Confira o gabarito extraoficial da prova de Economia do Trabalho corrigida pelo professor Jefferson Mendes, do concurso do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizada neste domingo (08/09/2013).

 

Determinada economia apresenta os seguintes dados.

População total: 200 milhões de habitantes
População acima de 65 anos: 60 milhões de habitantes
População abaixo de 18 anos: 65 milhões de habitantes
População abaixo de 14 anos: 50 milhões de habitantes
População abaixo de 10 anos: 40 milhões de habitantes
População empregada: 70 milhões de habitantes
População fora do mercado de trabalho (desalentados): 20 milhões de habitantes.

Considerando que essa economia se aplique a mesma abordagem conceitual e metodológica adotada no Brasil, julgue os itens a seguir.

125 A taxa de desemprego da economia em apreço corresponde a 12,5%.

Resposta: Correta

A questão considera que a população acima de 65 anos estará aposentada, portanto, fora do mercado de trabalho, ou seja, é a população pós-produtiva. O IBGE também não considera a população abaixo dos 10 anos como em idade ativa (PIA).

Seguindo este raciocínio, retiramos da população total a população acima de 65 anos e abaixo de 10 anos e temos a PIA, da seguinte forma:

População total: 200.000.000

População acima de 65: -60.000.000

População abaixo de 10: -40.000.000

População em idade ativa (PIA) 100.000.000

Da PIA, retiramos os desalentados, ou seja, a parcela da PIA chamada de população não economicamente ativa (PNEA) para termos a força de trabalho, ou seja, a PEA.

População em idade ativa (PIA) 100.000.000

Desalentados -20.000.000

População economicamente ativa (PEA) 80.000.000
Como a PEA é formada por empregados e desempregados, basta calcular a população desempregada e calcular o índice de desemprego, desta forma:

População economicamente ativa (PEA) 80.000.000

Empregados -70.000.000

Desempregados 10.000.000
A taxa de desemprego é calculada dividindo a quantidade de desempregados pela PEA, desta forma:

TxD = D/PEA

TxD = 10.000.000/80.000.000

TxD = 0,125 ou 12,5%.
Por outro lado, a questão força a barra ao considerar que a população acima dos 65 anos fique desempregada voluntariamente.

126 Não será enquadrado nas estatísticas de desemprego o indivíduo em idade ativa que estiver fora do mercado de trabalho.

Resposta: Correta

O indivíduo que estiver fora do mercado de trabalho não faz parte da força de trabalho, ou seja, a PEA. Desta forma não entra nos cálculos estatísticos.

127 A população economicamente ativa, de acordo com a classificação do IBGE, é de 70 milhões de pessoas.

Resposta: Errado

De acordo com o IBGE, a força de trabalho é composta por empregados e desempregados. Ao seguirmos o mesmo raciocínio feito na questão 125, a PEA é a soma dos empregados com os desempregados, ou seja, 70.000.000 mais 10.000.000, portanto a PEA será de 80.000.000 de habitantes. Os dados fornecem a quantidade de desalentados, mas não os desempregados.

 

 Considere uma economia descrita pelas seguintes condições matemáticas:

economiatrabalho

 

Acerca dessa economia, julgue os itens que se seguem.

128 Se essa economia passar a ser regulamentada por um conjunto de leis que permitam maior flexibilidade nas relações trabalhistas, o resultado será o deslocamento para baixo da curva de determinação salarial, com redução da taxa natural de desemprego.

Resposta: Correto

Ao flexibilizar as regras de contratação de trabalho, deveria haver uma redução desemprego associado a uma redução salarial.

