos versos 13, 26 e 39, é indeterminado, pois não se revela no texto quem pratica a ação de ver.
10 ERRADO
O sujeito da forma verbal viu é o pronome quem, que exerce função substantiva.

Balanço divulgado pela Secretaria de Segurança

Pública do Distrito Federal (SSP/Df) aponta redução de 39%
nos casos de roubo com restrição de liberdade, o famoso
sequestro-relâmpago, ocorridos entre 1.° de janeiro e 31 de
agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do
ano passado – foram 520 ocorrências em 2012 e 316 em
2013.
Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos de
sequestro-relâmpago em todo o DF, o que representa redução
de 32% do número de ocorrências dessa natureza criminal em
relação ao mesmo mês de 2012, período em que 57 casos
foram registrados. Entre as 39 vítimas, 11 foram abordadas no
Plano Piloto, região que lidera a classificação de casos, seguida
pela região administrativa de Taguatinga, com oito ocorrências.
Segundo a SSP. O cenário é diferente daquele do mês de julho,
em que Ceilândia e Gama tinham o maior número de casos,
“38% dos crimes foram cometidos nos fins de semana, no
período da noite, e quase 70% das vítimas é baseada no
princípio da oportunidade e aleatória, não em função do
gênero.”
Ao todo, 82% das vítimas (32 pessoas) estavam
sozinhas no momento da abordagem dos bandidos, por isso as
<>forças de segurança recomendam que as pessoas tomem alguns
cuidados, entre os quais, não estacionar em locais escuros e
distantes, não ficar dentro de carros estacionados e redobrar a
atenção ao sair de residências, centros comerciais e outro
locais.

DF registra 316 ocorrência de sequestro-relâmpago nos primeiros oito meses deste ano R7, 6/9/2013 Internet http://noticiasr7.com (com adaptações)

 

Julgue os próximos itens, relativos aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto acima.

11 Infere-se do texto que, em agosto, Plano Piloto e Taguatinga eram as localidades com os mais altos índices de criminalidade no DF, situação inversa à de julho, quando as regiões de maior periculosidade eram Ceilândia e Gama.
11 ERRADO
O texto se refere ao crime de sequestro relâmpago especificamente, o que não representa a criminalidade.

12 O texto, predominantemente informativo, refuta a ideia de que os alvos preferenciais dos autores de sequestro-relâmpago seriam do sexo feminino.
12 CERTO
O objetivo do texto é informar sobre as incidências do crime, e acaba refutando a questão do sexo dos alvos ao demonstrar, por meio de dados estatísticos, a maior incidência de homens. Importante observar que a escolha, segundo o texto, é aleatória e depende de oportunidade.

13 A expressão “o famoso sequestro-relâmpago” (l. 3-4) está entre vírgulas porque explica, em termos populares, a expressão “roubo com restrição de liberdade” (l.3).
13 CERTO
Trata-se de um aposto explicativo.

14 A correção gramatical e o sentido da oração “Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos de sequestro-relâmpago em todo o DF” (l. 8-9) seriam preservados caso se substituísse a locução verbal “foram registrados” por registrou-se.
14 ERRADO
O verbo deveria estar no plural, pois o sujeito é 39 casos de sequestro-relâmpago.

15 O trecho “por isso as forças de segurança recomendam que as pessoas tomem alguns cuidados” (l. 23-25) expressa uma ideia de conclusão e poderia, mantendo-se a correção gramatical e o sentido do texto, ser iniciado pelo termo porquanto em vez da expressa “por isso”.
15 ERRADO
Porquanto é conjunção coordenativa explicativa e expressa uma ideia diferente das conjunções conclusivas, portanto, não é possível fazer a alteração sem modificação de sentido.

16 A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados caso a vírgula imediatamente após o termo “quais” (l. 25) fosse substituída pelo sinal de dois-pontos.
16 CERTO
Trata-se de uma enumeração, por isso pode ser utilizado o sinal dois pontos.

