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No auge dos seus 27 anos, a jovem estudante Naira Nascimento cursava complementação pedagógica para ingressar na carreira como professora.  Determinada a conquistar seus objetivos, a estudante começou a trabalhar cedo, atuando como auxiliar de administrativo e de classe em escolas de Macapá, capital do estado do Amapá.  Sonhadora, ela passou também a almejar a carreira pública, em busca de um emprego estável e uma remuneração que lhe desse um pouco mais de conforto. A história de Naira poderia ser confundida com a de muitos concurseiros que batalham dia a pós dia após por uma vaga nos órgão públicos do Brasil. Mas, no caso dela, ainda vinham outros desafios pela frente.

Naira sempre teve gosto pelo estudo. Mesmo com curso superior em biologia, ela também optou por fazer um curso técnico de análises clínicas no período da noite. Era uma jovem ambiciosa que pouco a pouco ia construindo seu futuro. Ela seguia uma rotina como a de qualquer pessoa da sua idade, conciliava os estudos com o lazer e as amizades. Foi em maio de 2011 que Naira percebeu algo que mudaria toda sua vida. Em casa, enquanto tomava banho, ela fez o auto-exame das mamas e sentiu que havia um nódulo em um dos seios. Dias depois ela procurou um médico, que optou por fazer um ultrassom. Após o exame, os clínicos a indicaram para uma biópsia, “Na verdade meu coração me dizia que a notícia não seria boa, por isso, preparei meu espírito, como sempre faço”, conta. A avó de Naira foi buscar o resultado no hospital. Pelos casos já existentes na família, os parentes tinham certeza da resposta positiva, todos estavam abatidos. Alguns anos antes, a tia avó da estudante faleceu desse mesmo problema. Com uma mistura de medo e tristeza, coube à mãe dar a notícia filha. Naira conta que no fundo já sabia a resposta, mas, receber aos 27 anos de idade o diagnóstico de câncer de mama, foi assustador. “As lágrimas vieram. Mas eu falei pra mim mesma que eu tinha que ser forte. Respirei e disse determinada: vamos em frente!”, lembra emocionada.

Com o apoio da família a estudante procurou um mastologista que indicou o tratamento de quimioterapia. Ela, como de costume, não se abateu, “A quimio nada mais é do que uma medicação intravenosa feita com a quantidade baseada no peso do paciente e especifica para o tipo de câncer. No meu caso, o de mama. A aplicação que eu fazia era de 21 em 21 dias.”, explica. Os dias se seguiram e na primeira aplicação Naira não perdeu cabelo, mas a partir da segunda ele caiu totalmente.  Mesmo passando pelo susto do diagnóstico, pelas mudanças no corpo e os desafios do tratamento, Naira não se deixou abater e manteve o pensamento positivo, “No tratamento, a contagem de dias para medicação caía sempre na quinta-feira e somente no sábado e domingo eu me sentia mal. Sentia como uma gripe forte, aquela moleza no corpo, uma pequena febre, sentia enjoo. No entanto, conseguia controlar o mal estar com remédios”. No fundo, ela estava certa de que ia lutar e transformou seu sonho na principal arma para vencer a batalha pela vida. Em meio ao calendário de medicações, exames e cuidados, Naira viu uma oportunidade de concurso público para professora do estado. Lembrou-se da vontade de lecionar. Avaliou sua condição de saúde, buscou ânimo e decidiu que mesmo com a saúde um pouco debilitada, era hora de voltar a estudar.

Ela matriculou-se no curso preparatório à distância e passou a estudar em casa, “Eu me sentia um pouco mal no fim de semana.Nova Imagem (7) Na segunda ainda estava fraca então, acordava na terça ou quarta às 4h para assistir as aulas, depois fazia os exercícios ou lia apostilas e livros. Deixava o restante da tarde pra descansar e recuperar as energias para ir ao curso técnico à noite”. Naira seguiu a risca a rotina de estudos. Diariamente se automotivava para concluir o caderno de testes, treinar redação e ler conteúdos. Porém, mesmo com todo o entusiasmo e força de vontade, em alguns momentos ela sentia o desânimo bater e, para espantar o sofrimento, ela se apegava ao sonho de passar no concurso e à expectativa de mudar de vida, “Eu pensava: se a quimio não está me derrubando, tenho forças pra estudar. Eu precisava de uma vitória para aumentar minha autoestima, por isso eu acreditava muito que iria passar”.

Após meses se dividindo entre o tratamento médico, estudo, aulas à distância e muito treino, enfim chegou o dia da prova para o concurso que ela tanto esperou. A ansiedade veio, mas ela sabia que havia se preparado e isso a ajudou a controlar as emoções. Terminado o teste, começou a espera pelo resultado e os dias que seguiram foram de muita expectativa, “Não sabia quando o estado iria fazer novo concurso e eu já tinha ficado um tempo sem fazer nada em minha área. Pra mim era uma chance única, e pensar assim, era o que mais motivava”. Enquanto o resultado não vinha, Naira deu sequência às seções de quimioterapia. Nessa mesma época, passou por uma cirurgia e se recuperou bem. Em setembro de 2012, a tão esperada lista de aprovados foi divulgada. Depois de toda a batalha, a estudante viu seu nome no publicado no Diário Oficial da União, e como se não bastasse a aprovação, ela ainda garantiu o 4° lugar no concurso para professora da Secretária de Educação do Macapá. “Chorei de alegria. Todos os meus amigos e familiares ficaram felizes. Era mais uma vitória pois o resultado saiu depois de todo o meu processo de recuperação. Para mim, foi como uma recompensa por eu ter conseguido passar bem pela quimioterapia” explica ela, como se agora, caísse em si da importância dos obstáculos superados.o caderno de testes, treinar redação e ler conteúdos. Porém, mesmo com todo o entusiasmo e força de vontade, em alguns momentos ela sentia

Para poder assumir o cargo, outro desafio: Naira precisava ainda, de uma liberação da junta médica. Com muita insistência e só depois de seis tentativas, ela conseguiu a liberação para seguir em frente, mas com o compromisso de fazer um acompanhamento médico adequado. Dois anos depois do início dessa história, Naira venceu o câncer para viver o sonho que tanto almejou. Hoje, ela leciona ciências para alunos da 6° e 7° séries. Na rotina, se cuida da melhor maneira possível, “Sigo uma dieta a base de peixe e legumes. Evito o que posso de alimentos industrializados. Só não consigo me livrar do sorvete.”, risos.  Ela se define como uma mulher vitoriosa que decidiu usar as dificuldades como degraus para subir cada ver mais alto. Para Naira, o segredo da vitória é acreditar no seu potencial, “São realmente incríveis as coisas que conseguimos fazer quando queremos”, reflete, lembrando a trajetória. Já para os concurseiros que ainda estão na fase dos estudos e provas, ela dá algumas dicas para alcançar o sucesso:

Dicas da Naira:

 Escolha o concurso que quer fazer;
 Imagine-se nesse emprego;
 Afaste qualquer pensamento que diga o contrário;
 Busque material adequado para o estudo e de acordo com a maneira que você tem facilidade de aprender. No meu caso as videoaulas são melhores.
 Estude, estude, estude.
 Caso não passe (Como já ocorreu comigo em vários outros concursos), tente de novo.

Resumindo: Confie em Deus que te ilumina, pois, o seu potencial dado por Ele“, finaliza.

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