Enquanto o modelo de Curva Phillips proposto por FRIEDMAN (1968) e PHELPS (1958) advoga uma NAIRU fixa ao longo do tempo, as teorias que pressupõem rigidez salarial motivadas por barganhas salariais, possibilitaram uma nova abordagem teórica, pela qual a NAIRU poderia sofrer deslocamentos na presença de choques sobre a demanda e a oferta. Esta ideia é denominada histerese do desemprego, e foi particularmente utilizada para descrever o desemprego crescente e persistente na Europa PósChoque do Petróleo, durante as décadas de 1970 e 1980, em contraposição a um equilíbrio de baixa taxa de desemprego alcançado pelos EUA nesta mesma época. A explicação para esta divergência focaliza-se no tamanho da flexibilidade salarial entre os países: maior flexibilidade tende a ser acompanhada de taxas de desemprego menos persistentes. Na última década, o Brasil também passou por notórias flutuações econômicas que se refletiram, além de outros fatores, intensamente no desempenho do mercado de trabalho (TD368, CEDEPLAR, disponível em < http://www.cedeplar.ufmg.br/pesquisas/td/TD%20368.pdf >. Acesso em 09/09/2013).

129 A longo prazo, o desemprego nessa economia será igual a zero.

Resposta: Errado

Para que o desemprego seja igual a zero, a demanda por trabalhadores deverá ser extremamente alta, o que fica inviabilizada pela presença de instituições e produtores de bens, que para maximizarem seus retornos não podem contratar indefinidamente, segundo as teorias marginalistas.

130 O aumento do seguro-desemprego, em equilíbrio, acarreta o aumento do desemprego observado.

Resposta: Correto

No que se refere aos custos de oportunidade, um dos principais determinantes é a existência ou não do segurodesemprego. O seguro-desemprego reduz o custo marginal da busca de emprego e, portanto, aumenta o salário de reserva.

A existência do seguro-desemprego, segundo a teoria da “job-search”, tem efeitos perversos sobre a taxa de desemprego na medida em que leva a um período de desemprego mais elevado, visto que funciona como um subsídio à busca de emprego e eleva a renda pósdesemprego. Por este raciocínio, o seguro desemprego aumentaria a taxa de desemprego segundo:

– os benefícios do seguro-desemprego tendem a desencorajar a busca de um novo emprego (“jobsearch”), visto que, se o beneficiário encontra um trabalho, perde os benefícios;
– os benefícios do seguro-desemprego estendem a duração da busca de um novo emprego. Quanto maiores forem os benefícios, maior tende a ser o período que ele pode suportar estando desempregado antes de aceitar um novo emprego.

131 A taxa de desemprego de equilíbrio independe da estrutura sindical da economia.

Resposta: Errado

A taxa de desemprego depende da estrutura sindical da economia, pois os sindicatos possuem força de barganha em relação às empresas, o que reduz o desemprego. Por outro lado, reduz também as contratações em função da rigidez das regras estabelecidas.

132 Na economia em questão, as firmas conseguirão contratar a quantidade desejada de trabalhadores, bastando que seja respeitada a condição de o salário real ser maior ou igual à produtividade marginal do trabalho.

Resposta: Errado

As empresas contratam até o ponto em que a produtividade marginal se iguale ao salário real, ou seja, Pmg = W/P. Neste pondo, o lucro da empresa é maximizado, segundo a teoria marginalista. Em relação ao modelo clássico de salário-eficiência, julgue os itens a seguir.

133 Em equilíbrio, a elasticidade do esforço com relação ao salário relativo será igual a um.

Resposta: Correto

A hipótese de elasticidade de esforço unitária, ou condição de Solow, foi pela primeira vez explicitada em Solow (1986). De forma resumida, esta condição afirma que à taxa ótima de salário estabelecida pelas firmas, a elasticidade do esforço dos trabalhadores em relação ao salário é unitária. Apesar das firmas contratarem uma unidade de trabalho em potencial, a efetivação desta dependerá do nível de esforço desempenhado pelos trabalhadores, o qual depende da taxa salarial. A função de produção não assume mais a forma convencional dos livros-texto, y = f(x, l), onde y é o produto, x um vetor de insumos materiais e luma unidade de trabalho, mas passa a ser escrita como y = f[x,l · e(w)], com 0 < e(w) ≤1.