 

A prisão, em vez de devolver à liberdade indivíduos
corrigidos, espalha na população delinquentes perigosos. A
prisão não pode deixar de fabricar delinquentes. Fabrica-os
pelo tipo de existência que faz os detentos levarem: que fiquem
isolados nas celas, ou que lhes seja imposto um trabalho para
o qual não encontrarão utilidade, é de qualquer maneira não
“pensa no homem em sociedade; é criar uma existência contra
A natureza inútil e perigosa”; queremos que a prisão eduque os
Detentos, mas um sistema de educação que se dirige ao homem
Pode ter razoavelmente como objetivo agir  contra o desejo da
natureza? A prisão fabrica também delinquentes impondo aos
detentos limitações violentas; ela se destina a aplicar as leis, e
a ensinar o respeito por elas: ora, todo o seu funcionamento se
desenrola no sentido do abuso de poder. A prisão torna
possível, ou melhor, favorece a organização de um meio de
delinquentes, solidários entre si, hierarquizados, prontos para
todas as cumplicidade futuras.

Michel Foucault Ilegalidade e delinquência. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 33ª Ed. Petrópolis. Vozes. 1987 (com adaptações)

 

Os itens seguintes apresentam propostas de reescritura de trechos do texto acima. Julgue-os quanto à correção gramatical e à manutenção do sentido original do texto.

17 “A prisão (…) fabricar delinquentes” (l. 2-3). Não é permitido que a prisão deixe de forjar delinquentes.
17 ERRADO
A ideia é exatamente o contrário. Da maneira como está redigida, a prisão teria a obrigação de produzir delinquentes.

18 “Fabrica-os pelo (…) inútil e perigosa” (l. 3-8): Fabrica-os pelo tipo de existência que impõem aos detentos: que fiquem isolados nas celas, ou que sejam compelidos a um trabalho para o qual não encontrarão utilidade, é de qualquer maneira não “pensar no homem em sociedade: é criar uma existência que vai de encontro à natureza inútil e perigosa”.
18 ERRADO
O verbo “impõem” deveria ser grafado no singular, para concordar com o sujeito a prisão.

19 “A prisão (…) por elas” (l. 11-13): Ao impor limitações violentas aos detentos, a prisão cria também delinquentes. Ela é destinada a aplicação das leis e ao ensino do respeito por elas.
19 CERTO
Mantém a mesma ideia do original – a ação violenta para imposição das limitações cria delinquentes, mesmo tendo como função aplicar as leis e ensinar a respeitá-las.
Gabarito oficial: ERRADO.

20 “A prisão (…) delinquentes perigosa” (l. 1-2): Conquanto devolva indivíduos corrigidos à liberdade, a prisão dissemina delinquentes perigosos na população.
20 ERRADO
Conquanto é conjunção concessiva e em vez de expressa uma relação de oposição.

 


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5 comentários

  • ELAINE APARECIDA COSTA SILVA

    Bom dia professora! A SENHORA VAI ENTRAR COM RECURSO NA QUESTÃO 19?

  • Juliano

    Professora, o erro da questão 19 está na frase:

    “Ela é destinada a aplicação das leis e ao ensino do respeito por elas.”

    Falta uma crase antes de “aplicação”, pois deve haver a fusão da preposição “a” requerida pelo termo “destinada” e o artigo definido feminino “a”, aceito por “aplicação”.

    Eu marquei certo também na hora da prova.

  • Marcos

    Olá eu também fiquei com a mesma dúvida, porém na hora da prova pensei na seguinte hipótese baseando-me na doutrina cespe…. imaginei que o erro estaria na palavra “cria” que dá ideia de processo criativo, já “fábricar” dá ideia de processo automatizado de produção, por isso o cespe considerou errado. Ele já fez isso antes com outras palavras em questões de gramática misturadas com sentido do texto, pois ele pediu correção gramatical mantendo o sentido do texto.

  • Cristiano

    A questão dois ta errada. E você ainda justifica que ta certo. Pé a questão dois ta errada?

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