Em termos econômicos, a condição de Solow significa que, ao salário ótimo, i.e., à taxa de salário que minimiza o custo do trabalhador (maximizando o esforço por dólar pago), uma pequena redução no salário reduz na mesma proporção o esforço realizado, de tal forma que não há ganho por parte das empresas na redução salarial. Como não há ganho por parte das empresas, não há sentido em promover reduções de salário, mesmo em presença de desemprego, ou seja, mesmo que os trabalhadores aceitem reduções salariais em troca de emprego (ver http://www.ie.ufrj.br/images/pesquisa/publicacoes/rec/REC%202/REC_2.2_02_O_papel_da_elasticidade_de_esforco_unitaria_nos_modelos_de_salario_eficiencia.pdf).

134 No referido modelo, o desemprego reduz o salárioeficiência.

Errado

Em termos econômicos, a condição de Solow significa que, ao salário ótimo, i.e., à taxa de salário que minimiza o custo do trabalhador (maximizando o esforço por dólar pago), uma pequena redução no salário reduz na mesma proporção o esforço realizado, de tal forma que não há ganho por parte das empresas na redução salarial. Como não há ganho por parte das empresas, não há sentido em promover reduções de salário, mesmo em presença de desemprego, ou seja, mesmo que os trabalhadores aceitem reduções salariais em troca de emprego (ver http://www.ie.ufrj.br/images/pesquisa/publicacoes/rec/REC%202/REC_2.2_02_O_papel_da_elasticidade_de_esforco_unitaria_nos_modelos_de_salario_eficiencia.pdf).

135 Neste modelo, as firmas maximizam os seus lucros, apesar de o salário real ser estabelecido em patamar superior ao observado em concorrência perfeita.

Resposta: Correto

A partir dos anos 80 o modelo salário de eficiência ganha popularidade. Nela, salários altos acima do equilíbrio de mercado podem maximizar o lucro do empregador, porque níveis maiores de produtividade são atingidos. Quatro tipos diferentes de modelo de salários de eficiência se destacam na literatura e estão dispostos abaixo resumidamente:

– Seleção adversa: Parte-se das hipóteses de que os trabalhadores são heterogêneos e as firmas possuem informação imperfeita a respeito dos candidatos a vagas de emprego. Os custos de demissão não são triviais para o empregador, e por isso é melhor que ele acerte na hora da contratação. O salário mais alto do que o de equilíbrio ajuda a atrair os melhores candidatos e evitar a necessidade de demissão no futuro. Weiss (1980) se destaca nesta abordagem.

– Rotatividade: Aqui, o salário mais alto aumentaria a satisfação com o emprego e diminuiria assim o número de saídas voluntárias. Como a rotatividade é custosa para o empregador, inclusive em termos de perda de capital humano específico, o salário mais alto pode aumentar o seu lucro.

– Perigo moral: Supõe-se que os contratos de trabalho são incompletos e existe elevado grau de discricionariedade em relação ao esforço por parte do trabalhador. São altos os custos de monitoramento e ameaças de demissão podem não ser eficientes. O salário mais alto serviria então para incentivar o desempenho do empregado. Esta abordagem ganha espaço com os trabalhos de Leibenstein (1979) e Shapiro e Stiglitz (1984).

– Justiça: Nessa abordagem mais sociológica, seria uma espécie de senso de justiça por parte do empregador que impediria que os salários fossem baixos, abaixo do que ele merecesse ou necessitasse.

136 No modelo em apreço, não há desemprego involuntário.

Resposta: Errado

O desemprego involuntário surge por deficiências de demanda. Tanto os modelos de salário de eficiência quanto os modelos insider-outsider tentam explicar porque os empregadores, em circunstâncias adversas por exemplo, não diminuem o salário em vez de demitir trabalhadores. Desta forma fundamenta-se microeconomicamente a rigidez real dos salários, que impede o ajuste da economia em relação ao pleno emprego, ou seja, permite a existência teórica do desemprego involuntário.

 

 

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